Casamento: ação de Deus e do homem

Casamento - ação de Deus e do homemApesar de sabermos do interesse de Deus pelo casamento, por ser seu idealizador, não podemos nos esquecer também das nossas responsabilidades quanto a ele, do nosso livre arbítrio. Isto significa que o poder de tomada de decisão de formar uma família, assim como a escolha dos princípios que vão regê-la foi delegado por Deus a nós. O Senhor disse: “Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne?” (Mateus 19.5). Ou seja, Ele deu o modelo, o significado do casamento. Agora, a pessoa com quem casaremos e os preceitos para conduzi-lo, se seguiremos os dEle ou não, cabe a nós decidir.

Você está satisfeito com as escolhas que tem feito para o seu lar? Em que você enxerga necessidade de mudança? Essa manutenção e autocrítica é necessária e benéfica para um casamento verdadeiramente pleno, duradouro e feliz. Diferente da mera obrigação, fardo de troca de acusações, cobranças e brigas diárias quando algo na relação a dois não vai bem.

Nas Sagradas Escrituras há inúmeros conselhos para um matrimônio bem-sucedido. No entanto, infelizmente, mesmo casais cristãos, na prática diária nem sempre optam por esse caminho. Por isso, há tantos divórcios hoje, inclusive em nosso meio.

Em uma sociedade com tamanho hedonismo e egocentrismo, há uma carência generalizada do entendimento de que casamento é um grande paradoxo: entra-se para ser feliz e vive-se para fazer o cônjuge feliz (1 Coríntios 7.32-34).

Diante dessa consciência, devemos observar alguns princípios que são básicos se queremos ter um casamento abençoado:

O casamento é a morte do “eu” e o nascimento do “nós” – Quando nos casamos temos que ter a consciência de que a vida de solteiro na casa de nossos pais, por melhor que tenha sido, acabou, precisa haver mudanças. Esse estilo de vida que fica no passado servirá como lembrança, motivo para sempre honrarmos os nossos pais. E de fato, estamos prestes a compreender na prática todo o esforço que fizeram para a formação do nosso caráter. Contudo, após a bênção do Senhor no altar o que passará a ter como referência serão as coisas que passarão a construir juntos (Gênesis 2.18). Então, não tenho nada mais em primeira pessoa do singular, passamos a ter tudo na terceira do plural. Os sonhos são nossos, os bens são nossos, os projetos são nossos e onde não cabe o nosso cônjuge não nos caberá. Inclusive as redes sociais, que tem se transformado no maior desafio da igreja moderna, para a manutenção de nossas famílias.

O respeito pelo nosso cônjuge – Destaco aqui algo que tenho observado de muito danoso dentro dos casamentos: o mau uso da língua no nosso relacionamento marital. Infelizmente temos visto um linguajar chulo sendo usado por diversas vezes dentro dos lares, fazendo-se usual no dia a dia e com isso trazendo uma aceitação e normalidade que não deve existir, do desrespeito conjugal, das depreciações, adjetivos e brincadeiras de coisas que nos incomodam, mas que não tratamos de forma clara e aberta, então usamos estes subterfúgios para nos expressar e assim criticamos pejorativamente o nosso cônjuge e até causando humilhações perante a terceiros, abrindo brechas enormes na alma do nosso parceiro (a), e quando nos damos conta o amor esfriou perdendo todo o brilho de outrora.

As mulheres devem respeitar os maridos como a Igreja a Cristo. Assim, os maridos devem amar as suas esposas como também Cristo amou a Igreja, e a si mesmo se entregou por ela (Efésios 5.25-30).

A delicadeza e o respeito ao cônjuge tem que começar ao amanhecer de cada dia, para na hora da conjunção carnal o momento ser de amor pleno e não o cumprimento de um dever.

Exercitar o amor sem perder a paixão – O amor é o pilar da alma no casamento. É nele que o nosso racional sofre a dor do cônjuge, crê mesmo nos momentos de crise, suporta os piores dias do nosso parceiro(a), etc. “O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Coríntios 13.7).

Mas a irracionalidade do amor que produz coisas que não sabemos explicar, como o brilho diferente do olhar a pulsação forte no peito, o desejo de chegar o mais rápido em casa é devido ao “eros”, que muitos na nossa língua chamam de “paixão”. Na língua portuguesa o amor só tem esse único vocábulo, seja de que forma for. Já no grego existem distinções da palavra, assim como dos sentidos: Eros, Fileo, Storge e Ágape.

É o amor Eros, que muitos no nosso idioma chamariam de paixão, que não deixa os cônjuges virarem simplesmente melhores amigos ou aquele com quem rachamos despesas ou dividimos a responsabilidade de serem pais. Criar momentos para despertar essa chama é fundamental para termos um casamento duradouro e feliz. Quando foi o último buquê de flores, sem ser o dia da obrigação formal do casamento, que você deu a sua esposa? O amor é vivo, ele precisa ser alimentado para se manter assim. Como uma planta que precisa de cuidados básicos para sobreviver. Mas o “tratar diferenciado” é que faz esta planta ir além da sobrevivência, faz ela se destacar em beleza e formosura, esse “plus” é o amor aliado a “paixão”.

O tempo do Senhor – “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela” (Salmos 127.1 – ARC). Tempo é uma questão de prioridade muito mais que relógio. Pois para aquilo que julgamos ser realmente importante, não importa o quanto estejamos atarefados, arrumamos tempo. Basta nos lembrarmos da época do namoro. Se os pais permitissem, poderíamos chegar tarde da noite em casa, cansados do trabalho, de uma faculdade, mas ainda assim não perderíamos a chance de passar na casa da namorada. Dormiríamos de madrugada sem reclamar do cansaço no outro dia, porque esta era a sua prioridade.

Com o passar do tempo se não vigiarmos, a agitação da vida moderna, o nosso sucesso profissional a soberba da vida e a presunção de acharmos que chegamos a algum lugar ou somos alguma coisa devido a nossa capacidade, roubam a prioridade da nossa família e até mesmo do Senhor no nosso lar. Com o tempo, perde-se o interesse de se esforçar para dar a Deus a devida primazia que Ele merece. O que fatalmente vai minando todas as outras áreas da nossa vida, sobretudo o nosso casamento.

O nosso cônjuge também não pode roubar o lugar do Senhor em nosso coração. Uma vida plena, em muito, tem a ver com equilíbrio. Não é deixar de lado a família pela igreja e nem deixar o chamado de Deus pela família. É muito triste quando vemos jovens de potencial espiritual tremendo quando solteiros, mas quando se casam parece que o ministério que Deus tinha para eles morreu.

Medite nessas questões. Avalie o que precisa ser ajustado, colocado em seu devido lugar, arrancando ou semeado em seu casamento. Que o Jesus Cristo possa ser o Senhor em tudo no nosso matrimônio e não somente o socorro na hora da angústia.

Por, Jair Luiz de Freitas.

One Response to Casamento: ação de Deus e do homem

  1. eulalia soares disse:

    caro irmao, meu marido e eu sentimo-nos abençoados com a leitura de seu texto.

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