Aumentam os atos de censura contra o cristianismo no Ocidente

Na Europa e mesmo nos EUA, o país mais cristão e mais protestante do mundo, casos de censura ao cristianismo aumentam espantosamente

Aumentam os atos de censura contra o cristianismo no OcidenteContrariando os valores que fundaram a civilização ocidental, a liberdade religiosa e a liberdade de consciência se encontram ameaçadas no Ocidente, e a principal vítima é a mãe desses valores: o cristianismo. Os dados são inequívocos. Pesquisas mostram que, nos últimos anos, tem aumentado sensivelmente as manifestações de censura à fé cristã em países ocidentais. Em 2017, foi divulgado um levantamento do Observatório Contra a Discriminação de Cristãos (OCDC), sediado em Viena (Áustria), que passou despercebido pela grande imprensa, mas que é de suma importância, pois revela, por exemplo, que, “em geral, na Europa, os muçulmanos têm mais liberdade para usar símbolos religiosos ou seguir suas convicções do que os cristãos”, de maneira que, segundo os números desse levantamento, o que se vê no Ocidente, bem diferentemente do que pregam certos formadores de opinião, não é uma onda de islamofobia, mas de cristofobia.

O levantamento, assinado pelo historiador Martin Kugler, fundador e diretor do OCDC, lista mais de 1,8mil casos recentes de perseguição e censura claras contra cristãos devido à sua fé, e isso somente nos últimos sete anos e apenas na Europa. Entre os episódios de discriminação religiosa relatados estão furtos, atos de vandalismo, assassinatos, uma bomba explodida na Basílica de Saragoza, na Espanha; um coquetel molotov lançado em uma igreja reformada em Lucca, na Itália; e mais de 40 leis que atingem diretamente os cristãos, seja erradicando símbolos cristãos, seja impedindo os pais de pedirem dispensa para seus filhos participarem das aulas obrigatórias de educação sexual por estas estarem em direta oposição às suas convicções cristãs, seja obrigando enfermeiros e médicos a realizarem intervenções consideradas por eles imorais devido à sua fé.

Kugler menciona ainda casos que afetam o direito à objeção de consciência, como de um lar cristão para idosos na Bélgica que foi multado em 6 mil euros por ter negado a eutanásia a um homem de 74 anos que sofre de câncer no pulmão; o de uma ordem religiosa feminina na Itália que foi condenada a pagar 25 mil euros a um professor por ter suspenso o seu vínculo de trabalho com base na incompatibilidade de sua orientação sexual com a ética da escola católica; e o de refugiados na Suécia convertidos do Islã ao cristianismo que foram espancados, ameaçados de morte e colocados em exclusão social nos alojamentos para refugiados por terem se tornado cristãos. Na Alemanha, 14 jovens iranianos cristãos foram forçados a abandonar os campos de refugiados de Schloss Holte-Stukenbrock após serem ameaçados de morte durante meses por muçulmanos ali.

Kugler cita também casos de garçonetes, professores e enfermeiras demitidos por causa da sua fé, e declara que “as restrições às objeções de consciência religiosamente motivadas atingem sempre mais os profissionais médicos e os farmacêuticos em diversos Estados membros da União Europeia, entre os quais a França, a Noruega, o Reino Unido e a Suécia”. Ele alerta ainda que “uma linha dura de imposição de posições relativistas” acabará por inibir, “a longo prazo”, os cristãos a “adaptarem suas crenças religiosas”, caso não queriam ser perseguidos. Isso já pode ser visto em algumas igrejas, que têm cedido ao liberalismo.

