Cristãos socorrem e abrigam os imigrantes sírios que fogem da guerra

Centenas de imigrantes recebidos em igrejas entregam-se a Cristo; e cristão iraquiano nos Estados Unidos ajuda a socorrer vítimas do Estado Islâmico

Cristãos socorrem e abrigam os imigrantes sírios que fogem da guerraAtualmente, testemunhamos a maior crise de imigração para a Europa da História, desde a Segunda Guerra Mundial. Segundo a Organização Internacional de Migração (OIM), somente nos três primeiros meses de 2015, estima-se que cerca de duas mil pessoas tenham morrido na travessia do Mar Mediterrâneo. Número bem superior às mortes ocorridas pelo mesmo motivo em todo o ano passado. Entre esses, certamente há centenas de irmãos em Cristo, como os 12 refugiados cristãos, de origem africana, que por causa de sua fé foram jogados no mar por outros companheiros de barco de confissão muçulmana. Centenas de crianças morrem na travessia, algumas escondidas dentro de malas, outras entregues a traficantes de seres humanos, abandonadas pelos próprios pais, que desesperados preferem expô-las a tantos riscos em vez de deixarem que permaneçam na degradante guerra em seus países.

Mas em meio a este cenário de caos, já considerado uma tragédia humanitária, onde centenas de milhares de sírios e iraquianos fogem desesperadamente do terror do Estado Islâmico no Oriente Médio, mais uma vez se vê o exemplo de inúmeros cristãos. Estes, manifestando na prática o amor de Cristo, vêm socorrendo e abrigando imigrantes em seus respectivos países, lares e igrejas. E os frutos estão começando a surgir. Já há relatos de conversões a Cristo até mesmo de imigrantes que eram originalmente seguidores do islamismo.

Em Berlim, Alemanha, o pastor Gottfried Martens descreve o número de conversões de imigrantes islâmicos a Cristo como um “verdadeiro milagre”. Segundo matéria do jornal norte-americano “ The Christian Post”, ele diz que cerca de 80 pessoas já estão à espera de serem batizadas. “Você vai romper com Satanás e seus maus atos?”, questiona o pastor Martens a Mohammed Ali Zonoobi, um refugiado iraniano. “Você vai romper com o Islã?”, pergunta também ele. “Sim”, responde Zonoobi fervorosamente. Em seguida, o pastor o batiza “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, e Mohammed agora passa a se chamar Martin, e já não é mais muçulmano, mas um cristão que dá testemunho público de sua fé em Jesus.

Zonoobi, um carpinteiro que fugiu de seu país com a esposa e dois filhos, é um entre as centenas de refugiados que se converteram ao cristianismo na Trinity Church, uma igreja evangélica de Berlim, na Alemanha, e agora passam a residir no asilo da igreja. Assim como Zonoobi, a maioria dos refugiados conta que encontrou braços abertos no cristianismo. Por outro lado, há quem questione a situação, dizendo que a decisão de “entregar a vida para Jesus” também pode ser tomada porque aumenta muito as chances dessas pessoas ganharem vagas no asilo. O pastor Martens, aliás, reconhece que algumas pessoas podem se converter para aumentar as chances de permanecer na Alemanha, mas, para ele, há muitos casos de conversão genuína. “Muitos”, segundo Martens, “são tão tomados pela mensagem cristã que mudam suas vidas”. O líder estima que apenas 10% dos convertidos não voltam para a igreja depois do batismo.

Em países como o Afeganistão e o Irã, a conversão de um muçulmano ao cristianismo pode ser punida com a morte ou prisão. Portanto, é improvável que a Alemanha envie refugiados iranianos e afegãos convertidos de volta para casa. Muitos dos que foram batizados na igreja de Martens não deram seus nomes por medo.

Igrejas alemãs se tornam abrigos

Enquanto as igrejas da Alemanha lutam com a redução do número de crentes, Martens viu sua congregação ir de 150 membros para mais de 600 em apenas dois anos. Alguns vêm de cidades distantes depois de descobrir, pelo boca-a-boca, que Martens não só batiza os muçulmanos, mas, depois de três meses de discipulado, os ajuda com pedidos de asilo.

Outras comunidades cristãs, entre elas as igrejas luteranas de Hannover e da Renânia, também relataram um número crescente de iranianos se convertendo ao cristianismo. Não há números exatos sobre quantos são os muçulmanos convertidos na Alemanha nos últimos anos, mas eles ainda são minoria em relação ao total de 4 milhões de muçulmanos do país. Pelo menos em Berlim, Martens descreve o número de conversões como “um verdadeiro milagre”.

