Confie em Deus e viva o hoje!

Confie em Deus e viva o hojeEm uma sociedade conturbada como a que vivemos, problemas como ansiedade e depressão tornam-se corriqueiros entre familiares e amigos. No entanto, não é por ser um episódio recorrente que devemos nos acostumar com tais males, uma vez que a Palavra de Deus tem a receita eficaz contra eles: “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (1 Pedro 5.7).

Quando vivenciamos doenças graves e/ou degenerativas, seja em nosso próprio organismo ou no de um ente querido, entramos em um processo de reflexão acerca da nossa própria existência e começamos a perceber que aquilo que reputamos como importante, ou que estamos dedicando maior parte do nosso tempo, não é de fato tão relevante assim.

Um grande exemplo disto é o relato verídico intitulado Para sempre Alice, da autoria de Lisa Genova, que conta a história de Alice Howland, uma mulher bem-sucedida, professora universitária, PHD, que de repente, no auge de sua carreira, se vê diagnosticada com Alzheimer precoce. Ocorre uma mudança radical em sua vida. Ela se vê priorizando o que mais importa e a todo tempo dizendo para si mesma: viva o hoje!

Mas o meu objetivo não é fazer um tratado, um resumo, uma tese ou mesmo uma crítica ao livro e ao filme, embora seja importante dizer que considero que ambos abordam o tema de maneira muito apropriada. Meu objetivo é refletir acerca da pessoa de Alice, pois sei que há centenas ou milhares de Alices por aí.

Engraçado é que este é o nome de uma garotinha que eu amo muito, minha filha do coração. Mas ela é tão pequena que mal sabe o significado da palavra Alzheimer. Ela é verdadeiramente linda, inocente e pequena. Muito falante e determinada. Contudo, há algo que eu tenho certeza que a senhorita mirim Alice sabe muito bem. É o significado da máxima pregada pela Alice Howland: Viva o hoje! Sim, as crianças são peritas nisto, pois elas não precisam se preocupar, ou talvez não tenham com o que se preocupar, ou entenderam que isso não é necessário. Seja qual for a primeira hipótese, o certo é que elas têm muito a nos ensinar acerca do carpe diem, ou seja, aproveite bem o dia.

Não sabemos se vamos viver 100 anos, se amanhã respiraremos, conforme bem atestou o apóstolo Thiago. “Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece” (Tiago 4.14).

Não compreendo bem em que idade da minha vida eu comecei a me preocupar e não parei mais. É provável que nenhum de nós se lembre com exatidão o dia em que perdemos a doçura e ingenuidade infantis e começamos a carregar este fardo pesado e terrível.

Em um dado momento da nossa história, percebemos que as preocupações nos consomem, as aparências falam mais alto, a necessidade de sermos aceitos, e não criticados, o perfeccionismo, nos fazem ser muito duros conosco mesmo e começamos a nos cobrar e torturar até que nosso eu não suporta mais e clama por ajuda.

A vida de Alice é um excelente lembrete de que devemos viver! E isso pode não significar exatamente fazer o que fazemos cotidianamente. Levantar, trabalhar, voltar para casa, comer, dormir (ou simplesmente deitar). Isso é um ritual, um processo, qualquer coisa, menos viver. E se ficamos neste ritual, talvez correndo atrás de projetos grandes, de mais dinheiro, sonhando sempre com as férias para consertar tudo, talvez um dia nos assustemos ao perceber que o tempo está se esgotando e que a possibilidade de viver plenamente precisa ser buscada com afinco.

No caso de Alice, tudo o que ela reputava como importante; tudo que ela havia lutado para ter e ser foi deixado para trás. Uma das coisas mais terríveis nesta doença é que deixamos para trás as coisas e nem sequer nos lembramos delas. Esquecemo-nos quem somos, quem já fomos e quem nós gostaríamos de ser. Tornamo-nos dependentes, às vezes solitários em casas de repouso.

Tudo que era importante se torna em nada diante da necessidade de se fazer pelo menos o essencial, como ver os netos nascerem, e passar um tempo de qualidade com quem amamos. É um grande drama. E o pior: é real! Portanto, enquanto nos é possível, vivamos o tempo presente, não amargurados pelo passado nem assombrados pelo futuro. Dediquemo-nos a Deus e ao Seu Reino, pois no fim da lida, somente a essência ficará.

Por, Joselena Farias Novais Ferreira.

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