Segundo Kugler, “a justificativa é a separação entre a Igreja e o Estado, mas em minha opinião isso é uma desculpa. O secularismo radical europeu pretende, em nome da tolerância e da neutralidade do espaço público, impor uma ideologia que supõe a expulsão dos cristãos da vida pública”. De acordo com ele, “deve-se distinguir entre o nível jurídico-legal, que seria a discriminação mediante leis que tentam limitar a liberdade de consciência – por exemplo, na vida profissional –, e o nível social, ou seja, a marginalização, a intolerância com os cristãos, aos quais tentam submeter a uma grande pressão através de uma opinião publicada hostil e uma educação estadual reduzida. A liberdade religiosa na Europa está ameaçada a estes níveis”.

Cristãos fervorosos são chamados “doentes mentais”

Mesmo nos Estados Unidos, o país mais cristão e mais protestante do mundo, a censura ao cristianismo cresce espantosamente em alguns setores. Durante a gestão Obama, o governo federal foi acusado de usar o fisco (Internal Revenue Service – IRS, na sigla em inglês) para perseguir igrejas e entidades cristãs conservadoras. Uma comissão foi instalada em 2013 na Câmara dos Representantes para tratar do caso, ocasião em que J. Russell George, inspetor-geral do Tesouro americano, confirmou as denúncias. Entretanto, o assunto morreu depois que Donald Trump, no início do seu mandato presidencial, assinou um decreto que garante às igrejas e a entidades cristãs o direito de se posicionarem politicamente conforme a sua fé sem serem ameaçadas de perda de isenção perante o fisco.

Aliás, por suas medidas conservadoras e declarações de exaltação à fé cristã, o presidente Donald Trump tem sido atacado. Em seu Discurso do Estado da União deste ano, ele foi criticado pela mídia progressista por ter falado muito sobre “Deus”, “família” e “nacionalismo”. A apresentadora de tevê Joy Reid, da MSNBC, por exemplo, disse do discurso de Trump: “Igreja, família, polícia, militares, hino nacional… Trump está tentando recuperar os anos 50. […] O objetivo do seu discurso parece ser a normalização destes termos de uma era passada da qual os seus apoiadores têm saudade”.

Em 13 de fevereiro, a fé do vice-presidente dos Estados Unidos, o evangélico Mike Pence, foi alvo de deboche no talk showThe View, apresentado pela rede de tevê norte-americana ABC. As apresentadoras o classificaram como “doente mental” por dizer que conversa com Jesus Cristo!

“Eu sou cristã, eu amo Jesus, mas ele acha que Jesus diz a ele o que falar”, afirmou Joy Behar. “Uma coisa é falar com Jesus, outra coisa é quando Jesus fala com você. Isso é chamado de doença mental, é ouvir vozes”. No mesmo programa, Behar ainda fez uma piada: “Minha pergunta é: ele pode falar com Maria Madalena sem sua esposa no quarto?”. Outra participante do talk show, Sunny Hostin, afirmou: “Não sei se que quero que meu vice-presidente fale em línguas”.

Em entrevista ao jornalista político Mike Allen, do site Axios, Pence afirmou que não tinha como rir da comparação de seu cristianismo com uma doença mental. “É um insulto não só para mim, mas para a grande maioria dos americanos que, como eu, aprecia sua fé. Meu cristianismo é a coisa mais importante na minha vida”.

“Tento começar todos os dias abrindo o Bom Livro”, Pence contou. “Minha esposa e eu tentamos fazer uma oração juntos antes de eu sair todas as manhãs. Eu posso dizer honestamente que minha fé me sustenta em tudo o que eu faço, é uma parte regular de nossas vidas. Mas não sou incomum. Penso que sou um americano muito típico, seja qual for a sua tradição de fé. As pessoas entendem isso”.

Ainda sobre o ataque, acrescentou: “Isso demonstra que alguns dos principais meios de comunicação estão tão fora de contato com a fé e com os valores do povo americano que você tem uma rede importante, como a ABC, permitindo um fórum para atacar a religião assim”, continuou Pence. “É simplesmente errado a ABC ter um programa de televisão que exprima esse tipo de intolerância religiosa. Eu gostaria de ser leve sobre isso, mas eu realmente não posso. Não por minha causa, mas pelas dezenas de milhões de americanos que apreciam sua fé, não posso ficar em silêncio”, concluiu o vice-presidente.

