Cristo ressurreto: evidências da verdade

Cristo ressurreto - evidências da verdadeOs cristãos primitivos tinham uma grande missão: pregar o Evangelho a toda criatura, fazendo discípulos em todas as nações. Eles precisavam apresentar a verdade a um mundo intelectualizado (vivia-se a efervescência da cultura helênica) e religioso (milhares de deuses povoavam o imaginário das pessoas). Como fazer isso? Como provar que eles estavam falando a verdade?

Em primeiro lugar, eles precisavam estar convencidos da veracidade do Evangelho e, para tanto, careciam ter uma santíssima fé (Judas 1.20), a fim de entenderem os fatos mais importantes da vida, como só acontecer. Eles, pela fé, enxergaram, com os olhos de Deus, realidades que estavam além do alcance da racionalidade humana.

Corrie Ten Boom, uma cristã que foi prisioneira em um campo de concentração nazista, durante a 2ª Guerra Mundial, afirmou que “a fé é como um radar que vê através da neblina a realidade das coisas, a uma distância que o olho humano não seria capaz de ver”. Ela, como os discípulos, capturaram a essência da fé, que não é contrária à razão, simplesmente a transcende.

Auxiliados pelo Espírito do Senhor, os discípulos receberam essa profunda convicção, esse firme fundamento, — a fé (Hebreus 11.1), e fundaram o maior movimento religioso de todos os tempos sem que, enfim, nenhum deles tivesse se tornado rico ou politicamente influente; aliás, todos eles, à exceção de João, foram martirizados. Qual a vantagem, então, para eles, morrerem por uma mentira? Nenhuma! Ninguém morreria por uma mentira! Eles só doariam as suas vidas por uma verdade, e o mundo compreendeu isso, — essa era uma evidência fabulosa da verdade da Cruz!

Por outro lado, as narrativas deles não pareciam combinadas. Como se percebe ao ler os Evangelhos, os discípulos nunca se contradisseram, mas narravam a mesma história, a partir de vários olhares, o que fortalecia (e fortalece) ainda mais, a narrativa. Ora, se quatro testemunhas, ao deporem sobre um fato, disserem as mesmas coisas, com idênticos detalhes, certamente elas estarão mentindo. Alguém as ensinou. Tratar-se-á de uma inverdade. Quando, porém, existem nos testemunhos omissões em uns, sobre certas circunstâncias, e acréscimos em outros, mas, no geral, perfaz-se um quadro hipotético cheio de coincidências fáticas, tem-se a existência de uma narrativa verossímil. É o caso dos quatro evangelistas: Mateus, Marcos, Lucas e João. Eles contaram a história da vida, morte e ressurreição de Jesus com a alma livre, sem medo. Falaram do que viram e ouviram, nada combinando um com o outro. Escreveram a verdade, com o coração cheio de Deus. O mundo antigo, por isso, acreditou neles. Essa era outra evidência extraordinária de que eles falavam a verdade!

Um item constante na pregação da igreja primitiva dizia respeito à ressurreição de Jesus, um fato fundamental, sobre o qual foram produzidas provas irrefutáveis, como diz o texto de Atos 1.3: “… [Jesus] depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias e falando do que respeita ao Reino de Deus”. Todos os Evangelhos falam sobre essas provas. Lucas, por exemplo, informou que cerca de quinhentas pessoas viram Jesus sendo ascendido ao Céu. Se isso fosse uma mentira, não teria sido escrita com a maioria dessas pessoas, que eram contemporâneas dos evangelistas, ainda vivas. Não é assim que se promove uma fábula. Os apóstolos João, Pedro, Mateus, foram testemunhas oculares das provas da ressurreição. Lucas entrevistou dezenas, talvez centenas, de outras testemunhas que vivenciaram os fatos narrados nos Evangelhos e também viram Jesus ressuscitado. Assim, os elementos de provas sobre a verdade da ressurreição de Cristo são contundentes, e muitas pessoas ficaram convencidas disso.

Por outro lado, nos Evangelhos, só aparecem histórias de traição, covardia, dúvida, fraqueza, desunião, inveja, do núcleo de amizade de Jesus, – os discípulos. Ora, se os escritores estivessem mentindo, caprichariam nas realizações altruísticas deles mesmos, mas não o fizeram. O que eles escreveram sobre si mesmos é pífio e vergonhoso, não existindo nada de heróico, meritório, que pudesse promover o marketing pessoal. Ou seja, o mundo entendeu que somente valeria a pena revelar as fraquezas, os próprios erros, como o fizeram, se fosse para glorificar ao Deus de toda a verdade. Essa é outra evidência que fez a pregação da igreja primitiva prosperar. Glória ao Senhor!

A propagação do cristianismo no primeiro século foi extraordinária. Em pouco tempo, todo o mundo conhecido de então sabia quem era Jesus Cristo. Milhares de cristãos, por se submeterem ao Senhorio de Cristo, foram jogados aos leões, serrados ao meio, decapitados, queimados vivos. Os relatos da história são chocantes. Mas não negaram sua fé. A Verdade os conquistara para sempre. Tertuliano, um erudito do século 2, escreveu que “o sangue dos mártires é a semente dos cristãos”. Os apóstolos Pedro, Paulo, João, e os demais cristãos daquela época provaram ao mundo que estavam falando a verdade.

Hoje, porém, muitos secularistas se opõem às verdades do Cristianismo. Desacreditam-nas, de forma atécnica, pois desprezam as evidências colhidas próximas aos fatos, reputando como mais importantes as especulações produzidas vinte séculos depois. Não aplicam a lógica em seus raciocínios. Perdem-se na estrada da exegese, por causa de preconceitos.

O cristianismo, porém, segue triunfantemente conquistando vidas em todos os lugares, não pelas armas da guerra, mas pela ação do Espírito Santo, que convence os homens de todas essas evidências, impregnando indelevelmente neles a verdade do Evangelho. Aos que rejeitam, por arrogância intelectual, a revelação escriturística, calcada “em muitas e infalíveis provas”, cumprir-se-á a profecia bíblica: “Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a inteligência dos inteligentes” (1 Coríntios 1.19). Entretanto, pela fé, a qual transcende à mera racionalidade, e investiga os mistérios mais profundos da existência, é possível compreender as verdades eternas de Deus; afinal “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11.6).

Por, Reynaldo Odilo Martins Soares.

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