Cristãos são massacrados no Egito

Violência dos radicais islâmicos leva 100 mil cristãos a fugirem do país

Cristãos são massacrados no EgitoA tão propalada “primavera Árabe” se transformou, como o jornal Mensageiro da Paz já havia prenunciado desde o começo do movimento em um tremendo “Inverno Árabe”. De acordo com as agências internacionais, mais de 50 igrejas cristãs foram atacadas dos dias 14 a 16 de agosto de 2013, durante os confrontos entre partidários da Irmandade Muçulmana – apoiadores do presidente deposto Mohamed Mursi – e as forças policiais do governo interino do Egito. A situação das minorias religiosas egípcias, sobretudo os cristãos, está se deteriorando desde o início dos levantes da “primavera Árabe” no país – em curso desde 2011 –, como o MP já alertava desde o ano retrasado e as organizações humanitárias enfatizaram agora, no mês de agosto de 2013.

O acadêmico Markus Tozman afirmou, em texto publicado no início dos confrontos, que pelo menos 100 mil cristãos já deixaram o país em razão da violência anticristã no Egito por parte dos radicais islâmicos desde os primeiros dias da “Primavera Árabe”. Tozman é um dos autores de um amplo estudo sobre a situação das minorias cristãs no Oriente Médio, lançado no segundo semestre de 2012, e tem acompanhado de perto a situação do grupo religioso na região. Ele publicou um alerta no começo de agosto denunciando a perseguição sofrida pelos cristãos no Egito, Iraque, Turquia, Síria e Líbano. No texto, ele estima que 100 mil cristãos abandonaram o território egípcio desde o início dos protestos em 2011.

Além disso, a Comissão norte-americana de liberdade religiosa, em seu relatório anual, denunciou que pelo menos 100 cristãos foram assassinados em atos de perseguição religiosa só em 2011, durante o início da “Primavera Árabe”. Detalhe: essa é a mesma quantidade do total de assassinatos de cristãos por perseguição religiosa no Egito de 2001 a 2010. Lembrando ainda que em 2012 e 2013, estima-se que mais de 100 cristãos já foram mortos também.

Markus Tozman alerta que “é urgente um esforço internacional não só para impedir tais atrocidades, mas também para viabilizar um levantamento preciso sobre a situação da minoria religiosa no Egito”. Conforme indicou, “somente desta forma será possível identificar a emergência na região”.

Testemunhos de terror

A BBC divulgou em 14 de agosto de 2013 um relatório da Anistia Internacional que confirma que pelo menos sete cristãos foram mortos enquanto sua igreja era incendiada, e a bandeira preta, usada por militantes jihadistas, foi levantada sobre os escombros.

Antes, no dia 8 de agosto, a agência de notícias Associated Press divulgou o testemunho de vários cristãos, dentre eles um lojista de Assiut, que disse: “Islâmicos fazem o gesto ameaçador de passar o dedo indicador em suas próprias gargantas sugerindo que irão nos matar ou gritar o nome do ex-presidente Mursi em nossos rostos”.

Segundo a agência de notícias estatal Mena, três igrejas coptas foram atacadas no interior do Egito no dia 15 de agosto por islamitas. Os manifestantes jogaram coquetéis molotov contra duas congregações na Província de Minya e um templo na cidade de Sohag, ambas ao sul de Cairo. A mesma informação foi divulgada pelo jornal britânico The Wall Street. A região é uma das que têm a maior comunidade cristã do país, que é majoritariamente islâmico.

Segundo a agência Portas Abertas, “dezenas de igrejas, edifícios cristãos, escolas cristãs, livrarias bíblicas, lojas e casas de cristãos foram alvos de saques, ataques e destruição” nas cidades de Minya, Assiut e Sohag e em várias outras cidades. A nota de Portas Abertas declara ainda que uma semana antes desses ataques, “um caso específico abalou a comunidade cristã no Egito: uma menina de 10 anos de idade, Jessica Boulos, foi assassinada a caminho de casa, na volta de de sua classe de estudos da Bíblia, sediada em uma das igrejas evangélicas do Cairo”.

