Condenado a 200 anos se converte, é solto e anuncia a Cristo

Ex-bandido conhecido como “Folharada”, Lacir Ribeiro hoje é evangelista e congrega na Assembleia de Deus em Charqueadas (RS)

Condenado a 200 anos se converte, é solto e anuncia a CristoLacir Moraes Ramos, entes conhecido como “Folharada”, bandido que aterrorizou o Rio Grande do Sul na década de 1980, se converteu a Jesus Cristo e fez da sua prisão uma ponte para a liberdade de muitos presos, aos quais pregou a salvação. Condenado por inúmeros assaltos, morte de quatro pessoas, tráfico de drogas, latrocínio, cinco fugas da prisão, a qual foi sentenciado à pena de 200 anos, teve um encontro com Cristo que mudou a sua vida e a de centenas de pessoas evangelizadas por ele. Atualmente congrega na Assembleia de Deus em Chaqueadas (RS) e leva a Palavra de Deus em todos os presídios de sua cidade e ao redor do Brasil.

Lacir conta que desde a infância cometia pequenos delitos por pobreza, vingança, amargura, cobiça e uma vida totalmente sem Deus. Até que aos 18 anos, em 1978, foi preso, injustamente, sob a acusação de assalto a mão armada. Torturado por policiais, ele passou por afogamento, choque elétrico, queimaduras, terror psicológico entre outras atrocidades até mentir, assumindo tal delito. Os policiais até o liberaram, mas Lacir já não era mais o mesmo. Revoltado, em menos de um ano ele foi pego em um roubo de carro e sentenciado a seis anos de prisão. Foi nesse período que o nosso irmão conheceu mais a fundo os terrores do sistema penitenciário.

Segundo Lacir, devido a um sistema penal que mais “monstrifica” os seres humanos que os ajuda a se regenerar, ele começou a burlá-lo e no decorrer de suas cinco fugas da cadeia, cometeu seus piores crimes, ficando famoso em todo o Estado – respeitado na prisão e terrivelmente temido na sociedade. Até que em uma dessas escapadas, em 1984, enquanto caçado, vivo ou morto, por toda a polícia da região sul, ele buscou abrigo na Assembleia de Deus em São Paulo. Com o desejo de, enfim, levar uma vida abundante, ele se batizou e casou-se, sob a bênção do pastor local, com a irmã Madalena Ramos. Após cinco anos, já com uma filha nos braços, novamente foi capturado.

Ainda faltava um encontro íntimo com Deus, Lacir confessa. “Em 1989 aconteceu um milagre em minha vida. Só havia um preso convertido no local para onde me levaram no Rio de Janeiro, e ele me convidou para orarmos juntos. Ele levantava minhas mãos para o alto e quando dissemos ‘amém’, senti nitidamente e até ouvi o barulho de correntes caindo de cima de mim. Naquele momento eu decidi firmemente: ‘a partir de hoje eu vou ser verdadeiramente um crente’”.

Nosso irmão, então, parou de fugir, de Deus e dos homens. Ele passou 18 anos preso, porém, livre em Cristo Jesus, pregando a salvação a todos que podia dentro da penitenciária.

“Mesmo após seu batismo, eu só conheci o Senhor de ouvir falar. Somente depois daquela sincera oração, eu realmente ‘o vi’. Aprendi a ler com a Bíblia Sagrada, por tamanha sede de estudá-la. E fui aprendendo a escrever ao contar meu testemunho para o meu livro ‘Um milagre na escola do crime’. Passei a crer em milagres como aqueles que eu lia na Bíblia também poderiam acontecer na minha vida. Então parei de fugir, porque já estava verdadeiramente livre, mesmo atrás das grades”, relata.

Muitos presidiários se converteram através do testemunho da genuína liberdade que Lacir contava dia pós dia naquele lugar. Ele fundou a congregação “Estrela do Cárcere”, ligada a Assembleia de Deus de Charqueadas, que até hoje ocupa um pavilhão da Penitenciária Estadual de Jucuí (RS).

“Hoje nós temos na congregação 200 presidiários cristãos, já batizamos aproximadamente 1.000 presos e Deus tem operado maravilhas naquelas vidas”, testemunha.

O trabalho realizado pelo evangelista Lacir tem dado tantos frutos que no último mês de maio (2012), a Assembleia Legislativa de Porto Alegre sediou o primeiro encontro estadual de ex-presidiários: “Fé na Recuperação”. Mais de 70 filhos espirituais do nosso irmão estiveram lá, mostrando que em Jesus, há genuína transformação. Deputados e assistentes sociais presentes no evento reconheceram a importância do Evangelho, do ministério de Lacir e da atuação das igrejas evangélicas.

Durante todo este período de luta Lacir testemunha que foi fortalecido pelo exemplo e apoio de sua esposa. “Nascida em lar evangélico e uma moça realmente crente, ela se mudou, com nossa filha nos braços, para um local encostadinho na penitenciária no Rio Grande do Sul. Ela ficou 18 anos e três meses me visitando. Ela não desistiu de mim, orando, me acompanhando e crendo no milagre de Jesus na minha vida”.

A irmã Madalena fala sobre sua caminhada durante esse período: “Deus me deu graça e forças para crer até o fim. Meus pais não me apoiaram no início, mas era um plano do Senhor na minha vida também. Hoje, depois de tudo que eu passei, vejo quantas experiências tremendas eu tive com Deus, através dessa difícil história. Ele queria me usar, mas também alicerçar a minha fé”, diz Madalena.

Ainda faltavam mais de 180 anos para cumprir toda a pena, mas por boa conduta e prestação de serviço, ele atingiu a pena máxima admitida pelo código penal brasileiro, a de 30 anos. Então, enfim, nosso irmão foi indultado pelo Governo.

Em dia com a justiça, o evangelista foi solto em agosto de 2007. Mas não se esqueceu dos encarcerados. Madalena conta que todos os dias ele visitava as penitenciárias da cidade, distribuindo Bíblias, pregando e batizando. “Eu brinco com ele: ‘Pede para a direção arrumar um cantinho para você lá’”, conta sorrindo, feliz pelo esposo.

Hoje, com a família restaurada e suas quatro filhas firmes nos caminhos do Senhor, Lacir exerce o ministério de pregar a libertação e edificar muitos irmãos ao redor do mundo contando seu testemunho em igrejas e prisões.

Por, Renata Santos.

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