Cooperando com a graça salvadora

Cooperando com a graça salvadoraTodos os homens podem ser salvos pela fé em Jesus, por causa da graça divina, o favor imerecido de Deus. Sem ela é impossível alguém crer em Cristo e permanecer nEle. Esta graça liberta o homem para que possa aceitar a oferta de salvação, cooperando com Deus.

A salvação começa como dom gratuito da graça preveniente que Deus concede a todos os homens, pela ação do Espírito Santo. A graça, segundo o teólogo Jacó Armínio, é “uma afeição gratuita pela qual Deus, tocado pelo amor, vai em direção a um pecador miserável” (ARMÍNIO, 2015, vol 1, p.231). Esta graça também se apresenta como sendo “a assistência permanente e a ajuda contínua do Espírito Santo, segundo a qual Ele age e inclina para o bem o homem que já foi renovado, infundindo nele cogitações salutares, e inspirando-lhe com bons desejos, levam-no, assim, a desejar tudo o que é bom; e de acordo com o que Deus pode desejar e trabalhar em conjunto como homem, que o homem possa fazer o que ele quiser” (Ibid).

A graça nos capacita a crer em Jesus e viver em obediência à Sua Palavra. Isto não é alcançado pelo simples esforço do homem, mas pela fé, que significa um relacionamento dinâmico e cooperativo que temos com Deus na nossa própria salvação. Armínio destaca a iniciativa e necessidade da graça, e a cooperação com ela, quando afirma: “Desta maneira atribuo à graça o início, a continuidade e a consumação de todo o bem, de tal forma que, sem a sua influência, um homem, mesmo já estando regenerado, não pode conceber, nem fazer bem algum, nem resistir a qualquer tentação do mal, sem esta graça emocionante e preventiva, que coopera com o homem” (ARMÍNIO, 2015, vol 1, p. 232).

Esta graça, porém, pode ser resistida, pois ela não é uma força impessoal, mas a ação de uma pessoa: do Espírito Santo. Armínio assevera: “Creio eu, de acordo com as Escrituras, que muitas pessoas resistem ao Espírito Santo e rejeitam a graça que lhes é oferecida” (Ibid). Se permitida a fazer a sua obra, a graça preveniente conduzirá o homem a convencer-se da sua própria pecaminosidade e incapacidade longe de Deus e o levará ao arrependimento e à conversão.

A cooperação humana com a graça divina começa por simplesmente não resistir a ela, à ação do Espírito Santo, e continua quando buscamos crescer “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pedro 3.18). Nesta cooperação, o homem cresce de forma incremental à medida que responde às iniciativas de Deus. Esse trabalhar junto com Ele não brota da iniciativa humana, mas emerge da resposta à prévia ação divina. Deus, somente, tem toda a glória pela salvação do homem, embora este trabalhe juntamente com Ele, pois o poder para trabalhar com Deus vem dEle mesmo. O Espírito Santo age no coração do homem, “iluminando e esclarecendo a mente, e afetando o coração, para que seja dada séria atenção àquelas coisas que são faladas, e para que seja dada fé ou crédito à palavra” (ARMÍNIO, 2015, vol. 1, p. 512).

Se este homem se abre à ação divina, a graça fará sua obra completa, mas se ele resiste, rejeita e despreza a voz de Deus, não poderá ser salvo. “O resultado acidental da vocação, e que não é a intenção de Deus, é a rejeição da palavra da graça, o desprezo do conselho divino, a resistência oferecida ao Espírito Santo. A causa propriamente dita desse resultado é a maldade, a insensibilidade e a dureza do coração humano” (ARMÍNIO, 2015, vol. 1, p. 513).

Na Epístola aos Hebreus, que tem forte caráter exortativo, vê-se muitas advertências para os cristãos prevenindo-os contra a indolência e negligência espirituais, bem como o endurecimento do coração e a apostasia. Na primeira advertência, ela diz que devemos “atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas” (2.1). A palavra para “negligência”, neste texto, “é claramente enfática e significa tratar com completo desrespeito ou desdém [a Palavra de Deus], qual o que faz supor a apostasia” (WILEY, 2009, p. 101). É o mesmo termo usado para designar o descaso dos convidados para as bodas, na parábola contada por Jesus (Mateus 22.5), e “traz em si a ideia de menosprezo, mais do que a noção de recusa do convite” (Idem). Outra grande advertência da epístola é que não se deve endurecer o coração, quando ouvir o Espírito Santo (3.8, 13,15) e nem se deve ter um coração incrédulo para se apartar de Deus (3.12). O termo “endurecer” expressa “o estado de incredulidade empedernida ou oposição obstinada à Palavra de Deus” (WILEY, 2009, p. 172). A epístola censura os cristãos por não crescerem na fé e alerta contra o perigo da apostasia, mesmo para aqueles que provaram de Cristo e do Espírito Santo, pois, para aqueles que rejeitam as misericórdias expiatórias manifestas na cruz, não há salvação possível (6.4-6).

Cristo, pela graça de Deus,morreu por todos (Hebreus 2.9), assim, todo homem recebe de Deus a graça para cooperar com Ele para sua própria salvação, ou de rejeitar a graça divina, para sua eterna perdição.

BIBLIOGRAFIA

ARMINIO, Jacó. As Obras de Armínio. 3 volumes. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.
WILEY, Orton H. A Excelência da Nova Aliança em Cristo – comentário exaustivo da Carta aos Hebreus. Rio de Janeiro: Central Gospel, 2009.

Por, Carlos Kleber Maia.

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