As sementes da divisão

As sementes da divisãoAo considerarmos a escritura mostrando a glória e a grandeza de Salomão e do seu reino, pode parecer-nos estranho o fato que, quando ele morreu, sua “casa” estava longe de ser forte. Parece que Roboão foi seu único filho; se houve outros as Escrituras não os mencionam, embora falem de duas filhas.

Assim que Roboão assumiu o trono, ficou evidente que ele carecia das qualidades de um verdadeiro líder, somando ao fato que as sementes da divisão do reino já tinham sido semeadas. Em 2 Crônicas, no capítulo 10, aprendemos que a insensatez de Roboão foi o que realmente causou a divisão, mas a responsabilidade total não pode ser colocada sobre ele.

O desvio de Salomão

O âmago da questão, sem dúvida, foi o desvio de Salomão dos caminhos do Senhor. Recordemos as palavras do Senhor em 1 Reis 11.11: “Visto que assim procedestes e não guardastes a minha aliança, nem os meus estatutos, que te mandei, tirarei de ti este reino e o darei a teu servo”.

De acordo com as instruções em Deuteronômio 17.16, 17, havia três coisas que o rei não devia multiplicar para si: “Não multiplicará para si cavalos […] tampouco para si multiplicará mulheres […] nem multiplicará muito para si prata ou ouro”. Que pena! Em seus últimos dias, Salomão falhou em todos estes quesitos.

Olhe para 1 Reis 10.28: “Os cavalos de Salomão vinham do Egito”. Acompanhe as várias referências ao ouro neste capítulo 11 e versículo 3, diz: “Tinha setecentas mulheres, princesas e trezentas concubinas, e suas mulheres lhe perverteram o coração”. Alguém já disse: “Cuidado na barra de saia e na barra de ouro”. Isto quer dizer: “Tenha cuidado com mulheres e com o poder”.

Embora o Senhor Deus de Israel lhe tivesse aparecido duas vezes, infelizmente ele se voltou para os deuses dos sidônios, dos moabitas e dos amonitas. Deveríamos dar muita atenção a nossas afeições, interesses e associações para que não embarquemos, como Salomão fez, num caminho que nos levará para longe do Senhor e sermos divisão entre o Seu povo. Deixaremos que o leitor considere as situações que têm este potencial.

O desejo de Joroboão

Enquanto a direção da vida de Salomão estava em declínio, havia outra figura chave destes eventos em ascendência. Jeroboão era um servo de Salomão que tinha sido promovido a uma posição de autoridade (1 Reis 11.26, 28).

Vamos considerar o caráter deste homem, pois as Escrituras nos sugerem pelo menos três características dele: laborioso, ambicioso e inescrupuloso. Quando há um homem com estas características só é necessário haver uma oportunidade adequada para que ele se projete.

Sabemos que era intenção de Deus dar o governo das dez tribos de Israel para Jeroboão, mas é óbvio que isto não justifica sua rebelião contra Salomão (1 Reis 11.26). Ou sua conduta desviando o povo (1 Reis 12.30).

Jeroboão era um homem trabalhador, de fato; esta foi a razão para sua promoção (1 Reis 11.28). As palavras de Aías ditas a ele: “Reinarás sobre tudo que desejar a tua alma e será rei sobre Israel” (1 Reis 11.37) indicam que, mesmo antes do profeta se encontrar com ele, Jeroboão já ambicionava ser rei. Então, ao examinar mais adiante sua história, vemos sua total falta de escrúpulos sob a pretensão de ser o campeão na escolha do povo; cativando seu coração, ele rejeitou o que era de Deus em favor dos seus próprios planos e tudo com intenção de garantir o reino para si (1 Reis 12.26-33) Salomão se desviou do Senhor, mas, no seu rastro, havia um homem ambicioso esperando sua oportunidade.

Em um cenário diferente, Paulo alerta aos santos a “notar” e “se afastar” de homens com o caráter de Jeroboão (Romanos 16.17, 18).

Descontentamento do povo

Talvez o resultado direto do declínio da liderança de Salomão, certamente providenciando uma oportunidade para Jeroboão, foi o descontentamento dos filhos de Israel. Em 1 Reis 12.1-4 todo o povo tinha vindo a Siquém para fazer Roboão rei. E Jeroboão tinha sido chamado pelo povo, presumidamente para ser seu porta-voz e fazer com que sua queixa fosse ouvida: “Seu pai fez pesado o nosso jugo”. Qualquer que fosse o motivo de sua missão (comentaristas variam em suas sugestões), o povo exigia mudanças.

Este descontentamento se espalha rapidamente. Lembramos da conduta de Israel no deserto (Êxodo 16.1-2). Mas se este descontentamento for travado com sabedoria, pode ser contido  e a divisão prevenida, como vemos nos acontecimentos de Atos 6.1-7. Entretanto, onde há falta de sabedoria, as consequências são desastrosas.

Quem poderia estimar o dano que houve no passado para o testemunho de algumas congregações pela falta de alguns santos em considerar a exortação dos apóstolo: “Nem murmureis” (1 Coríntios 10.10).

A deficiência de Roboão

Devemos notar que, quando todo o Israel se dirigiu a Siquém, foi para fazer Roboão rei. Em segundo lugar, a queixa do povo não era contra Roboão, mas contra seu pai. Em terceiro lugar, eles prometeram que, se Roboão os atendesse, eles o serviriam (1 Reis 12.1-4). Como Roboão respondeu? Ele foi precavido e pediu conselho (vv. 5 e 6), mas não ao Senhor. O conselho dos homens idosos (v. 7) refletia o ensino de Salomão em Provérbios 15.1: “A resposta branda desvia o furor”, mas foi rejeitado e, em vez disto, Roboão deu ouvidos as palavras dos jovens. Novamente Salomão já tinha avisado: “Como o abrir-se da represa, assim é o começo da contenda; desiste, pois, antes que haja rixa”; mas, ignorando tais conselhos, Roboão respondeu duramente ao povo. Eles responderam da mesma maneira e aconteceu a divisão do reino (1 Reis 12.6-16).

Com certeza, é necessário um exercício profundo de coração, humildade e confissão perante Deus da parte de todos os que desejam ver as igrejas punindo os divisores só assim veremos igrejas unidas no combate a erradicação das sementes da divisão.

Por, Napoleão de Castro.

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