Cristianismo: mais que uma religião

Cristianismo - mais que uma religiãoA discussão pós-moderna no âmbito da fé torna aquele estilo de defesa que era muito embasado no conhecimento das seitas e heresias insuficiente. O advento da pós-modernidade trouxe no seu bojo não apenas avanços tecnológicos e respostas a algumas inquirições que dantes pareciam sem nenhum tipo de solução. Vem até trazendo consigo muitas propostas e realizações que mudaram nossas vidas e ditaram novos conceitos de valores. O que se nota, porém, é que os perigos que ameaçam a fé não são mais, na pós-modernidade, suscitados pelas ciências: eles brotam das filosofias. No entanto, levanta-se altaneiro dentre todo esse palco armado, o cristianismo bíblico, que não se oferece simplesmente como opção de ser mais uma religião, ou uma vertente da verdade, mas se apresenta como a única opção de vida.

Não muito longe dos nossos dias, a nossa defesa da fé estava firmemente baseada na interpretação, e tínhamos como argumentos princípios hermenêuticos que eram formas de conter ou minar os ataques à fé genuína. Como exemplo disso, é só lembrar que nós falávamos muito em questões do tipo: texto sem contexto, literal versus figurado, lei e graça, coisas que iam nessa direção. O porquê disso era o fato de participarmos de uma cultura de modo eminente cristã. Cada grupo ao seu modo, equivocadamente ou não, se dizia cristão. Então, o que se observava apenas era como discutir o sincretismo e a adesão de costumes e práticas entre uma ou mais religiões cristãs; falava-se sobre qual era o verdadeiro “dia do Senhor”; quando se pensava em realidade após a morte, se combatia a reencarnação e se pregava, á luz da Bíblia, a ressurreição; as polêmicas eram sobre qual a validade das experiências em relação à revelação e sobre a equivocada aceitação de escritos complementares ao Cânon fechado das Escrituras.

A pós-modernidade, porém, vem propondo uma leitura diferente dos fatos, tentando transformar a então cultura cristã em uma cultura pós-cristã, onde os valores não são mais discutidos entre religiões cristãs ou “cristianismos”, mas sim entre “verdades”, das quais o cristianismo é apresentado como apenas mais uma delas. Este é o tão conhecido e falado relativismo. Isso começou com o nome de ecumenismo, mas hoje se fala mais em “diálogo religioso”.

O que se nota em uma rápida olhada na história é que havia um palco cuidadosamente armado com o único intuito de tirar Deus do trono. Tendo o seu nascedouro entre os teóricos, que com seus pensamentos espetaculares formam os pensadores das nossas instituições (universidades, faculdades, seminários etc), ele têm disseminado em grande escala pensamentos anti-Deus, ideias ateístas, panteístas, agnósticas, politeístas, henoteístas, dentre outras tantas. Dizem que não existe uma verdade absoluta e que podem surgir inúmeras verdades todos os dias.

Vemos como Darwin expulsa Deus da criação, trocando-O pelo mero acaso; e como Freud expele-O do interior do homem, silenciando assim a voz eterna no coração humano; Max, por sua vez, O retira do convívio social, tornando-O uma criação do próprio homem; Nietzsche, em sua filosofia, O tira definitivamente de cena, declarando Sua morte. O que dizer ainda de Espinoza, Hegel, Kant, Jung e outros. É sem dúvida uma proposta avassaladora, a rebelião total da raça criada contra o seu Criador; ou seja, é a vingança do homem pós-moderno: assim como Ele os expulsou uma vez do Éden de delícias, chegou a hora deles O expulsarem do seu convívio.

Esse sistema organizado das coisas, conhecido na linguagem bíblica como mundo, que é em última análise o lugar de governo do adversário do nosso Deus e do Seu povo, tem uma mídia prontamente treinada para agir como comunicadora dessa cosmovisão. Vemos nas mídias “especializadas” um empenho singular na expansão desses novos conceitos, que ganham rapidamente expressão, e não simplesmente reflexo, tornando-se regras e valores nas organizações educacionais, sociais, comerciais, políticas e fraternas. O resultado é sem dúvida a formação de uma cultura sem Deus.

