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O que querem fazer com a teologia?

O que querem fazer com a teologiaDepois da secularização da sociedade, vivemos o tempo da secularização da teologia. Ou então, a dessacralização da religião.

Refiro-me à secularização tão somente como afastamento da essência da espiritualidade e do transcendente das questões do dia. No âmbito da teologia, isso é feito através do enquadramento da fé aos limites da sociologia e da fenomenologia.

É bem verdade que presenciamos o regresso da religião ao espaço público, como um fenômeno social de abrangência mundial. A máxima preconizada por Nietzsche “Deus está morto” parece não ter se confirmado empiricamente, diante da ressurgência da fé e da religiosidade no tempo presente.

Compreendendo a Graça Preveniente

Compreendendo a Graça PrevenienteNa soteriologia arminiana, a graça preveniente é uma doutrina essencial. Graça preveniente é o termo teológico que explica a forma como Deus capacita o homem previamente para que possa atender ao chamado da salvação. Assim como muitas outras doutrinas bíblicas, a exemplo da Trindade e da depravação total, o termo “graça preveniente” não se encontra expressamente1 nas Escrituras, mas o ensino sim, visto tratar-se de uma categoria bíblica tácita, evidenciada por meio da interpretação sistemática do Texto Sagrado.

A graça preveniente está dentro do retrato maior das Escrituras, a partir da compreensão do trabalho divino para a salvação do homem2. Brian Shelton, com razão, afirma que a teologia sistemática examina cada doutrina à luz do maior testemunho das Escrituras para maior coerência ou correção. “Esta é a melhor maneira de testar a nossa interpretação de qualquer doutrina bíblica, incluindo o de nossa capacidade restaurada a crer em Cristo”3.

Aspectos da Teologia Sistemática

Aspectos da Teologia SistemáticaA Teologia divide-se em quatro áreas de estudo, a saber: Teologia bíblica, Teologia sistemática, Teologia histórica e Teologia Contemporânea. Cada uma com aspectos e peculiaridades inerentes que ensinam e encantam, e quando mal utilizadas também enganam. Destacando a Teologia Sistemática, que consiste numa compreensão ordenada, lógica e coerente, extraída da Bíblia com séria hermenêutica e boa exegese.

Na Teologia Sistemática estudam-se os grandes temas e doutrinas da Bíblia. Ao todo, temos dez doutrinas que são focalizadas neste âmbito, as quais são: Bibliologia, Teologia (ou Teontologia), Cristologia, Pneumatologia (ou Pneumagiologia), Antropologia, Hamartiologia, Soteriologia, Eclesiologia, Angelologia e Escatologia.

Desafios de hoje para a evangelização

Desafios de hoje para a evangelizaçãoNas últimas três décadas, parece-me, que a questão da busca do crescimento numérico das igrejas e do entendimento desse crescimento como um sinônimo de sucesso se fortaleceu. Essa busca, pelo crescimento da igreja local ou da denominação, é uma preocupação humana, horizontal, por vezes política e econômica. Mas que se entrelaça com a Missio Dei, com a Grande Comissão, que são bíblicas e atemporais, e estão na agenda de Deus. Podemos nos perguntar: Como lidar com essa dicotomia? Quais são os desafios contemporâneos à evangelização? Como lidar com eles?

Em resposta, quero destacar primeiramente que um dos desafios contemporâneos à evangelização e crescimento de igreja é superar a influencia das práticas mercadológicas; pois como afirma o filósofo Michael Sandel “o mercado invadiu áreas que antes não lhe pertenciam”. Não é por coincidência que o profissionalismo eclesiástico (que em si é positivo) tem crescido tanto, somado à popular prática de pagamento de cachês altíssimos para pregadores/palestrantes, cantores, artistas, etc., que as igrejas têm investido tanto em marketing denominacional, que surge constantemente um novo evento de capacitação para líderes apresentando métodos de crescimento brilhantes, incríveis, milagrosos.

Outro aspecto que destaco é o da cultura. Conhecer, entender e lidar com a cultura de uma comunidade sempre é desafiador, porque isso implica em respeitar o ritmo de vida local, a maneira como os relacionamentos são construídos e os costumes. Conhecer a cultura é um pré-requisito para se alcançar uma comunidade. Além disso, este reconhecimento da cultura local precisa ser feito para não nos inclinarmos à colonização ao invés da evangelização e também com o fim de descobrir necessidades que a igreja local pode suprir através do serviço.

O verdadeiro conhecimento de Deus

O verdadeiro conhecimento de DeusA revelação de Deus está relacionada com o conhecimento humano, mas de uma forma que essa revelação jamais coincidirá 100% com as expectativas que o homem possa ter a propósito da divindade. Quando Deus se comunica com o homem, este fica diante de um paradoxo, diante de uma crise, que nunca poderá ser resolvida em termos humanos.

