Deus é contra ou a favor da escravidão?

Se Deus é contra a escravidão, por que Ele permitia que os israelitas tivessem escravos?

Deus é contra ou a favor da escravidãoDeus nunca apoiou a escravidão, pelo contrário, conforme lemos em Êxodo 13.14b (“O Senhor nos tirou com mão forte do Egito, da casa da escravidão”), mas já que ela fazia parte do contexto social em que vivia Israel, era preciso regulamentar essa triste condição social.

Os hebreus haviam sido libertados, pela mão poderosa de Deus, da escravidão egípcia. Era uma nação que estava em formação e vivia entre nações que praticavam a escravidão.

Nem sempre os prisioneiros de guerra eram suficientes. Recorria-se, muitas vezes, à compra de escravos nas nações vizinhas. Os hebreus praticavam a compra de escravos lembrando que, na aliança de Abraão com Deus, o patriarca se comprometera a circuncidar todo varão de todo escravo, mesmo o estrangeiro, inclusive o “comprado por dinheiro” (Gênesis 17.12-13).

A lei que dava direitos ao escravo e limitava o poder do seu senhor foi a primeira lei que Deus deu aos israelitas quando eles saíram do Egito (Êxodo 21.1-11). Na lei mosaica, sequestrar alguém para ser vendido como escravo era um crime punido com pena capital (Êxodo 21.16).

No livro de Levítico, permite-se expressamente a compra de servos e servas das nações circunvizinhas e mesmo dos estrangeiros residentes em solo israelita.

Os escravos adquiridos passavam a integrar definitivamente a propriedade que é transmitida como herança aos filhos. A maioria dos escravos não israelitas provinha, nos primeiros tempos, dos nascidos de escravos na Casa do Senhor.

Entretanto, em diversas ocasiões, Deus dizia aos seus filhos que eles deveriam lembrar-se que foram escravos no Egito. Essa procedimento pedagógico seria normativo, mantendo um tratamento humano para com os escravos. Hum escravo hebreu deveria trabalhar apenas seis anos para pagar sua dívida, sendo libertado no sétimo ano, sem pagar nada (Êxodo 21.2). Além disso, ele deveria receber de seu proprietário alguns animais e alimentos para recomeçar a vida (Deuteronômio 15.13-15). O profeta Jeremias condenou a prática desleal da escravidão por terem desobedecido a ordem do Senhor (Jeremias 34. 8-22). Durante seu período de serviço, o(a) escravo(a) teria um dia de folga semanal, o sábado (Êxodo 20.10; Deuteronômio 5.13, 14). Os escravos também teriam direito a outros tipos de descanso, tais como, no sétimo mês e no sétimo ano, além de terem a Páscoa, Pentecostes, Dia da Expiação e a Festa dos Tabernáculos (uma semana), tendo em vista que várias dessas festas solenes eram chamadas de “sábados”, ou seja, “feriados santos”, semanais, mensais, e anuais (Levítico 23.7, 8, 21, 35, 39). Os descansos oficiais e impostos (Deuteronômio 16.12) não eram apenas descansos religiosos em que os escravos participavam. Os escravos deveriam participar da mesa festiva que seus senhores usufruíam (Deuteronômio 16.11, 14).

Concluímos que Deus condena a escravidão, embora a tenha tolerado no passado e com restrições, devido a maldade humana. Em João 8.36, está escrito: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres,”, demonstrando que, em Cristo somos livres espiritualmente e fisicamente.

Por, Wagner Tadeu dos Santos Gaby (CPAD).

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