Portas Abertas divulgou ainda um depoimento exclusivo de um cristão egípcio no dia 15 de agosto de 2013: “Ontem a noite [14/08], em um anúncio feito pelo presidente interino Adly Mansour, foi declarado estado de emergência no país por, pelo menos, um mês. Quatorze províncias – incluindo Cairo, a capital – já estão sob toque de recolher das 19h às 6h do dia seguinte, devido aos inúmeros ataques de radicais a edifícios de serviços públicos e propriedades privadas. Vemos e ouvimos manifestantes em canais da TV ameaçando queimar o Egito por completo, para formar o que é chamado de ‘exército livre do Egito’. O objetivo deles é lutar contra o exército oficial, para acelerar a luta com os jihadistas no Sinai. Afirmam que os egípcios não poderão dormir até o ex-presidente Mohamed Mursi voltar ao poder. Esses são os dias mais difíceis que já presenciei no meu país. O Egito pacífico está agora embebido em violência, ódio e desejo de vingança. Meu coração e os corações de milhões de cristãos e muçulmanos egípcios sangra ao ver o Egito se transformar em um país estranho, diferente do lugar que conhecemos como nosso lar”.

Temendo que Mursi instalasse uma guerra civil religiosa no país, os cristãos foram o principal grupo dos que saíram às ruas em julho para exigir seu país de volta, o que levou à deposição de Mursi. Sobre a atual situação, Diane Eltahawy, da Anistia Internacional, denuncia: “As forças de segurança são avisadas constantemente sobre ataques contra cristãos, mas nada fazem para combater a discriminação vigente que existe nas políticas e na sociedade aqui”.

O que pode acontecer

A agência Portas Abertas, organização internacional em favor das igrejas perseguidas no mundo, reforçou o temor de fuga em massa de cristãos egípcios para outros países nos próximos meses. De acordo com o relatório, desde que a Irmandade Mulçumana assumiu o poder no país, aumentou significativamente o número de atos violentos contra os cristãos. Isso acontece, conforme analisado pelo grupo, pois o novo governo de Mursi foi incapaz de impor uma lei que garantisse a segurança e a ordem para as minorias no Egito, e essa foi uma das razões de sua deposição. O problema é que a Irmandade Muçulmana é a organização com mais seguidores no Egito – estima-se que seus seguidores representem mais de 30% da população, alguns falam em 40%. Ela é também a organização com mais militantes aguerridos no país, de maneira que a deposição de Mursi acabou provocando uma guerra civil sangrenta com os militantes, que são o único grupo com condições de enfrentar a Irmandade Muçulmana – inclusive, tendo, durante décadas, conseguido restringí-la.

Em qualquer eleição no Egito, a Irmandade sempre sairá ganhando, porque os democráticos e os menos radicais se dividem e se subdividem em vários grupos pequenos, enquanto a Irmandade Muçulmana, além de ser unida, forte e grandemente organizada no Egito, tem até braços internacionais, verdadeiras representações em todo o mundo islâmico.

O grupo terrorista Hamas, por exemplo, é um braço da Irmandade Muçulmana na Palestina, como o seu próprio estatuto de fundação afirma.

Como governo de Israel já alertava ao mundo no início da “Primavera Árabe”, ruim com os militares egípcios no poder, pior sem eles. Isso porque, infelizmente, não há uma cultura de democracia no Egito. É preciso antes mudar a cultura do povo para que a democracia seja possível. Porém, isso ainda perece muito longe de acontecer, porque todas as pesquisas recentes feitas com a população egípcia sobre esse assunto mostraram que, lamentavelmente, a maioria do povo é a favor de um regime totalitário. Logo, como sustentava o governo de Israel e muitos especialistas ignorados pela grande mídia, ditadura por ditadura, a dos militares egípcios era menos perigosa para o mundo do que a dos radicais islâmicos. Que fique claro: qualquer ditadura é terrível – e a com os militares egípcios não era diferente. O problema é que com os radicais islâmicos é muito, mas muito pior. Os cristãos egípcios que o digam.

Diante da crescente popularização do país entre militares e Irmandade Muçulmana, as minorias religiosas tendem a se tornar ainda mais alvos fáceis da fúria dos ativistas mais exaltados. O maior temor dos cristãos com a atual radicalização dos conflitos é que o grupo se torne não só foco de ataques, mas principalmente, que as iniciativas políticas pautadas pelo islamismo possam levar o país a aderir à lei do alcorão, conhecido como sharia. Neste cenários, seus direitos e sua segurança estariam ainda mais ameaçados.

Por, Mensageiro da Paz.

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