Cristãos combatem o tráfico humano

Organização do Brasil atua com pastores de Assembleias de Deus de várias partes do país

Cristãos combatem o tráfico humanoTodos os dias pessoas são traficadas, principalmente mulheres, são capturadas, vendidas e presas em bordéis. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), vinte cinco anos após a adoção da Convenção dos Direitos da Criança, diariamente centenas delas ainda são forçadas a casar, abusadas sexualmente, exploradas e submetidas a trabalhos forçados. Em pleno século 21, adultos continuam a ser presos em fábricas clandestinas em situações de escravidão, separados de suas famílias, sem a menor perspectiva de liberdade.

Dado do Relatório Global 2014 sobre tráfico humano, do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), divulgados no mês de dezembro mostra que no mínimo 2 bilhões de pessoas – cerca de 30% da população mundial – vivem em países sem devida proteção legal contra o tráfico de pessoas.

O documento relata ainda que 70% de todas as vítimas são do sexo feminino e uma a cada três registradas são crianças. Entre 2011 e 2014, o número de crianças alvos do crime cresceu 5% em comparação ao período entre 2007 e 2010, quando já era grande.

Há registros de vítimas de 152 nações, que foram forçadas e comercializadas para outras 124. Segundo o estudo, o tráfico transcontinental afeta principalmente nações ricas e ocorre majoritariamente dentro das fronteiras nacionais de uma mesma região.

Realidade brasileira

Com o crescimento econômico, o Brasil passou a ser também um país de destino de pessoas traficadas. Dados do UNODC mostram que entre 2010 e 2012, 41 pessoas foram indiciadas pelo crime, 97 foram processadas e 33 condenadas.

A Policia Federal no período de 2005 a 2012, registrou 222 ocorrências de tráfego humano. Nos mesmos sete anos, outras 483 vítimas do crime para exploração sexual e de trabalhos forçados foram identificadas pela Divisão de Assistência Consular do Ministério das Relações Exteriores.

O coordenador-residente do Sistema Nações Unidas no Brasil, Jorge Chediek, afirmou ser de extrema importância e urgência que todos os setores da sociedade brasileira se mobilizem para combater o tráfico de pessoas. “Se tem uma coisa que aprendemos sobre esses delito é que é preciso um engajamento muito forte de toda a sociedade”.

Atendendo o apelo

Organizações e agências missionárias espalhadas pelo mundo vêm realizando trabalhos primorosos no combate ao tráfico humano. Como é o caso, por exemplo do ministério “VEM Brasil” – Visão de Evangelização Mundial”, que sob a liderança do pastor assembleiano Carlos José Melo combate o tráfico humano, especialmente na Índia. Em parceria com fortes igrejas indianas como a Primeira Assembleia de Deus em Bangalore, pastoreada pelo Dr. Gavin Cunningham e ministério TTN – Throw the Net, liderada pelo missionário Edilson Rensetti da Assembleia de Deus de Brasília (DF), a VEM Brasil, há 11 anos, tem resgatado e tratado inúmeras vítimas da comercialização, escravidão, prostituição e trabalhos forçados.

O pastor José Carlos Melo conta que a maioria das vítimas na Índia são meninas, vendidas por familiares, amigos e até mesmo pelos pais como uma forma de reação à pobreza, o que reflete a maneira degradante como as mulheres são tratadas no país. Muitas também são enganadas com promessas de boas oportunidades de emprego nas cidades, para deixarem suas vilas. Porém, ao chegarem ao destino, são violentadas, apanham, passam fome, são drogadas, queimadas com cigarros e ácidos, ameaçadas de morte e até assassinadas pelo excesso de maus tratos. Mantidas em quartos extremamente minúsculos, sem janelas ou ventilação, elas ficam a mercê de homens cruéis e inescrupulosos.

