Contrapondo a espiritualidade segundo o mundo com o Evangelho

Um dos maiores pensadores cristãos da atualidade, Ravi Zacharias fala, em sua mais recente obra, do “espiritualismo de massa” vendido pela mídia

Contrapondo a espiritualidade segundo o mundo com o EvangelhoUm dos fenômenos dos últimos anos no Ocidente tem sido a expansão do que o apologista cristão Ravi Zacharias tem chamado “espiritualismo de massa”. Essa falsa espiritualidade, promovida maciçamente pelos meios de comunicação, é destrinchada e confrontada por ele em sua mais recente obra Quem é Jesus?, lançada no Brasil pela CPAD.

Frederick Antony Ravi Kumar Zacharias, 67 anos, mais conhecido como Ravi Zacharias, é considerado um dos maiores pensadores cristãos da atualidade. Indiano radicado nos EUA, suas palavras e livros são sucesso no meio cristão norte-americano, onde Zacharias tem se destacado na área da defesa do cristianismo frente à cultura secular.

Na referida obra, ele aborda esse conceito mundano e extremamente popular de espiritualidade, que destoa totalmente da definição bíblica da verdadeira espiritualidade. “Isso que agora chamamos de ‘espiritualidade’ tem evoluído como um termo ao longo dos últimos anos. Muitas pessoas dizem que não estão ‘em’ uma religião, mas que estão ‘em’ espiritualidade. Isto é, em si, um fenômeno sociológico. E assim como os existencialistas não gostam de ser classificados, os defensores da Nova Espiritualidade também não gostam”, afirma Zacharias, explicando ainda a seus leitores que “pelo fato de esse termo ser extremamente abrangente, lidar com ele de maneira simplista é injusto com qualquer leitor”, por isso ele, em vez disso, aborda em sua obra “as formas mais populares da Nova Espiritualidade e depois a comercialização nesse campo vasto e recente. Feito isso, procurei ir mais longe e destaquei as religiões e os expoentes que proveem as visões de mundo subjacentes a partir das quais essas formas populares de espiritualidade têm surgido”.

Na última parte do livro, Zacharias demonstra e enfatiza “o que há na mensagem de Jesus Cristo que, se bem entendida, ainda oferece beleza, o poder e a única esperança de um futuro para a humanidade. Muitas coisas falsas têm feito com que a profundidade e a amplitude do Seu ensinamento sejam confundidas. Ele disse que veio para nos dar água que sacia nossas sedes mais profundas. No entanto, a superficialidade com com que a sua mensagem tem sido apresentada e manipulada pela mídia tem obscurecido – para não dizer que tem destruído – a Sua mensagem. Nunca se deve julgar uma filosofia por seu abuso. No entanto, isso é o que a mensagem de Jesus sofreu e tem sofrido. A mesmas manipulações auxiliam os ‘novos’ movimentos espirituais, mas para uma finalidade diferente. Qual deve ser a nossa postura? Devemos abusar da mensagem? Ou devemos descobrir o que realmente está sendo reivindicando por esses sistemas de crença e testar a veracidade dessas afirmações? Em sua essência, as visões do mundo por trás desses novos movimentos espirituais são completamente diferentes da visão de Jesus”.

O apologista frisa ainda como esses “novos” movimentos de espiritualidade devem ser analisados. “Em um estudo desses sistemas e crenças, há quatro elementos fundamentais que surgem no primeiro plano. O primeiro é a combinação de verdade e relevância: Como saber se minhas crenças são verdadeiras? Essas crenças são, de alguma maneira, relevantes para o meu dia-a-dia? O perigo aqui é que muitas vezes confundimos a relevância com a verdade e fazemos da verdade algo tão acadêmico que ela parece se tornar irrelevante. Ou nos tornamos tão rígidos e imparciais em relação à verdade que nos esquecemos de filtrá-la ao nível de nossas emoções ou ainda nos dedicamos tanto a amenizar esse estresse e nos ‘sentimos bem’ que acabamos nos esquecendo de fazer a pergunta básica: ‘Nossas crenças estão baseadas na verdade?’”.

“Mas existe uma segunda combinação: razão e fé. Toda visão de mundo tem de reunir a razão e a fé. Alguns admitem ambos, e alguns gostam de fingir que têm ambos na ordem correta. O naturalista é orgulhoso demais para admitir que uma forte dose de fé é necessária para acreditar no que ele faz. E muitas vezes, a pessoa religiosa pode se tornar presunçosa e dizer: ‘Na verdade, não me importo com o que você diz; minha fé é a coisa mais importante para mim’. Eu costumo fazer a seguinte declaração: Deus colocou o suficiente nesse mundo para fazer com que a fé Nele seja algo muito racional, mas não deixou o suficiente para que seja possível viver apenas pela razão”.

Zacharias também conta um pouco do seu testemunho. “Nasci em Chennai, no sul da Índia, e cresci em Nova Déli, na região norte desse mesmo país. Meus antepassados vieram da casta mais alta do sacerdócio hindu, os Nambudiris e os Nairs, de Kerala. Várias gerações atrás, tanto quanto sabemos, um deles ouviu a mensagem de Jesus por intermédio de alguns missionários suíços e alemães. Essa pessoa se tornou um seguidor devoto de Cristo. Foi banido, expulso de sua comunidade e de sua família e pagou caro por sua nova fé. Minha avó descendeu desta pessoa e se casou com um membro da família Zacharias, que também havia se convertido do hinduísmo há várias gerações.

“No entanto, as gerações que vieram após as famílias terem se convertido ao cristianismo só se tornaram cristãs verdadeiras porque também buscaram a Cristo. Ao contrário de todas as outras religiões, nascer em um lar cristão não faz de você um cristão; é a decisão específica de seguir a Cristo que faz com que uma pessoa seja cristã. Minha geração fez as perguntas difíceis sobre a crença para que mais uma vez estudássemos a mensagem de Jesus e respondêssemos à sua simplicidade e sublimidade. Eu me tornei um cristão enquanto estava em um leito de hospital, após tentar cometer suicídio aos 17 anos de idade. Clamei a Deus em oração: ‘Senhor Jesus, se Tu és quem dizes ser, revela-te a mim e tira-me de minha situação desesperadora, e eu não deixarei pedra sobre pedra em minha busca pela verdade’. Cinco dias depois, saí do quarto do hospital como um homem novo e nunca olhei para trás. Jesus não muda apenas o que você faz, mas muda o que você quer fazer”.

“Mas há algo importante aqui: Uma pessoa não pode simplesmente agarrar o polegar da experiência de um momento e assumir, portanto, que agarrou o punho da realidade. […] Espero que você diga comigo nas páginas de Quem é Jesus, nesta jornada para encontrar verdade e fé, relevância e razão, e descobrir que quando temos Jesus temos a vida. Todas as outras fomes de espiritualidade são um reflexo da razão pela qual Jesus oferece a si mesmo como o Caminho, a Verdade e a Vida”.

Zacharias sintetiza sua obra em uma única frase: “Este livro é sobre isto: analisar os lugares onde desejamos chegar e aqueles dos quais devemos nos distanciar até encontrarmos a Pessoa que estamos procurando”.

Por, Ravi Zacharias.

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