Aumenta a perseguição na janela 10×40

Hostilidade faz parte da rotina dos cristãos desta região do planeta

povos_janela1040A GFA, organização Gospel for Asia (Evangelho para a Ásia), divulgou um sombrio relatório acerca dos cristãos residentes na Janela 10×40 (região formada por 61 países que estão 10 e 40 graus acima da linha do Equador e onde a Igreja sofre mais perseguição). Os especialistas dizem que nos últimos 10 anos houve um acentuado crescimento das perseguições aos cristãos nessas latitudes; ademais são os países menos evangelizados. Apesar do ambiente nada amigável, a Igreja avança impoluta em meio às dificuldades.

Perseguição não é novidade no currículo da Igreja de Cristo, considerando que o próprio Mestre foi implacavelmente oprimido por Seus adversários enquanto exercia Seu ministério entre os homens. Mais tarde, Seus seguidores enfrentariam destino semelhante, uma vez que o próprio Jesus vaticinaria um horizonte de injúrias e dores para aqueles que ousassem desafiar as autoridades hostis. Segundo A. Knight e W. Anglin em seu livro História do Cristianismo (CPAD), a primeira onda de perseguição geral ocorreu durante o governo do imperador romano Nero, que já havia assassinado a própria mãe. A sua conduta sinalizou aos seus contemporâneos a sua disposição e indicou aos habitantes do Império o que deviam esperar dele. As terríveis apreensões que alimentavam a seu respeito tornaram-se realidade. Após o incêndio que devastou Roma em 18 de julho de 64 d.C., a comunidade cristã foi acusada da tragédia e severamente atingida pelos seus algozes. Com o decorrer dos séculos, os cristãos continuaram a ser alvo de intensa perseguição, fosse através de cruéis tormentos, a militâncias dos veículos de comunicação com a infiltração de heresias nos círculos teológicos. Hoje, o referencial de hostilidade aberta ao cristianismo se encontra na Janela 10×40, e o que ocorre por lá é algo semelhante ao que aconteceu no início da Era Cristã.

Recentemente os representantes da GFA divulgaram que apenas na Índia a perseguição à comunidade cristã no país, aumentou 400%. A notícia é incrível pelo fato de a humanidade experimentar os benefícios dos Direitos Humanos que garantem a liberdade de pensamento e expressão e a igualdade perante a lei. Apesar disso, ainda milhares são alvos da violência de fanáticos religiosos.

“As pessoas que nunca experimentaram a perseguição não compreendem totalmente o que significa ter suas vidas ameaçadas, suas casas destruídas, seus direitos violados e entes queridos presos, tudo por causa da sua fé em Jesus Cristo. Nos 14 países em que atuamos, perseguições desse tipo tornaram-se a forma normal de vida, especialmente para aqueles diretamente envolvidos no trabalho missionário”, disse o presidente da GFA, KP Yohannan.

O líder cristão está certo, porque os países ocidentais ainda preservam leis e tradições advindas do cristianismo, por isso seus cidadãos ainda gozam de relativo privilégio quanto às questões de liberdade de culto, mas quanto aos cristãos residentes nesses países hostis não é incomum os religiosos terem seus lares destruídos ou perder a liberdade por causa das mais absurdas acusações, como as conversões forçadas, estratégia utilizada pelos hindus na Índia. Se eles conseguem escapar da prisão acabam por dividir a clandestinidade com outros irmãos de fé.

Segundo o pastor Anísio do Nascimento, secretário executivo da Senami (Secretaria Nacional de Missões) e vice-presidente da Assembleia de Deus em Cordovil (RJ), muitas vezes a mensagem cristã é confundida com uma suposta interferência na cultura nativa, contribuindo no recrudescimento das hostilidades.

“Eu entendo que a penetração da mensagem cristã, ainda que muitas vezes despercebida, na Janela 10×40 onde existem os três blocos religiosos mais influentes, islamismo, budismo e hinduísmo, esbarra em um cinturão quase inexpugnável. Acrescento que a nova configuração política mundial coloca no mesmo bojo o Evangelho e a cultura Ocidental, o que deu origem a uma visão distorcida de que tudo que provêm do Ocidente representa uma interferência na cultura local. Mas apesar da perseguição, as igrejas funcionam em áreas não pensadas e que mantém a chama do Evangelho acesa na região”, analisa.

Essa dura realidade não está muito longe do que aconteceu nos dias apostólicos quando a Igreja Primitiva teve que compartilhar com os mortos a catacumbas; o lúgubre espaço tornou-se precioso para aqueles que desejavam cultuar a Jesus Cristo.

Para Yohannan o fenômeno é um sinal significativo de que a Palavra de Deus está sendo fartamente anunciada em territórios hostis. “Jesus enviou os seus discípulos como ovelhas ao meio de lobos (Mateus 10.16). Histórica e biblicamente, a perseguição é esperada para quem serve a Deus”, completou. Em novembro de 2012, cristãos de todo o mundo oraram pelos irmãos que sofrem por sua fé, como parte do Dia Internacional de Oração pela Igreja Perseguida.

O presidente da GFA acredita que a intercessão é força e encorajamento para os perseguidos, principalmente para aqueles que vivem em áreas remotas sentem-se sozinhos em sua luta. “O sofrimento de nossos irmãos e irmãs é bastante pesado. Para quem ainda não experimentou a normalidade da perseguição, Jesus pede que participe voluntariamente do seu sofrimento. Através de nossas orações, podemos ser agentes de cura, esperança e ajuda vinda de Deus”, disse.

Por, Eduardo Araújo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Google Translate »