“Deus nos deu esse projeto com dois enfoques: fazer parcerias com agências de resgate e ajudá-las oferecendo casas-abrigo, para que meninas com idade de quatro a sete anos que já foram prostituídas encontrem uma nova vida de esperança, cura e oportunidades em Cristo. A segunda é proporcionar mais que um abrigo, mas libertação também das prisões dos seus medos, traumas, fome, malícia, desesperança, desamparo, analfabetismo, poderes demoníacos, feitiçarias, servidão… Após libertar seus corpos, lutamos para libertar também suas almas. Assim como também capacitá-las para caminharem rumo a um novo destino – na Eternidade, mas também aqui na Terra”, explica o pastor fundador e líder do projeto.

A equipe conta com psicólogos, enfermeiros, médicos, conselheiros, intercessores, pessoal de limpeza, cozinha e manutenção da casa. Alguns são voluntários e outros são assalariados. Um diferencial importante alcançado após muita perseverança do VEM Brasil é a documentação necessária para ter abrigos como esse liberado pelo governo e receber as meninas sem problemas legais. O objetivo e trabalho da organização agora é conseguir autorização para trabalhar também com mulheres adultas, que normalmente é menos burocrático.

Metodologia diferente

A VEM Brasil tem um diferencial. Ela trabalha para criar projetos missionários que visam levar bandeiras, nomes de igrejas, agências ou denominações, mas investe orações e finanças nos missionários já em campo, sejam brasileiros ou estrangeiros. Os chamados missionários autóctones (natural da região ou território em que habita) têm um imenso valor para o Reino de Deus e seus custos de manutenção são bem menores. Por exemplo, na Índia, um missionário brasileiro com sua família pode ser sustentado com U$2.000,00 (dois mil dólares), já um indiano, com U$100,00 (cem dólares). Por isso, sob esse método, abrindo mão de qualquer vaidade em propagar o próprio nome ou projeto, os recursos rendem mais e consequentemente muito mais almas são alcançadas. Ao longo de seus 11 anos, os relatórios oficiais de todos os missionários adotados pela organização apontam para a assombrosa soma de mais de 1 milhão e 500 mil vidas salvas, discipuladas e batizadas nas águas de diferentes línguas e etnias.

Atualmente a agência possui cerca de 30 líderes brasileiros apoiadores; 1.500 missionários autóctones; 350 crianças resgatadas e supervisionadas em 25 nações; 400 parceiros entre brasileiros, lusitanos e americanos; 2.200 projetos locais e um projeto de ampliação intitulado “VEMBRASIL+1.000”, que visa acrescentar mais 1.000 mantenedores para a abertura de 1.000 igrejas no norte da Índia, Butão, Paquistão, Nepal e outras regiões não evangelizadas em países onde também atuam. Outra meta em andamento é o Centro Mundial de Missões, que está em construção e terá a finalidade de apoiar os missionários em cursos, eventos, hospedagem, etc.

“Um dos maiores segredos do sucesso do modelo sem dúvida é a fidelidade e amor de mais de 400 parceiros, comprometidos acima de tudo com o Reino de Deus e não apenas com a própria visão! Para citarmos alguns exemplos, pastores como Sisaque Valadares (Assembleia de Deus Rio Claro-SP), Onofre Ferreira (Assembleia de Deus Cláudio-MG), Raul Cavalcante Assembleia de Deus Imperatriz-MA), Ezequias Soares Assembleia de Deus Jundiaí-SP), Elinaldo Renovato (Assembleia de Deus Parnamirim-RN), Eliseu Menezes (Assembleia de Deus Ilha do Governador-RJ), José Reginaldo Simão (Assembleia de Deus Vespasiano-MG) e muitos outros, que têm nos apoiado com muita fidelidade para que juntos prossigamos resgatando vidas para o Reino de Deus”, declara pastor José Carlos.

Com informações do UNRIC – Centro Regional de Informações das Nações Unidas.

Por, Mensageiro da Paz.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Google Translate »