Quando o homem se encontra face a face com o Senhor, é concedido que diga “não” a Deus e, nesse caso, avançará em direção à morte espiritual; ou então, ele dirá “sim” a Deus, e será transformado num novo homem.

Na questão da busca por conhecimento, precisamos compreender o mecanismo de raciocínio e como ele funciona. Na ciência e na filosofia, o homem raciocina de duas maneiras: em termos do sujeito (aquele que raciocina) e em termos do objeto (aquilo sobre o que o sujeito exercita o raciocínio). Isso nos leva à distinção que se faz entre pensamento objetivo e pensamento subjetivo.

Pensamento objetivo é um pensamento limitado e também verificado pela existência do objeto. Aquele que exercita o pensamento objetivo não interfere na disposição dos fatos, deixando que eles falem por si mesmos. A ciência e a filosofia procuram ressaltar bastante o valor do pensamento objetivo. Pensamento subjetivo refere-se ao fato de que se pode pensar à base dos sentimentos cultivados, com desprezo para com os fatos.

Pregação: lições de Harry E. Fosdick

Pregação - lições de Harry E. Fosdick“Pregar é um aconselhamento pessoal numa base de grupo”. Essa simples declaração sobre a filosofia do pregar foi articulada por Harry Emerson Fosdick (1878-1969), considerado por muitos nos Estados Unidos um mestre como pregador. Seus sermões atraíam enormes congregações e audiências de rádio.

Ministro batista, ele formou-se no Seminário Teológico União (EUA) em 1904. Fosdick serviu a várias igrejas na área de Nova York e trabalhou como capelão durante a Primeira Guerra Mundial. E rapidamente se estabeleceu como pregador talentoso, capturando até a atenção do magnata do petróleo e filantropo John D. Rockefeller. Na época, Rockefeller foi o principal benfeitor da Igreja de Riverside, uma grande catedral que estava sendo construída na parte rica de Manhattan. Por insistência de Rockefeller, Fosdick se tornou o primeiro pastor daquela igreja em 1926, cargo que ocupou por 20 anos.

Fosdick foi, sem dúvida, um dos pastores e pregadores mais influentes na história americana. Além de pregar várias vezes por semana, ele ensinou sobre pregação no Seminário Teológico União, escreveu 47 livros e centenas de artigos em revistas. Ele ministrou sermões no “National Vespers Hour” da rede NBC, que foi ao ar por 19 anos em rádio de ondas curtas para 17 países. Fosdick foi capa da revista “Time” em 1925 e 1930.

Saul e Saulo: as diferentes escolhas

Saul e Saulo - as diferentes escolhasA Bíblia tem como mensagem principal a proclamação da graça de Deus, demonstrada na história humana tanto no Antigo como no Novo Testamentos. Esta graça é um dom gratuito e imerecido, dado ao homem sem trabalho nem merecimento. Todo homem recebe alguma medida dela. Alguns se abrem a esse favor divino e são beneficiados por não resistir à Sua ação. Outros, porém, abandonam a graça, preferindo confiar em sua própria justiça ou buscar o favorecimento que vem dos homens.

Podemos observar essas diferentes atitudes de receptividade quanto à graça divina em dois homens que viveram em tempos distintos, mas que pertencem a uma mesma tribo de Israel, a tribo de Benjamim, e que receberam o mesmo nome ao nascer: Saul.

O primeiro Saul foi o homem que Deus chamou para ser o rei que inauguraria a monarquia em Israel. Esse monarca foi alcançado pela graça divina de uma forma extraordinária. O Senhor deu a ele uma oportunidade de resgatar a honra de seu povo, os habitantes da pequena cidade de Gibeá, localizada no território da tribo de Benjamim, a cinco quilômetros ao norte de Jerusalém.

Em cerca de 1050 a.C., época em que os juízes governavam Israel, os habitantes desta cidade cercaram a casa onde estava hospedado um levita que ali resolveu pernoitar, exigindo que o dono da casa o trouxesse para fora para que eles tivessem relações homossexuais com ele. Não conseguindo, contentaram-se em abusar da sua concubina durante toda a noite, levando-a à morte. O levita, indignado, esquartejou a mulher e espalhou os pedaços pelas demais tribos, causando um furor que culminou em guerra civil e chacina, da qual somente sobraram quatrocentos rapazes de Gibeá. Para que esta tribo, agora reduzida a estes poucos habitantes, não fosse exterminada, foi permitido que eles casassem com as moças de Jabes-Gileade, sobreviventes de outra chacina (Juízes 19-21).