O cristianismo bíblico, por sua vez, insiste em se basear em absolutos. Para este, Deus é um absoluto irrevogável, pressuposto para todas as coisas; Deus existe e é único, o que destitui tanto a ideia ateísta quanto a crença politeísta. E sendo único, não é apenas um Deus maior ou melhor que outros deuses, o desfaz também a opinião henoteísta. Esse Deus que existe e é único, dentro do conceito do cristianismo bíblico, é também pessoal com consciência, intelecto e que tem uma vontade própria, é um Ser moral e que se comunica. Sendo um Ente moral, tem como característica peculiar a imutabilidade. Sua vida, caráter, Seus caminhos e Sua vontade são imutáveis. Mas, o passo principal para o absoluto do cristianismo é o fato de que esse Deus se comunica; isso da origem à Sua revelação.

O cristianismo vê a revelação de Deus, na criação, na providência e especialmente nas Escrituras, tomando assim as Escrituras como o segundo pressuposto em defesa da verdade, por isso a cosmovisão cristã é também bíblica, seu pensamento é bíblico e não cultural; teológico e não humanista e/ou filosófico. Para o cristianismo, a Palavra de Deus é a expressão viva do seu pensamento: o logos; e acontece na história de maneira que ela não é apenas verbalização de conceitos ou desejos, mas ela é seminal – ou seja, à semelhança de semente ela é geradora ou traz a existência um conceito da mente de Deus nesta palavra incutido. Ela é a verdade e não uma forma ou expressão da verdade entre outras verdades.

Por último, o cristianismo bíblico se apresenta como a única opção de vida e não como uma religião a mais entre as outras que apenas contêm princípios e conceitos plausíveis que possam dar ao homem uma melhor qualidade de vida. Desfaz-se assim a pseudo ideia de que todas as religiões são iguais.

“Deus existe ou não?” – essa é a discussão entre os ateus e as religiões. Se Deus não existe, os ateus estão certos e o que existe de igual entre as religiões é somente o fato de que todas são falsas; no entanto, se Deusa existe, surge a segunda questão: “Existe um Deus ou muitos deuses?”. Esse é o debate politeísmo versus monoteísmo. Se chegarmos à conclusão de que existem vários deuses, o politeísmo está certo enquanto que todas as religiões monoteístas estão erradas; portanto, se o contrário disso for a verdade, sobram somente às religiões monoteístas; dando origem assim a uma terceira análise, que é saber se esse Deus, que é único, tem uma vontade ou não. Essa já é a disputa entre o deísmo e o teísmo. E se chegarmos a terminação de que esse Deus tem uma vontade e age por ela, ficam apenas três religiões – as monoteístas: o Judaísmo, o Islamismo e o Cristianismo, pois só esses três acreditam que Deus existe, que Ele é um só e que tem vontade e age por ela. Porém, dessas três, só o cristianismo afirma que Jesus Cristo é Deus; logo, se o cristianismo estiver certo, todas as outras religiões no mundo estão erradas.

Surge assim a grande argumentação pós-moderna: “Ele, Jesus Cristo, era um grande pensador, um sábio por excelência”. A contra-argumentação cristã é: “Como pode um homem sábio afirmar abertamente aos homens que Ele era Deus, era eterno, tinha poder para dar destino às almas dos homens e que o Deus que eles criam ter feito todas as coisas era o Seu Pai, e que ambos eram da mesma natureza? A dedução mais lógica é: se Ele era apenas um homem, ele não era um sábio nem um grande pensador, mas sim um tolo sofrendo de fortes perturbações psíquicas, que afirmava ser Deus (o que é pouco provável pela sua lucidez e coerência) ou, então, devemos humildemente reconhecer Seu poder e divindade e adora-lO como Deus. Ele disse: ‘A vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste’ (João 17.3)”.

De tudo o que foi dito, fica certo o grande intento arquitetado desde os tempos idos para destronar Deus pode ser vencido pela força de vontade. Urge que os cristãos assumam a posição de pensar com a mente bíblica e não com a mente da cultura, adotem e defendam conceitos e princípios teológicos e não humanistas, e Deus fará a obra. Diante de toda investida multifacetada dos modelos pós-modernos, o cristão deve sempre deixar a forma e buscar o conteúdo, deixar o que é passageiro e buscar viver pelo que é definitivo; deixar o que é só agradável e buscar o verdadeiro.

Por, Joel Paulino.

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