Zonoobi, um dos convertidos pelo ministério do pastor Martens, disse em entrevista que ele antes assistia cultos religiosos secretos no Irã desde que alguns amigos o apresentaram a Bíblia quando ainda estava naquele país. Aos 18 anos, ele decidiu fugir para a Alemanha, depois que vários amigos cristãos foram presos por praticarem sua religião. Para ele e sua esposa Afsaneh, que desde seu batismo atende pelo nome de Katarina, o batismo marca um novo começo. “Agora somos livres e podemos ser nós mesmos. O mais importante é que os nossos filhos terão um bom futuro aqui e poderão obter uma boa educação na Alemanha”, disse ela em entrevista ao jornal britânico “Daily Mail”

Ajudando cristãos a escaparem do Iraque

Um cristão norte-americano de origem iraquiana desenvolveu uma “ferrovia subterrânea” para ajudar os cristãos a escaparem do terrorismo no Iraque. A ajuda aos cristãos e a outras minorias religiosas da região é feita pela Minority Humanitarian Foundation (Fundação da Minoria Humanitária, em tradução livre), criada por Mark Arabo. A impaciência de Arabo em relação ao fracasso do governo dos Estados Unidos em intervir nessa situação foi o que o motivou a começar essa empreitada.

El Cajon, subúrbio de San Diego, na Califórnia, é lar de cerca de 60 mil iraquianos, o segundo maior em números depois de Detroit. Muitos deles fugiram de lá e cerca de 27 mil estão na cidade sob custódia dos serviços de imigração dos Estados Unidos. Quinze mil estão sendo requisitados para serem deportados e cinco mil enfrentam acusações de terem entrado nos EUA sob falsos pretextos.

Arabo, de 32 anos, conta que as pessoas deixadas para trás no Iraque estão enfrentando um “genocídio cristão”, e criticou o presidente dos Estados Unidos: “Obama está falhando completamente nesta questão. E nosso Congresso está fazendo vista grossa”.

Fadi Hirmiz, um cristão iraquiano de 38 anos, disse que conseguiu escapar do Estado Islâmico (EI) com a ajuda de Arabo, depois que se mudou de sua casa no norte do Iraque no verão passado. “O EI foi chegando mais e mais perto de nossa aldeia. Eu estava com medo pela minha família, pelos nossos filhos”, conta.

Enquanto Arabo poupou detalhes de como funciona a operação, Hirmiz explicou como o sistema de fuga funciona. Na aldeia onde vivia, a família embarcou em um caminhão e foi para a Turquia, onde recebeu passagens para voar da Europa para o México. Eles entraram nos EUA através da fronteira, em San Ysidro, mas não com a ajuda de contrabandistas. Ainda que os custos tenham sido altos, já que as passagens para uma família de quatro pessoas giram em torno de 25 mil dólares, a fundação cuidou de todo o processo.

Bilionário cristão quer comprar ilha a refugiados

O bilionário Naguib Sawiris, membro da Igreja Ortodoxa, considerado o terceiro homem mais rico do Egito, anunciou que planeja comprar uma ilha nos mares da Itália ou da Grécia para abrigar os milhares de refugiados que fogem do conflito na Síria. “Grécia ou Itália, me vendam uma ilha. Declararei sua independência, abrigarei lá imigrantes e proporcionarei trabalho na construção do novo país”, disse ele no Twitter, no dia 1 de setembro. Desde então, sua declaração se espalhou nas redes sociais.

Após sua postagem na internet, Naguib disse à agência France Press (AFP) que sua ideia é viável e sua proposta deve ser encarada com seriedade. “Há dezenas de ilhas desertas que podem acomodar milhares de refugiados”, enfatizou Sawiris.

Uma ilha grega ou italiana pode custar a Sawiris de 10 a 100 milhões de dólares. Mesmo assim, o bilionário acredita que pode construir um novo país a partir do zero, investindo fortemente em infra-estrutura. Para dar início a seu plano, Sawiris afirmou que irá construir abrigos temporários para abrigar os refugiados e, em seguida, criar emprego para que as pessoas construam casas, escolas, universidades e hospitais.

“E se as coisas melhorarem, se eles desejarem voltar a seus países de origem, podem voltar”, esclareceu Sawiris prometendo que, em seu plano de obras, os refugiados de seu novo país seriam tratados “como seres humanos”. No Egito, Sawiris é presidente da operadora de telecomunicações OrascomTMT e de um canal de televisão egípcio. Além disso, sua família é proprietária do famoso balneário El Gouna, no litoral do Mar Vermelho egípcio.

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