Desafios em tempos pós-modernos

Desafios em tempos pós-modernosO tempo em que vivemos é, indubitavelmente, um período distinto da história, denominado pós-modernidade marcado por desafios perturbadores, afinal não era de se esperar outra realidade, trata-se da última hora da Igreja na terra, período profético de esfriamento espiritual, crescimento da apostasia (1 Timóteo 4.1), multiplicação da iniquidade (Mateus 24.7) e ventos de doutrinas e inversão de valores (Efésios 4.14), sobretudo, porque, em consequência, criou-se uma geração que vive num mundo relativista que, por efeito, forma pessoas sem convicções; mundo pluralista, que resulta em crise de referenciais; mundo superficialista, que forma cidadãos sem compromisso; mundo imediatista, que forma seres humanos sem reflexão; mundo individualista, que cria pessoas egoístas; mundo cientificista, que forma pessoas racionalistas ao extremo; mundo materialista, que faz pessoas sem identidade; mundo pragmatista, que forma homens e mulheres sem moral; mundo hedonista, que resulta em pessoas sem sensibilidade; mundo alienado, que forma pessoas solitárias. Consequentemente, a pós-modernidade gera desafios múltiplos ao verdadeiro cristianismo.

O que salta aos olhos imediatamente é o desafio da fé. Já que a pós-modernidade tem causado estado de descrença absoluta ou exacerbado sincretismo religioso, com consequente banalização da fé. A doutrina bíblica e genuína da fé, fundamento basilar da prática do cristianismo precisar voltar a ser vivenciada, ensinada e proclamada, pois, sem fé é impossível viver o evangelho (2 Coríntios 5.7; Romanos 14.23; Hebreus 10.38 e Tiago 2.17).

A pergunta que não se cala é: Onde está a externalização da fé? Os cristãos geralmente teorizam excessivamente, todavia, poucos agem (Tiago 2.14-26). Portanto, chega de palavras mortas e amorfas, é tempo de ação. Fé é agir, externar o que se crê na mente, coração e espírito, através de atitudes, conduta de vida e prática cristã.

Outro desafio igualmente gigantesco é o desafio do amor (Romanos 5.5), uma vez que, a era pós-moderna resultou numa geração egoísta, extremamente individualista, sem compaixão e sensibilidades. O Evangelho de S. Lucas narra a parábola do Bom Samaritano (Lucas 10.25-37), a qual retrata o tempo atual.

O sacerdote e o levita representam a geração hodierna marcada pela inexistência de compaixão e sensibilidade, onde impera o individualismo. Tal qual o “sacerdote” e o “levita”, no período pós-moderno as pessoas até conhecem a palavra de Deus e seus princípios – a misericórdia (Mateus 9.13), o perdão (Efésios 4.32), o Deus das segundas oportunidades (Jonas 3.1) – mas como estão mais preocupadas com os seus interesses, não observam a dor do outro, são dias de plenitude do egocentrismo – “uma geração amante de si mesmo” (2 Timóteo 3.2).

As pessoas identificam o problema, mas não promovem a solução, na essência, não se quer pagar o preço da resolução. O preço do tempo, do envolvimento com o drama do próximo, de dinheiro e de sentimentos.

A pós-modernidade está acostumada com a tragédia, o “caos”, “o mal” e “as catástrofes”. Em verdade, nada mais os toca, nada que é do outro importa.

O desafio da compaixão e da sensibilidade espiritual, em todas as esferas de manifestação do cristianismo, é nota digna de aceitabilidade e recomendação.

No uso da aplicação figurada, o cristão pós-moderno precisa representar a figura do samaritano da Parábola de Jesus já citada.

O samaritano representa o amor, a compaixão, a sensibilidade necessária ao verdadeiro cristão.

A virtude do amor é imparcial, sem a prática de distinção de pessoas, já que o samaritano não perguntou quem era o moço que teve a triste idéia de sair de Jerusalém, terra da promessa e da benção e se dirigir ao lugar de maldição, Jericó, não questiona o motivo da situação trágica porque enfrentou. Lamentavelmente, a pós-modernidade influencia o nosso tempo, já que as ações humanas, em grande parte, são dirigidas pelo interesse e pela reciprocidade. A idéia é fazer qualquer coisa, desde que seja retribuído. Não há mais o sentimento de altruísmo. Há negócios, objetivos e metas pessoais a serem alcançadas.

O amor não se contenta com as palavras (1 Coríntios 13). O samaritano age… simplesmente agiu.

O desafio do amor e da compaixão é reavivar o uso dos elementos espirituais do azeite (Jeremias 8.22) e do vinho e nunca utilizar a “pedra dos fariseus” (João 8.7).

Ainda, os tempos de pós-modernidade criaram o avassalador desafio da esperança. Observe que a filosofia, a crueldade da competição enlouquecedora, o mundo selvagem, aguerrido pela insensibilidade, falta de companheirismo e altamente individualista, fruto da pós-modernidade, criou uma geração sem sonhos.

Há muitas pessoas que não acreditam que vão dar certo na vida.

O sistema da vida hodierna, às vezes, limita a visão dos sonhos e um espírito de desânimo e medo permeia a mente e o coração de muita gente.

A pós-modernidade desafia o cristianismo, na medida em que, o espírito da mediocridade assola a forma, o modo, o objetivo e o motivo de vida, situação que gera a morte da esperança.

O desafio da esperança é vivo e gritante, porque a esperança é o combustível dos sonhos.

A esperança é ilógica e não desiste diante do primeiro fracasso em busca da meta de Deus para a sua história (Salmo 42.11 e Romanos 4.18).

Portanto, a esperança precisa fecundar-se com veemência em nosso espírito para que haja sentido e felicidade na vida cristã.

No coração dos tempos pós-modernos ancora o desafio da santificação (Hebreus 12.14). Vivemos a geração da iniquidade – a geração da Babilônia. É inegável a similitude dos tempos babilônicos com a era pós-moderna, seja na política, economia, religião e cultura. Tal qual o período babilônico, conforme retratado nos textos bíblicos, igualmente a pós-modernidade, tem proclamado seus deuses e heróis, por consequência, gera a prática da idolatria. Sistematicamente, objetivam conquistas pessoais em detrimento da felicidade alheia e do bem-estar do Reino. Igualmente constroem impérios humanos para vangloriar-se de seus feitos. Igualmente confrontam os princípios da santidade de Deus. Igualmente manifestam-se contrariamente a quem quer obedecer a Palavra de Deus. Todavia, assim como nos tempos de vida do profeta Daniel o desafio da santificação ao Senhor precisa retornar a voga e ao centro da preocupação do cristianismo.

O desafio da santidade é confrontador e constitui-se num divisor de águas na prática do cristianismo presente.

A fé, o amor, a esperança e a santificação são desafios que o cristão na era da pós- -modernidade precisa enfrentar e triunfar dia após dia, mediante o conhecimento da Palavra de Deus e do Poder do Espírito Santo (Mateus 22.29 e 2Pe 3.18), certo de que já somos mais que vencedores por Cristo (Romanos 8.37). Enfim, não há segredos mirabolantes, nem caminhos paliativos, não há regras inovadoras, o caminho da vitória é o mesmo da igreja primitiva: Palavra de Deus e Poder do Espírito Santo. Doutrina e Pentecostes. Mensagem Cristocêntrica e Sinais (Atos 2.42).

Por, Natanael Silva.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Google Translate »