Atual situação da Síria cumpre Isaías 17?

Conflito insufla fakes na internet que levantam questões bíblicas

Atual situação da Síria cumpre Isaías 17As consequências do bombardeio sob as ordens do presidente Bashar al-Assad realizado no dia 18 de fevereiro foram devastadoras para os habitantes de Ghouta Oriental (região localizada ao leste e sul de Damasco). A região afetada é o último reduto dos rebeldes contra o governo sírio e o saldo do ataque é assustador: morreram mais de 600 pessoas, entre as vítimas foram contabilizada muitas crianças. As cenas de abandono e do choro dos pequenos, veiculadas pela mídia, têm comovido o mundo inteiro.

A médica síria Amani Ballour, de 30 anos, trabalha em um hospital na cidade e afirma que a maioria dessas crianças apresenta lesões graves. “Todos os lugares estão sendo bombardeados. Hospitais, escolas, jardins de infância. Na última semana, vimos muitas cenas difíceis e dolorosas. Muitos mortos e feridos, a maioria crianças e mulheres. Todos civis. Famílias inteiras mortas sob os destroços de suas próprias casas”, descreve a médica.

A situação dos sírios que moram na região atacada está cada vez mais complicada desde que Assad e a Rússia decidiram atacar os rebeldes com armamento pesado, com baixas entre os civis também. “Desde que esta campanha brutal do regime em conjunto com a Rússia começou, todos os aspectos da vida foram suspensos em Ghouta. Não há mercados ou lojas abertos. As pessoas se escondem em abrigos sem comida. Esses abrigos não contam com suprimentos básicos”, disse Amani Ballour em entrevista ao R7.

A tragédia que se abate sobre o povo sírio remonta o ano de 2011, quando aconteceu a Primavera Árabe que levou a população a posicionar contra o governo de Bashar al-Assad. A resposta do presidente sírio veio com violência dando origem a um conflito que já dura sete anos. Os opositores do atual governo tomaram diversas cidades, porém, a maioria dessas regiões já foi reconquistada pelo exército nacional depois de muitos bombardeios e mortes.

Enquanto o conflito se desenrola no Oriente Médio, o assunto tomou proporções nunca antes vistas nas redes sociais. Os internautas de orientação cristã passaram a compartilhar imagens da Bíblia Sagrada nas narrativas onde é possível identificar profecias relativas a um momento da História do país oriental em que a sua capital, Damasco, seria devastada e sem habitantes. A cidade ficaria em ruínas.

Os internautas destacaram os versículos de Isaías 17 cujo conteúdo realmente fala sobre a destruição da capital da Síria. “Advertência contra Damasco: ‘Damasco deixará de ser cidade; e se tornará um monte de ruínas. Suas cidades serão abandonadas; serão entregues aos rebanhos que ali se deitarão, e ninguém os espantará. Efraim deixará de ser uma fortaleza, e Damasco uma realeza; o remanescente de Arã será como a glória dos israelitas’, anuncia o Senhor dos Exércitos” (Isaías 17.1-3).

O capítulo 49 de Jeremias também está sendo compartilhado pelos internautas por trazer a seguinte sentença: “Damasco tornou-se frágil, ela se virou para fugir, e o pânico tomou conta dela; angústia e dor dela se apoderaram, dor como a de uma mulher em trabalho de parto. Como está abandonada a cidade famosa, a cidade da alegria! Por isso, os seus jovens cairão nas ruas e todos os seus guerreiros se calarão naquele dia, declara o Senhor dos Exércitos. Porei fogo nas muralhas de Damasco, que consumirá as fortalezas de Ben-Hadade” (Jeremias 49.24-27).

O autor norte-americano Joel Rosenberg declarou que a sua incerteza de que os fatos testificam de um eventual cumprimento das profecias bíblicas. “Estamos vendo o desfecho de Damasco […] Será esse o prelúdio para o cumprimento dessas profecias? Nós não sabemos, mas Damasco é a cidade mais antiga a ser habitada continuamente no planeta. Ela foi atacada, sitiada e conquistada, mas nunca foi completamente destruída e desabitada”, argumenta o especialista, que se lembra dos últimos dias nos quais os ataques concentraram-se em Ghouta Oriental.

Não satisfeitos com as publicações das profecias de Isaías e Jeremias, os defensores do “cumprimento” dos vaticínios chegaram a publicar um trecho do livro do profeta Ezequiel na qual insistem que a guerra na Síria é cumprimento do texto, principalmente o acordo com a Rússia e uma possível coligação entre Síria, Rússia e Irã contra Israel.

“O profeta Ezequiel escreveu há 2,5 mil anos que, nos últimos dias da história, a Rússia e o Irã vão formar uma aliança militar para atacar Israel a partir do norte”, diz um dos expositores. Essa união a que se referem os defensores da tese pode ser encontrada em Ezequiel 38 e 39 sobre a Guerra de Gogue e Magogue.

Apologistas desmascaram interpretações equivocadas das profecias

Apesar da euforia causada pelas “interpretações” e a divulgação de notícias de conteúdo “apocalíptico”, eruditos versados na cultura e na interpretação bíblica não somente discordaram, mas indicaram a realidade descrita nas páginas da Bíblia. Apologistas dizem acreditar que tanto Isaías quanto Ezequiel se reportaram a um acontecimento trágico ocorrido na antiga cidade: o ataque do Exército assírio contra Damasco no ano 732 a.C.

A explicação é de autoria do conhecido pastor norte-americano Hank Hanegraaff, autor de vários livros publicados no Brasil, e apresentador do programa de rádio “Bible Answer Man”, onde dúvidas sobre a Bíblia são esclarecidas. Questionado por um ouvinte acerca do texto de Isaías 17, o teólogo foi enfático: “Usar essa passagem de Isaías para explicar o que está acontecendo atualmente na Síria é um bom exemplo ‘escatologia de imprensa’. É uma vergonha os pastores fazerem isso. Ou eles não conhecem a palavra de Deus ou quererem promover o sensacionalismo e sofismas”.

O apologista e pastor Ciro Sanches Zibordi corrobora com o pastor Hanegraaff, e concorda que ambas as profecias já se cumpriram em um passado remoto no qual muito sangue foi derramado nesse conturbado período. “Podemos ver no livro Isaías O Profeta Messiânico (CPAD), de autoria do erudito norte-americano Stanley Horton, que a profecia não seria para estes dias e nem para o futuro, uma vez que o vaticínio já foi cumprido no passado. Agora, devemos ter cuidado em observar o conteúdo das profecias, pois muitas delas trazem um cumprimento parcial e depois, no devido tempo, a sua completude, vamos citar o exemplo de Jesus que leu uma passagem do profeta Isaías 61, mas evitou ler o restante da narrativa por se tratar de uma profecia que ainda vai se cumprir no futuro, no tocante a tribulação que vai se abater sobre o mundo. Esta perícope encontra-se em Lucas 4”, explica o pastor Zibordi.

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