Chamados a sair do ninho

Chamados a sair do ninhoHá uma grande relação entre ser pentecostal e fazer missões. Dificilmente alguém cheio do Espírito Santo pode olhar para a condição espiritual dos não salvos e não sentir compaixão, não despertar o interesse pela salvação deles e deixar passar as oportunidades de apresentar o sacrifico de Cristo como único meio de ir ao Céu.

Não faz sentido vivermos “cheios” com tantos “vazios” por perto. O missionário britânico David Livingstone resumiu a missão de Jesus assim: “Deus fez de seu único filho um missionário”. Ninguém jamais experimentou a plenitude do Espírito como nosso Salvador, e Ele a usou em missões (Atos 10.38).

A unção que estava sobre Cristo, o levava a cumprir Seu chamado (Isaías 61.1-3). Antes de fazer de seu filho um missionário, Deus o capacitou. Lucas faz menção da unção sobre Jesus de Nazaré (Atos 10.38). Talvez a expressão mais humilde para descrever a pessoa de Jesus, na ótica humana, é mencionar o lugar onde cresceu ao lado de seus pais, em Nazaré. Pois o missionário vindo de Nazaré era o Escolhido.

Considero que a maior expressão de um coração cheio de Deus é uma vida cheia de missões. “Andar fazendo o bem” (Atos 10.38) com Deus ao nosso lado é um desafio feito a muitos e aceito por poucos.

“Andar fazendo o bem” se tornou pouco demais para muitos, em uma geração onde a prioridade é andar fazendo o que se “vê bem”, o que se “sente bem” e, lamentavelmente, o que se “paga bem”.

Confundimos o ir como estar. Queremos estar na igreja, mas não queremos ir ou ser enviados como Igreja. Isaías profetiza que o propósito de Deus ao ungir o Messias era, em primeiro lugar, pregar as Boas-Novas (Isaías 61.1). Os maiores avivamentos da historia, começando pelo de Pentecostes em Atos 2, tiveram como resultado a propagação do Evangelho e o envio de missionários. Podemos dizer que dentro das múltiplas tarefas de uma denominação pentecostal está o desafio de alcançar os perdidos para Cristo, e proporcionar um lugar de adoração e ensino da Palavra onde eles possam ser cheios do Espírito. E enviar um número considerável deles a missões.

Assim como a águia destrói o ninho antes de levar seus filhotes para o primeiro voo, assim deveríamos proporcionar um ambiente onde cristãos pentecostais fossem encorajados a realizarem voos missionários.

Nossos ninhos estão confortáveis demais para arriscarmos viver fora deles. Há muitas “águias” que passam a vida inteira dentro do ninho, sem jamais ousar voar. Enquanto isso, multidões esperam para ouvir Boas-Novas, enfermos agonizam sem conhecer outra fonte de salvação, os tristes se consolam em promessas vazias.

Deus não poupou Seu filho, não poupará a nós. A diferença está na sensibilidade com que ouvimos a voz do Seu Espírito, em dizer “sim” a Deus e não a nós mesmos. Pináculos em nosso templo de egoísmo são erguidos em meio aos nossos primeiros passos no deserto, e ao contemplar a posição e o privilégio dados por Deus já não queremos descer do “monte alto” (Mateus 4.8) onde a glória muitas vezes não pertence a Deus. O maior missionário enviado por Deus venceu todas as provas, foi servido por anjos e logo após saiu de Sua cidade a fazer Sua primeira missão em Cafarnaum (Mateus 4.13).

Por mais humilde que tenha sido sua vida em Nazaré, Jesus teve de abrir mão de seu “ninho”, de suas amizades, sua rotina, e partir rumo a seu chamado. A vontade do Pai estava em primeiro lugar em sua vida. Assim, em Mateus 4.23, Seu ministério já dava frutos e sinais de que Deus era com Ele.

Sem importar se o nosso ponto de partida é um lugar sem expressão como Nazaré ou um lugar reconhecido como fora para os discípulos Jerusalém, a realidade é que nunca será fácil abrir mão daquilo que gostamos ou fazemos antes de fazer missões. Deus nos vê como a águia que, mesmo consciente dos perigos do primeiro voo, não pode poupar seus filhos, pois as recompensas de voar e cumprir sua missão são bem maiores que o medo de falhar, sofrer ou até mesmo morrer enfrentando os diversos perigos da obra missionária.

Complicamos o que Deus simplifica. Jesus soube desde o princípio o que devia fazer, aonde ir, a quem ouvir, com quem andar, o que pregar, a quem chamar. Quem foi ungido e chamado para fazer missões não passa a vida inteira agarrado nos fios tecidos de um ninho, não se precipita, mas também não espera uma lista interminável de “confirmações” para sair e pregar.

O desejo missionário é confirmado pela presença de Deus, que ao dar indícios de que chegou a hora de destruir o “ninho”, nos espera com as asas abertas para voarmos. Mesmo o coração batendo acelerado, nos colocamos na posição de servos.

Na posição de Servo, Jesus recebeu o Espírito (Isaías 420.1), pôde produzir justiça entre os gentios e destilar graça através de Suas doutrinas (Isaías 42.4). A presença do Espírito Santo é a certeza de um trabalho missionário bem sucedido. Algumas vezes não são vistos os resultados por meios tangíveis, porém saber que o Senhor nos toma pela mão onde quer que andemos é privilégio impar e eterno (Isaías 42.6).

“Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Romanos 8.31).

Nunca houve um tempo tão apropriado para realizar missões como em nossos dias. Os recursos tecnológicos, meios de transporte e a globalização têm aberto oportunidades que antes eram impossíveis. As maiores agências e igrejas missionárias possuem recursos de informação, experiências de campo como nunca antes, algumas delas se destacam pelo envio de centenas demissionários por todo o mundo.

Mas, será suficiente? O número de missionários tem crescido de acordo ao número de membros que aderem às igrejas e movimentos pentecostais e não pentecostais?

Assim como o livro de Atos nos mostra uma igreja crescente e ativa, seja por opção ou escape das perseguições, assim desejemos uma igreja pentecostal missionária. A saúde de uma igreja ou movimento pentecostal pode ser medida pelo número de crentes que descem às águas do batismo, recebem o batismo no Espírito Santo e se preocupam em enviar ou serem enviados a missões.

Por, Rodrigo Faria.

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