Da vingança ao perdão pelo Evangelho

Antes bandidos, pai perdoa homem que matou seu filho após ambos se converterem

Da vingança ao perdão pelo EvangelhoO perdão ainda continua sendo um verdadeiro desafio neste mundo contaminado pelo pecado, e foi justamente esse desafio que o pastor Pedro Gusmão, líder da Assembleia de Deus Ministério Quem Se Importa, na cidade da Serra, no bairro Barcelona, teve pela frente. O líder concebeu o projeto de assistência religiosa Ministério Quem se Importa voltado para evangelizar presídios, hospitais e cracolândias das cidades satélites junto a capital. Por este motivo, em 2011, esses evangelizadores alcançaram um jovem de 19 anos. Leonardo Moraes de Souza já era um conhecido da Polícia: traficante e homicida, ele havia sido capturado pelos policiais em uma operação; afastado das ruas, deveria responder por seus atos. “A minha mãe era doméstica e meu pai, pedreiro, a situação de ambos levou-me a cogitar cometer roubos para ‘melhorar de vida’. Ao longo de minha carreira no crime, empreendia minhas fugas e voltava para a comunidade”, lembra o jovem.

Mas também havia outro homem cuja história entrelaça-se com a do então desconhecido Leonardo: o ladrão de bancos e carro forte, Hélio dos Santos Calixto, com ficha corrida desde 1994. “Aminha decisão foi movida pelo desejo de oferecer melhores condições para a minha família. Comecei com assaltos, mas depois, passei a traficar também. A minha área de atuação era a comunidade Planalto, na cidade de Linhares. Tornei-me dono da boca de fumo na região”.

Os dois homens que não se conheciam viam o negócio de suas vidas “prosperar” até que os bandidos comandados por Leonardo detectaram um intruso que negociava drogas em sua área, sob ordens de um chefe rival, o nome do “concorrente” era Patrick Calixto, 15 anos que não somente consumia drogas como as revendia. O jovem acabou assassinado por Leonardo. O cruel destino de Patrick levaria o seu pai, Hélio Calixto procurar vingança e perseguir, implacavelmente, o responsável por sua morte.

Enquanto a equipe do pastor Pedro Gusmão esforçava-se em levar a Palavra de Deus aos internos nos presídios da Grande Vitória, dois homens corriam contra o tempo a fim de garantira sobrevivência. “Eu havia jurado matar o Leonardo, onde quer que ele estivesse, por este motivo eu o procurava nas comunidades, mas como eu não o conhecia, convocava alguém que o conhecesse para eu efetuar a minha vingança. Mas para a glória do Senhor jamais consegui matá-lo”, lembra o pastor Hélio Calixto.

Corria o ano de 2011 e Leonardo fora abordado por uma cristã que o avisou sobre a sua detenção. O vaticínio amedrontou o jovem traficante que logo buscou refúgio na cidade de Viana (ES), mas acabou preso durante a madrugada pelo Grupo Operacional Tático (GOT) que o conduziu à delegacia. Mesmo preso, Leonardo já manifestava o desejo de abandonar o crime e voltar-se para Deus. “Eu fui encaminhado ao delegado José Lopes e disse para ele: ‘a partir de hoje, aminha vida vai mudar’, isto aconteceu na Delegacia de Crimes Contra Vida (DHPP), em Vitória”. Mas antes de ir para a triagem e ser deslocado para outro setor, o jovem foi evangelizado pela equipe do pastor Pedro Gusmão, mas, simultaneamente, o mal também o espreitava. “Eu havia sido capturado e estava na mesma delegacia com o Leonardo, mas como eu não o conhecia, fiquei calado, mas um dos policiais perguntou para mim se eu sabia quem era o homem que havia assassinado meu filho Patrick, fiquei interessado em conhecê-lo, o policial abriu a porta e disse para mim: ‘ali está o assassino de seu filho’”. O sangue de Hélio ferveu de ódio, chegara a oportunidade de vingar a morte de seu herdeiro.

Leonardo já estava sob custódia da Polícia e estava para ser encaminhado para o local onde ficaria preso, mas Hélio pediu ao policial que o conduzisse até o jovem traficante, mas resultou inútil: o rapaz foi para o Centro de Detenção Provisória Vila Velha 1 (CDPVV 1) e depois remanejado para quatro presídios diferentes. Enquanto isso, Hélio foi encaminhado para o Centro de Detenção Provisória Vila Velha 5 (CDPVV 5) e lá dentro, o assaltante resolveu contabilizar a sua fatura: já havia perdido dois filhos, três irmãos e dois amigos, todos mortos pelo tráfico. Por sua vez, Leonardo aceitou Jesus como Salvador pessoal em julho de 2011, foi discipulado e, em dezembro, desceu as águas batismais, com abandono definitivo de qualquer conexão com seu passado.

Enquanto isso, Hélio procurava ser transferido para a cadeia e pavilhão onde estava Leonardo a fim de cumprir a sua terrível promessa, mas não conseguiu. “Eu queria vingança, mas ao mesmo tempo, fui abandonado por minha família, todos ficaram com medo de aproximar-se de mim, depois da morte de familiares e pessoas próximas. Onde eu estava encarcerado, eu costumava ser abordado pelos crentes, inclusive um deles disse-me: ‘Eu vejo você de terno, pregando a Palavra de Deus’. Eu odiava os crentes e dizia que Deus não existia”. Mas após tanto sofrimento, o assaltante colocou-se de joelhos na cela e gritou: “Deus o que queres de mim? Eis-me aqui!. Depois procurei os crentes para orar em meu favor. A minha conversão aconteceu em dezembro de 2011”.

A equipe de evangelização ainda continua o seu árduo trabalho de conduzir almas aos pés de Cristo, incluindo a regeneração do ser humano, na geração de uma nova criatura, capaz de dispensar o perdão e neutralizar o ódio que destrói o homem. O pastor Pedro Gusmão soube do ocorrido, de que dois homens que foram evangelizados e discipulados pelos fiéis ligados à sua igreja, compartilhavam histórias semelhantes com conexões inquebráveis, por este motivo, urgia a necessidade de se conhecerem e perdoarem-se.

“Foi uma cena linda: o Hélio havia se tornado pastor e o Leonardo era o preletor em nosso templo-sede. A graça de Deus prevaleceu e, com a igreja lotada, os dois abraçaram-se e o perdão aconteceu entre ambos”.

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