Debaixo da tselem capacitadora

Debaixo da tselem capacitadoraLucas, o evangelista, relata o episódio da anunciação, inclusive o momento em que o anjo responde à pergunta da jovem hebreia a respeito de como, ou seja, por meio de qual processo se daria o cumprimento da mensagem de que seria a mãe do Salvador, uma vez que não conhecia varão. O emissário celestial a tranquiliza. A maneira já havia sido escolhida: o poder do Altíssimo a cobriria com a Sua sombra. Sombra ou “tselem” em hebraico, também significa semelhança, algo que se projeta ao lado. Adão foi feito à semelhança de Deus e, portanto, à sua sombra. Quando pecou, distanciou-se dessa semelhança, carecendo a humanidade de uma restauração dos caminhos e efeitos dessa projeção. A promessa envolve o conceito de que a semelhança seria restaurada através dAquele que viria. Através dEle seria revivida na descendência de Adão, em todo o que crer no Restaurador, a “tselem” bendita.

O nome evocado no encontro entre a virgem e o anjo é El Elyon, o Deus Altíssimo (“hýpsistos”, em grego), o mais elevado, Ha Gavoah, e isso se deve a uma razão em especial. A expressão significa uma autoridade mais acima, um tribunal superior, alguém que credencia e confere capacitação. A dúvida de Maria era legítima, afinal, não estava capacitada a gestar uma criança. A resposta é dada nos termos de uma permissão divinamente autorizada, concedida, portanto, pela mais elevada corte, sem reconhecimento de quaisquer recursos de contestação. Ser divinamente capacitado torna o homem apto a realizar, na terra, o propósito para o qual foi chamado, por maiores que sejam os obstáculos ou mais fortes que sejam os inimigos. Em nome do Deus Altíssimo, Melquisedeque abençoou Abraão e, portanto, não existe instância a que se possa recorrer para pleitear a anulação da bênção concedida.

Maravilhosamente, a bênção não foi apenas concedida, mas espalhada para todas as nações, guardando-se a cláusula condicional estabelecida por Deus: abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem e em ti serão benditas todas as nações da terra. Com a convicção de que a prescrição não foi alterada, podemos ver a aproximação de alguns países com Israel como passos que deverão prenunciar tempos de esperado desenvolvimento. Benjamin Netanyahu tornou-se o primeiro chefe de governo israelense a realizar uma visita diplomática à América Latina. Compuseram sua comitiva, dentre outros, mais de 30 empresários. Foram diversos os contatos com a chamada diáspora judaica durante as três visitas, a saber, à Argentina, onde vivem 181 mil judeus e mais de 350 mil têm vínculos com o judaísmo; ao México, onde há 150 empresas israelenses estabelecidas; e à Colômbia, onde vivem 2,4 mil judeus; o país tem recebido grande cooperação antiterror e para lá Israel exportou cerca de 550 milhões de dólares em produtos de defesa. Acerca da relação entre os dois países, o diretor geral adjunto para a América Latina, o diplomata israelense Modi Efran afirmou: “A Colômbia é um aliado estratégico a muitos anos”. Netanyahu declarou: “Estamos estreitando os laços com a América Latina. Trata-se de um grande mercado, e um importante bloco de países”. Em reunião recente em Jerusalém ratificou a importância dos contatos: “Esta visita é a continuação do fortalecimento da posição internacional de Israel”. Infelizmente, o Brasil, parceiro comercial de Israel de longa data, não foi incluído no roteiro. Embora a explicação oficial atribua o fato às incertezas quanto à permanência de Michel Temer na presidência (conforme afirmou o embaixador israelense Yossi Shelley em entrevista à Folha de São Paulo), não se pode ignorar as tensões diplomáticas entre os dois países como geradoras de um clima não favorável às negociações.

O site do Consulado Geral de Israel em São Paulo ressaltou o encontro de Netanyahu em data posterior, 19 de setembro, em Nova York, com o presidente do Brasil: “Os dois líderes discutiram o avanço e o fortalecimento da cooperação econômica e tecnológica entre os dois países, bem como, entre outras coisas, a promoção da cooperação em agricultura, tecnologia automotiva e sistemas de gerenciamento de águas. O presidente brasileiro convidou o primeiro ministro Netanyahu a visitar o Brasil”.

O convite, ao mesmo tempo em que nos alegra, precisa ser contemplado à sombra de outro, realizado na mesma terça-feira. Após discursar na abertura da 72ª. Assembleia Geral das Nações Unidas, Temer encontrou-se com Mahmaud Abbas, autoridade palestina que, igualmente, foi convidado a visitar o Brasil. Também foi realizado outro encontro bilateral, com o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi. A variedade dos contatos não deixa claro o posicionamento estratégico a ser seguido pelo presidente brasileiro, se é que conviria definir linhas de abordagem com o Oriente Médio num momento em que persistem, na mídia internacional, questionamentos relativos à legitimidade de seu governo. Ainda assim, a maneira como Israel evitou a presença de seu premier em terras brasileiras é sintomática de que não estamos sabendo conservar as boas relações que por tanto tempo construímos com a pátria ancestral judaica.

Uma vez que este espaço não se destina à análises de relações internacionais ou de práticas da política externa brasileira, mas à abordagem dos assuntos da atualidade envolvendo Israel, à luz da Palavra de Deus, nosso foco retorna ao Texto e à necessidade de corrigirmos os passos dados nos últimos anos, em nosso relacionamento com os judeus e com Israel, com arrependimento e mudanças claras, visando remover o peso das consequências que já enfrentamos pelo posicionamento equivocado de alguns governantes.

Lidar com questões relativas ao Oriente Médio é coisa que requer cuidado, conhecimento e extremada disposição para a paz e pelo direito. Certamente, o Brasil dispõe de um corpo diplomático à altura para assessorar seus líderes nas mais delicadas ocorrências. Esperamos, por exemplo, que não tardem a acontecer visitas de líderes da região, em especial uma agora esperada e estimada visita de um representante de Israel. Que Deus socorra nossos líderes, em especial as autoridades constituídas também pelos votos daqueles que creem que o Senhor não abandonará a descendência de Abraão e não deixará cair por terra Sua Palavra. Não é coisa simples, mas é possível, uma vez que revestidos e envolvidos pela sombra de uma altíssima capacitação.

Por, Sara Alice Cavalcanti.

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