Deus iria destruir Israel mesmo?

Deus iria destruir Israel mesmoApesar do compromisso com os patriarcas, Deus faria mesmo o que estava dizendo?

Antes de qualquer ponderação, precisamos cientificarmo-nos de que as Santas Escrituras, por mais que nos esclareçam as coisas, são comparadas, pelo apóstolo Pedro, a uma candeia para clarear (apenas) o suficiente à nossa peregrinação neste “lugar escuro”, até que o “dia” amanheça trazendo plena luz (2 Pedro 1.19). Por mais que conheçamos a Bíblia, o nosso conhecimento é apenas “em parte” (1 Coríntios 13.9). Aguardamos ansiosamente o raiar do “dia” da “parousia”, quando então conheceremos como também somos conhecidos (1 Coríntios 13.12). Enquanto não chegar esse dia, vamos nos aproximar da “candeia” – as Escrituras – para que possamos enxergar, da melhor maneira possível, as coisas concernentes a Deus.

No caso epigrafado, pelo menos duas hipóteses são possíveis:

1) Podemos observar que não só Moisés, mas também muitos da tribo de Levi não se corromperam com o culto idólatra do bezerro, e fieis a Deus puseram-se ao lado de Moisés na punição dos idólatras (Êxodo 32.25-29). Essa atitude foi tão importante que posteriormente Deus os honrou confirmando-lhes o ofício sacerdotal (Deuteronômio 33.8-11). Assim, Moisés já não estava só. Entretanto, mesmo que Deus destruísse aos demais, a promessa com a descendência dos patriarcas permaneceria de pé, pois Moisés era legítimo descendente deles e assim a linhagem de Abraão, Isaque e Jacó se perpetuaria na linhagem de Moisés.

2) A hipótese mais plausível do que a primeira é que Deus estava testando o caráter pastoral de Moisés (não para Deus saber, mas para servir de exemplo para nós), pois ao revelar Seu projeto de destruir Israel disse-lhe “deixa-me” (Êxodo 32.10). Assim, o plano de Deus foi, misteriosamente, submetido à aquiescência de Moisés, um mero mortal. Ora, sendo Deus soberano para executar Sua decisão, não necessita pedir permissão a ninguém, e muito menos de que alguém lhe dê algum parecer. Por isso, o apóstolo dos gentios brada com segurança: “Quem compreendeu o intento do Senhor? Ou, quem foi o seu conselheiro?” (Romanos 11.34). Desse modo, parece-nos pouco razoável a ideia de que Deus estaria pondo Suas deliberações à apreciação de Moisés, um homem santo, porém às vezes, guiado pelas emoções, e emoções essas que trouxeram-lhe sérios prejuízos, como o caso da morte do egípcio em Êxodo 2.11-15 e no episódio da rocha ferida nas águas de Meribá em Números 20.11, 12. Esse “deixa-me” significa confrontar Moisés com uma grande decisão. E ele compreendeu que esse “deixa-me” era Deus dando-lhe a oportunidade de pedir que não deixasse.

Nesse, momento, Moisés prova sua espiritualidade e altruísmo e demonstra que está mais preocupado com a glória de Deus do que com sua própria fama e argumenta que se o Senhor destruísse o povo, os egípcios iriam blasfemar. Ele apelou para fidelidade de Deus com os patriarcas e pediu ao Senhor que continuasse reconhecendo Israel como o povo da Sua aliança (Êxodo 32.11-14).

Com isso, o Espírito Santo nos ensina no que consiste um verdadeiro pastor. Seu único interesse é ver Deus glorificado e o rebanho abençoado.

O ministro tipo Moisés é aquele que se esconde por traz da cruz e o seu único objetivo é que Cristo apareça. Quanto ao ser honrado, ele deixa com Deus e espera que se cumpram as palavras de Jesus: “Se alguém me servir, meu Pai o honrará” (João 12.26).

Deus honrou tanto Moisés que Ele mesmo fez seu sepultamento (Deuteronômio 34.5, 6) e, como que lavrando o seu epitáfio, deixou escrito: “Nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés” (Deuteronômio 34.10). João Batista também era assim, pois ele disse sobre o Senhor Jesus: “Convém que Ele cresça e que eu diminua” (João 3.30).

Soli Dei Gloriae.

Por, José Orisvaldo Nunes de Lima.

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