Pressão via justiça contra escolas, instituições e famílias

No final de janeiro, uma faculdade no Novo México (EUA) foi forçada por uma entidade que se diz promotora da “liberdade” a remover várias cruzes que anteriormente eram exibidas em todo o campus da instituição. O New Mexico Junior College, na cidade de Hobbs, retirou suas cruzes, que eram exibidas em várias áreas do campus, depois que a secularista Freedom From Religion Foundation (FFRF), com sede em Wisconsin, enviou uma carta ao presidente da faculdade, Kelvin Sharp, em 18 de janeiro, condenando as cruzes e ameaçando processar a instituição de ensino caso não as retirasse.

A FFRF é conhecida por pressionar as escolas públicas e os escritórios dos governos locais nos EUA para eliminar qualquer possível menção ao cristianismo ou ao judaísmo nessas instituições. Ainda em janeiro, a FFRF conseguiu fazer com que um distrito escolar da Califórnia cancelasse uma viagem para um retiro evangélico cristão ao ar livre e fez com que o escritório de um xerife da Louisiana removesse postagens do seu Facebook que eles entendiam que “promoviam o cristianismo e a Bíblia”. Um dos slogans da FFRF é “Nada falha como a oração”. Segundo matéria do jornal The Christian Post, “a realidade é que as cartas ameaçadoras da FFRF fazem com que muitas agências caiam por medo de serem forçadas a pagar as expensas da defesa contra até mesmo um processo frívolo. O escritório do xerife de Washington, por exemplo, simplesmente não pôde pagar o custo de defender um processo dessa natureza”.

Um caso curioso também do início deste ano foi quando a FFRF atacou uma escola no estado de Indiana por ela promover um programa de construção de caráter para os alunos liderado por dois pastores e realizado no horário do almoço. A FFRF acusou a East Porter County School Corporation de permitir que os pastores deem instruções religiosas durante o dia no High School através do seu “Programa de Elevação dos Estudantes”.

Depois de enviar uma carta ao diretor da entidade, Rod Gardin, pedindo que a escola cancele o programa, Gardin respondeu: “Sobre a sua afirmação de que a corporação escolar está permitindo que a instrução religiosa ocorra durante o dia no High School através do Programa de Elevação dos Estudantes, analisei o currículo utilizado no programa e constatei que não há conteúdo religioso no currículo. Não há versículos da Bíblia, referências a qualquer deidade espiritual, ou qualquer atividade que expõe os alunos a quaisquer conceitos religiosos”. Ou seja, por um lado, a FFRF não se saiu vitoriosa, por não ter acabado com o programa; mas, por outro lado, ela se saiu vitoriosa, ao garantir que não houvesse menções a Deus, a Bíblia ou ao cristianismo.

Outro assunto preocupante para os cristãos tem sido a invasão e os ataques do estado sobre a família, retirando, por exemplo, o poder dos pais de criarem seus filhos conforme suas convicções e alimentando uma dissensão ente filhos e pais. Mês passado, uma adolescente de 17 anos, que se identifica como um menino, recebeu a permissão legal da Justiça dos Estados Unidos para se submeter legalmente a uma terapia hormonal, apesar da oposição de seus pais cristãos.

A juíza Sylvia Hendon, do Tribunal Juvenil no Condado de Hamilton, em Ohio, emitiu na última sexta-feira (16) uma custódia legal aos avós da adolescente que, segundo um promotor, “aceita o neto como ele é” e apoia seu desejo de mudar de gênero. Segundo a decisão da juíza, os avós podem pedir uma petição para mudar o nome da adolescente no tribunal de sucessões. A adolescente agora será coberta pelo avós que, ao invés de pais, irão ajudar a tomar futuras decisões médicas por ela.

