Atentado realça contraste entre real intolerância e tolerância cristã

Atentado realça contraste entre real intolerância e tolerância cristãEm 12 de junho, um atentado terrorista a uma boate de homossexuais e simpatizantes em Orlando, Flórida (EUA), deixou 49 mortos e mais de 50 feridos, causando grande repercussão em todo o mundo. O atentado foi perpetrado por um americano de origem afegã, de nome Omar Mir Seddique Mateen, 29 anos, que havia prestado juramento ao grupo terrorista Exército Islâmico, o qual, logo após a divulgação do atentado, celebrou o ocorrido. A chacina chamou a atenção não apenas pelo horror, mas também porque ressaltou uma realidade que, infelizmente, alguns grupos antivalores cristãos e formadores de opinião progressistas se omitem de admitir, porque desconstrói totalmente seu discurso absurdo de que os cristãos conservadores são “intolerantes”: a verdadeira intolerância social vem de grupos radicais islâmicos ou similares, ou de regimes totalitários, e não dos cristãos conservadores. Cristãos conservadores, obviamente, não aprovam certas práticas consideradas normais por boa parte da sociedade, como é o caso da prática homossexual, mas respeitam todos os indivíduos e defendem sempre a tolerância às diferenças dentro de uma sociedade. Ninguém vê cristãos conservadores agredindo homossexuais ou proclamando o desejo de vê-los mortos só porque não concordam com a prática destes.

Mesmo assim, é impressionante que alguns comentaristas da mídia progressista que, desonesta e absurdamente, costumam tratar todo evangélico que afirma que o homossexualismo é pecado como sendo um intolerante, radical, homofóbico e – na mais criminosa das afirmações – como um “assassino de homossexuais em potencial”, logo após o atentado em Orlando, saíram rapidamente alertando a seus ouvintes e/ou leitores sobre o perigo das generalizações acerca do islamismo. Um mesmo peso, mas duas medidas totalmente diferentes. No caso de cristãos conservadores, que são notoriamente tolerantes e pacíficos, essa gente afirma o absurdo de que são todos intolerantes e violentos em potencial, enquanto, diante do fato gritante de que os radicais muçulmanos e as ditaduras islâmicas são os maiores assassinos de homossexuais do mundo, afirma-se que o islã é pacífico e que supostamente só alguns poucos malucos dentro dele são violentos.

Claro que não devemos generalizar, dizendo que o islamismo como um todo é violento e intolerante, mas é fato, por exemplo, que a intolerância é socialmente institucionalizada e religiosamente embasada de forma clara nos países onde a chamada sharia islâmica é colocada como lei sobre todos. Ou não é assim no Irã? Ou no Sudão muçulmano? Ou na Arábia Saudita?

Na Mauritânia, no Sudão, nas partes islâmicas da Somália, no Irã, na Arábia Saudita, na República Turca do Chipre do Norte e no Iêmen, ser homossexual dá pena de morte. Enquanto isso, nos países de origem e influência cristãs, as liberdades são respeitadas.

Cristãos são as principais vítimas dos radicais

Outro detalhe sobre essa história é que os cristãos são, notoriamente, o segmento que sofre com mais vítimas do radicalismo em todo o mundo. Segundo estimativas, são assassinados todos os anos no mundo uma média de mais de 100 mil cristãos pelo simples fato de serem cristãos. Eles são vítimas, principalmente, de radicais islâmicos, mas também de ditaduras comunistas e de radicais hindus no interior da Índia. Mesmo assim, setores da mídia que se posicionam contrários aos valores cristãos no Ocidente costumam silenciar diante desses crimes. E pior: alguns ainda tentam pateticamente equiparar atos como o terrível atentado em Orlando com o discurso cristão condenando a prática homossexual como pecado. Ora, a Bíblia também condena o adultério, a mentira, a fornicação e tantos outros pecados, e mesmo assim não se vê nenhum cristão saindo às ruas pregando o assassinato ou qualquer tipo de violência contra pessoas que praticaram adultério, fornicaram ou mentiram.

Só de pouco tempo para cá é que alguns setores da mídia começaram a noticiar a terrível realidade da perseguição aos cristãos no mundo, principalmente por causa da divulgação de vídeos de assassinatos em massa de cristãos por grupos radicais muçulmanos como Estado Islâmico e Boko Haram. Os países mais violentos contra os cristãos são Coreia do Norte, onde há pelo menos 70 mil cristãos presos e torturados por causa da sua fé; Somália, parte da Síria, parte do Iraque, Afeganistão, Arábia Saudita, Ilhas Maldivas, Paquistão, Irã e Iêmen.

