Conselhos para quem quer viver

Conselhos para quem quer viverQuem quer viver não adia oportunidades. O tempo é uma sucessão de momentos que se apresenta diante de nós, dando-nos oportunidades que se perdidas, algumas jamais vão se recuperar. Assim, temos que estar sempre de prontidão para as oportunidades. Não perca oportunidade de dar um abraço em quem você ama. Não perca oportunidade de soletrar “obrigado” a quem lhe ajudou e de ouvir um conselho de quem tem maturidade proporcionada pelas revezes da vida.

Quem quer viver não se mantém ansioso. A ansiedade nos faz sofrer por antecipação. Portanto, sossegue a alma. Dê um passo de cada vez. Respeite o ritmo da vida. Tudo passa!

Quem quer viver medita. Meditar é ter tempo para ouvir o silencio. Meditar é ouvir as batidas do coração e fazer visitas ao interior. Meditar é revisitar o passado. Meditar é ver o por do sol. Meditar é fechar os olhos ao ouvir o som de um violino e deixá-lo chegar ao coração. Quem não medita, não vive. Não consegue apreciar as belezas da vida!

Quem quer viver ouve. Não somos uma ilha neste universo. Precisamos aprender não apenas existir, mas a coexistir. Existir junto com o outro. Precisamos desenvolver a arte de ouvir. Quando ouvimos, nos abrimos a novas vertentes, novas historias. Quando ouvimos, deixamos de monologar egoísmo e dialogamos experiências.

Quem quer viver não vive amargurado. A vida é curta demais para vivermos amargurados. Não permita que a vida tão curta seja pontilhada por azedumes. Precisamos aprender e reaprender a soletrar “perdão”.

Quem quer viver não pode caminhar sob o jugo do medo. Sempre é preciso se arriscar. Sabemos que quando arriscamos nos expomos a perigos, nos vulnerabilizamos. Quando nos arriscamos em amar, estamos sujeito a decepções. Quando nos arriscamos a ter amigos, estamos sujeitos a ter decepções. Quando nos arriscamos a ter amigos, corremos o risco de ter algumas amizades interesseiras. Quando nos arriscamos ajudar, nos expomos a ingratidões. Quando nos arriscamos a liderar, nos expomos a criticas, às vezes injustas. Mas o perigo de se arriscar dói menos do que a dor de não ter tentado. Sabemos que todos que amam carregam cicatrizes. Todo amigo leal carrega decepções. Toda pessoa que ajuda carrega ingratidões. Todo líder carrega criticas injustas. Mas é assim! Arriscar é preciso! Quem não arrisca, não avança!

Quem quer viver não se prende às amarras do passado. É possível visitá-lo sem se deixar prender por ele. É possível olhar o retrovisor da historia sem retirar os olhos do para-brisa do futuro!

Quem quer viver se conscientiza que as fases da vida não devem ser apenas passadas, devem ser vividas. A infância colorida, a adolescência utópica, a juventude questionadora, a meia idade amadurecida e a velhice reflexiva. Todas nos ensinam.

Quem quer viver não abre mão da esperança. Esperança alimenta o impossível, cala os pessimistas, inspira poetas, revoga decretos, devolve alegrias, impulsiona heróis, anima mães e motiva cristãos. Esperança é ancora da alma!

Quem quer viver valoriza amizade. Amizades verdadeiras são valiosíssimas. Elas nos acompanham durante toda a vida. Elas nos dizem verdades que não ouviríamos de outros. Elas contribuem para nosso amadurecimento e nos ajudam a desvencilhar de messianismos velados e acalentados durante anos. Com os verdadeiros amigos, rasgamos a alma!

Quem quer viver percebe-se humano. Todo míope distorce sua imagem de humano, messianizando-se. A linha entre messianizar-se e divinizar-se é muito tênue. Basta ver os Faraós e os Césares da antiguidade. De vez em quando eles ressurgem. Perceber-se humano é reconhecer nossas fragilidades, nossa pequenez, nossa textura comum. A história sempre é uma lição para a nossa condição humana. Os grandes impérios da antiguidade surgiram, dilataram-se, fragilizaram-se e caíram, e essa sucessão acorreu de forma sucessória e sem exceções. É um aviso perene e altissonante para a nossa condição humana. Onipotência humana, no final, sempre se manifesta como inverdade!

Quem quer viver foge do cinismo. Permita que o seu riso seja espontâneo, suas lagrimas honestas e sua alegria não fingida. Cinismo corrói por dentro e torna a alma farisaica.

Quem quer viver sai dos arredores de si mesmo. Em tempos de hedonismo, quando menos percebemos, estamos construindo altares ao nosso “eu”. Assim, faça-se vizinho de exilados, dialogue com menos favorecidos, relacione com esfolados em prancha de decepção.

Quem quer viver busca uma espiritualidade madura. Não faz da espiritualidade uma fuga existencial. Não espetaculariza devoção e não faz desta, plataforma para angariar cargos e funções. Não espiritualiza obviedades e esvazia-se do desejo de brilhar.

Quem quer viver ama. Amantes são ingênuos. Ame o nascer do sol, o crepúsculo do dia, o silencio, as fases da vida. Conjugue o amor na angustia e na esperança. Ceda lugares, divida jugo, lave pés. Não deixe que a palavra amor permaneça apenas verbete frio em dicionários de indiferentismos.

Quem quer viver, não apenas espera o futuro, constrói-o. Não fique apenas esperando o futuro chegar, abra picadas, procure flores em lamaçal, junte-se a idealizadores, faça coro com artífices e construtores de futuro.

Quem quer viver foge de mediocridades. Corra de egos inflados, mantenha distância de invejosos e corra léguas de quem gaba de si mesmo. Jamais creia em um Deus enjaulado. Conviver com medíocres, entorpece a alma! Medíocres sempre são medianos.

Quem quer viver, sempre recomeça. Saiba o momento certo de virar a página. Reconfigure amizades, reconquiste o tempo perdido, caminhe a segunda milha. Não suba degrau de pedantismo. Ultrapasse a fase de dizer que sua palavra não volta atrás [lembre-se que és um ser humano].

Quem quer viver percorre estradas menos trilhadas. É claro que nos caminhos menos trilhados não há aplausos, tapinhas nas costas, confetes nem biografias ufanistas. Não importe. Biografias não ufanistas, também são biografias. Aliás, são as verdadeiras biografias. A diferença é que esta não é maquiada como aquela. Esta é alinhavada no tecido e na textura da realidade. Não tenha medo de levantar as velas e singrar novos mares. Quem não arrisca, não avança.

Quem quer viver ama a simplicidade. Quase sempre são nelas que estão as coisas belas da vida. Pessoas comuns, desprovidas de academicismo, também nos ensinam. Dicções regionalistas também nos instruem. A verdadeira vida às vezes se esconde nos momentos despretensiosos. Não desprezemos a singeleza da manjedoura!

Quem quer viver, não deixa de ler poesia. Só a poesia nos tira da rigidez das palavras. Até Deus se revelou na Palavra escrita através de poesia, é só ler os livros poéticos da Bíblia. Ler poesia é, às vezes, caminhar pelos porões da alma, é se encantar com metáforas, é ser inebriado por palavras, é se encantar com beleza.

Quem quer viver espera pelos novos céus e nova terra. Espera a gloria do porvir sem deixar de arregaçar as mangas no presente. Mistura o suor do presente com a esperança da gloria futura. É isso que eu chamo de esperança!

Por, Adejarlan Ramos.

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