O cristão e a natureza pecaminosa

O cristão e a natureza pecaminosaO capítulo 7 da Carta de Paulo aos Romanos tem sido interpretado pelos doutores da igreja de maneira diversa. Uns dizem que o conflito existencial vivenciado por Paulo no capítulo 7 de Romanos diz respeito ao Paulo do judaísmo. Outros, porém, dizem que se trata do Paulo cristão.

Neste ponto, a análise dos textos de Romanos 7.15-25 e Gálatas 5.16-18 faz-se necessária. Seja qual for a interpretação dada à situação existencial de Paulo em Romanos capitulo 7, uma coisa fica certíssima: ninguém pode servir a Deus fora do controle do Espírito Santo. A carne, no contexto de Gálatas 5.16-8, diz respeito à natureza pecaminosa existente no cristão. Por natureza pecaminosa não se entende uma substância má adicionada à essência do homem, mas, sim, de certa desordem da natureza humana, uma fraqueza espiritual, inexistente em Adão antes da Queda. A respeito dessa natureza pecaminosa, assim se pronunciou a célebre Confissão de Fé de Westminster (VI. v): “Esta corrupção da natureza persiste, durante esta vida, naqueles que são regenerados; e embora seja ela perdoada e mortificada em Cristo, todavia, tanto ela, quanto seus impulsos, são real e propriamente pecado”. Chafer, teólogo norte-americano, escreveu sobre o assunto: “A experiência do homem é um testemunho confirmado com relação à sua natureza pecaminosa”. O teólogo chinês Watchman Nee disse: “É um grande erro considerar a carne erradicada de nós e concluir que a natureza do pecado está completamente aniquilada”. O pressuposto confessional que defende o perfeccionismo como um ideal – o que, aliás, é louvável –, não pode ignorar esses dados.

A Bíblia apenas contém ou ela é a Palavra de Deus?

A Bíblia apenas contém ou ela é a Palavra de DeusA Bíblia é fruto de um trabalho que durou aproximadamente 16 séculos para ser escrita. Cerca de 40 homens santos e inspirados por Deus, foram usados para que ela chegasse a esse fabuloso compêndio, tal como conhecemos hoje. Para o teólogo erudito Antonio Gilberto, em sua obra teológica “A Bíblia através dos séculos”, a existência da Bíblia até os nossos dias só pode ser explicada como um milagre. Pois muitos de seus autores jamais se conheceram, e mesmo tendo diferentes formações, vivendo em épocas e lugares diferentes, seus 66 livros possuem uma harmonia incontestável, nos levando a perceber, que ela tem um único autor, o Espírito Santo, aquele que inspirou os escritores originais (2 Pedro 1.20, 21).

Ela já sobreviveu todos os ataques que lhe fizeram, jamais conseguiram provar qualquer erro ao longo dos séculos, pois ela é a inerrante e infalível Palavra de Deus. Porém com o surgimento do modernismo, uma ideia herética e sutil, defendida pelo filósofo racionalista Baruch Spinoza (1632-1677), dizia que a “Bíblia não é a palavra de Deus, mas que ela apenas contém a palavra de Deus”, ainda hoje é defendida por teólogos liberais, que tentam encontrar nas escrituras respaldo para suas heresias e inovações teológicas. Tais teólogos negam a doutrina da inspiração plenária, expressão utilizada na teologia para enfatizar que a Bíblia é completamente inspirada por Deus.

Princípios bíblicos do amor e da unidade

Princípios bíblicos do amor e da unidadeDos muitos princípios irrevogáveis registrados na Bíblia, convido-vos a uma reflexão sobre os princípios do amor e da unidade.

Princípios do amor (1 João 3.18)

Os termos gregos transliterados que aparecem no texto bíblico do Novo Testamento são: Agapao, Ágape e Philco. Agapao 142 vezes, Ágape 116 e Philco 25. Quando vemos um Léxico ou um dicionário, percebemos que possíveis diferenciações semânticas entre Ágape e Philco são construções sem grande consistência. Há, entre os gramáticos exegetas, certo consenso de que o emprego de um e de outro é mero recurso estilístico. Um terceiro termo grego para amor seria Eros, que não aparece no Novo Testamento. Neste caso, o significado de um envolvimento de ordem sexual é bastante evidente. Quando a Bíblia refere-se ao amor, considera-o como atributo de Deus (1 João 4.8), como dom do Espírito Santo à igreja (1 Pedro 4.8) ou ainda, como parte do fruto do Espírito Santo (Gálatas 5.22). Podemos dizer que o amor está, ao mesmo tempo, presente na igreja, como um elemento constitutivo do Corpo de Cristo, e fora dela, como algo que deve ser baseado pela intimidade com Deus.

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