Curiosamente, enquanto a primeira reação de alguns setores da mídia foi explorar desonesta e equivocadamente o atentado em Orlando para corroborar seus discursos anticristãos, a primeira reação dos cristãos norte-americanos ao atentado foi levantar um clamor em favor das vítimas e seus familiares. Mais do que isso: muitos deles também saíram aos hospitais para doar sangue em favor dos feridos do atentado.

A Associação Evangelística Billy Graham enviou, imediatamente após o atentado, capelães treinados com a Equipe de Resposta Rápida Billy Graham para Orlando para oferecer cuidado emocional e espiritual às vítimas do ataque. A Catedral Nacional de Washington soou seu sino em luto pelo atentado 50 vezes na segunda de manhã, numa referência ao número de vidas perdidas no atentado.

Os líderes cristãos também divulgaram declarações de luto pelos mortos, condenando a violência e encorajando a oração.

O pastor Samuel Rodriguez, líder da Conferência Nacional de Liderança Cristã Hispânica nos Estados Unidos, afirmou, em um comunicado publicado ainda no dia do atentado: “O ato deplorável de terrorismo de hoje vai contra tudo o que defendemos como americanos e como cristãos. Apelamos a todos os americanos a se unirem com o objetivo de construir uma muralha de amor, graça, verdade e respeito contra a intolerância, ódio e violência”.

“Os cristãos em todos os lugares devem condenar essa violência horrível”, afirmou o pastor Ed Stetzer, recentemente nomeado diretor-executivo do Centro Billy Graham para o Evangelismo no Wheaton College.

Russel Moore, presidente da Comissão de Liberdade Religiosa e Ética da Convenção Batista dos Estados Unidos, maior denominação evangélica daquele país, foi um dos primeiros a publicar uma nota, em nome da sua denominação, afirmando: “Vamos mobilizar nossas congregações para orarmos juntos pelas vítimas e seus familiares. Temos nossas discordâncias genuínas, mas isso não nos impede de orar e amar”. Várias denominações fizeram o mesmo em seus cultos, como foi o caso das Assembleias de Deus nos Estados Unidos.

Bases da tolerância cristã

Em artigo publicado há alguns anos na revista GeraçãoJC (CPAD), o pastor e jornalista Silas Daniel, chefe de Jornalismo da CPAD, ressalta quais são os pilares da defesa da tolerância e da liberdade de expressão pelo cristianismo. Explica ele que “o cristão bíblico defende fervorosamente a tolerância, porém não qualquer tipo de tolerância. Ele defende a tolerância em termos democráticos, que significa tolerância legal e tolerância social, mas não a tolerância acrítica. Trocando em miúdos, o cristão bíblico defende o direito que cada pessoa tem de acreditar em qualquer crença que desejar ou em nenhuma. Ele defende, por exemplo, que ninguém deve ser coagido a crer no que ele, cristão, crê. Isto é, o verdadeiro cristão defende e promove as liberdades religiosa e de opinião. Esse tipo de tolerância é chamada de tolerância legal. O cristão bíblico também defende o respeito a todas as pessoas, mesmo que discordem frontalmente de sua religião ou ideias. Ele defende a paz entre os indivíduos, entre os diferentes. Isso é tolerância social. É com base na tolerância legal e na tolerância social que temos de fato as chamadas liberdade religiosa e de opinião”.

“Entretanto, o cristão bíblico não defende a tolerância acrítica. Muito pelo contrário. Ele defende que a tolerância em uma democracia, assim como a tolerância cristã à luz da Bíblia, não é sinônimo de ser acrítico. O cristão tem o direito de expressar, defender e pregar os valores bíblicos. Tolerância cristã não é sinônimo de afrouxamento de princípios. Por isso, o cristão genuíno se opõe à agenda do liberalismo social, defende as verdades absolutas, prega a Palavra de Deus em sua inteireza e evangeliza. Ele, obviamente, é e deve ser condescendente e generoso com as pessoas, mas não condescendente no que diz respeito a relativizar os valores e princípios do Evangelho, no qual está baseada a sua fé e prática”, explica pastor Silas.

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