O caso decorre de novembro de 2016, quando a adolescente telefonou para uma linha de emergência dizendo que um de seus pais havia dito a ela para se matar e a fez ouvir mensagens com passagens bíblicas por mais de seis horas. No entanto, a advogada dos pais, Karen Brinkman, afirmou que as declarações nas queixas da adolescente são falsas. Brinkman argumentou que a adolescente não está “nem perto de ser capaz de tomar uma decisão tão importante em sua vida nesse momento” devido à sua idade e estado mental.

A juíza afirmou que antes do tratamento de transição, a adolescente será avaliada por um psicólogo para analisar “os sentimentos de não-conformidade”. Hendon alegou que quando a adolescente foi levada pelos pais cristãos ao hospital, o “diagnóstico prontamente mostrou um tipo de disforia de gênero”. Muitos líderes conservadores expressaram sua preocupação com as consequências desse caso a longo prazo. Andrew T. Walker, diretor de Estudos Políticos da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa da Convenção Batista do Sul dos EUA, defende que, na maioria das circunstâncias, os pais devem ter o direito de tomar decisões médicas por seus filhos. “Este caso deve provocar um arrepio na espinha de todos os pais que estão assistindo o que o Estado pode fazer para adulterar os direitos dos pais para promover a revolução sexual”, observou Walker.

Uma vitória importante

Mas, nem tudo é má notícia. O juiz do Tribunal Superior da Califórnia, David Lampe, decidiu no início de fevereiro que Cathy Miller, da Tastries Bakery em Bakersfield, tinha o direito de se recusar a fazer um bolo de “casamento” de pessoas do mesmo sexo para Eileen e Mireya Rodriguez-Del Rio. A Fundação de Defesa da Liberdade de Consciência dos EUA e o escritório de advocacia representando Miller lutavam na justiça contra a ação iniciada pelo Departamento de Emprego Justo e Habitação do estado contra Miller.

Em 5 de fevereiro, o juiz David Lampe decidiu em favor de Miller e contra o estado da Califórnia, que se levantou contra Miller através de seu Departamento de Emprego e Habitação Justos. Ele argumentou que as objeções religiosas de Miller para fazer bolos de “casamento” gay são protegidas pela Primeira Emenda da Constituição norte-americana. “Além disso, o estado minimiza o fato de Miller ter providenciado um meio alternativo para clientes em potencial para receber o produto que eles desejavam através dos serviços de um outro talentoso padeiro que não compartilha a crença de Miller”, escreveu o juiz David Lampe.

“Miller não é o único criador de bolo de casamento em Bakersfield. O fato de Rodriguez-Del Rios achar que sofrerá indignidade com a escolha de Miller não é suficiente para negar proteção constitucional”, concluiu o juiz.

A decisão sobre o caso de Miller ocorre quando a Suprema Corte dos Estados Unidos está próxima de considerar o caso da “Masterpiece Cakeshopversus a Comissão de Direitos Civis do Estado do Colorado”, que é centrada em um padeiro do Colorado chamado Jack Phillips, dono da Masterpiece Cakeshop, que se recusou a fazer um bolo de “casamento” gay devido às suas crenças cristãs. A corte alta dos Estados Unidos começou a ouvir os argumentos do caso em dezembro passado e a decisão do tribunal deverá ser divulgada no final de junho deste ano.

Fontes: CPAD News, ACI Digital, Christian Post e CBN News.

One Response to Aumentam os atos de censura contra o cristianismo no Ocidente

  1. Toimitus disse:

    Desde criança tenho uma convivência com os cristãos e apesar de não conhecer pessoalmente nenhum judeu, mesmo assim tenho uma profunda admiração por Israel . Sou grato à Israel, por ter conhecido ao Deus Eterno. Todo cristão que conheço ama Israel! Aquele que se diz cristão e não ama Israel , revê seus conceitos! Deus abençoe Israel!

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