Aromas de outono em Israel

Aromas de outono em IsraelRecebi notícias de Tikvah, nossa irmã intercessora, judia messiânica residente na Cidade Santa: “Olá mishpacha (família). A primeira chuva da temporada caiu, tornando adorável caminhar nela até molhar o corpo, sorvendo o ar frio que transporta o aroma do Outono. A chuva está linda, após o calor do verão. O calor também se faz presente em nossa situação de segurança, pois tem havido ataques quase que diariamente na cidade velha e na parte nova de Jerusalém, bem como na região de Samaria: esfaqueamentos, apedrejamentos, foguetes… a onda de terror continua. Obrigada pelas orações por nós, que nos mantém a salva da violência. Algumas semanas antes, senti em meu espírito que o chão sob meus pés queimava… pouco depois os ataques começaram. Também recebi uma revelação de uma onda de ataques contra os líderes judeus messiânicos e suas famílias.. Enquanto isso, as orações na Torre têm sido mais profundas e amor a adoração. Obrigada, Senhor.  Mais jovens vieram participar conosco. Peço proteção pelas nossas meninas, que têm ficado resfriadas. Peço a Deus para ouvi-lO claramente, pois nosso objetivo não é fazer a nossa vontade, mas a Dele em nossas vidas. Peço por nossa próxima viagem, por proteção com graça de ‘ABBA’ e unção para ministrar.” (o casal John e Tikvav, cujo nome significa esperança, trabalham como ministros de Deus em Jerusalém Tower, um lugar especial reservado à oração. O Eterno concedeu-lhes duas meninas, gêmeas e lindas).

Os ataque dos quais a nossa irmã se refere iniciaram-se no dia primeiro de outubro, quando um casal de israelenses foi assassinado na região da Cisjordânia, próximo do centro de Hebron, região em que vivem cerca de 500 judeus. A partir daí, quase que diariamente a violência tingiu de sangue as ruas de Israel, provocando o terror de uma nova intifada. Cerca de 40 árabes foram mortos, muitos deles autores de atentados. Há centenas de feridos. Dezenas deles são israelenses. Desde o dia nove de outubro os distúrbios, que cresceram em número e violência, atingiram a Faixa de Gaza. Na sexta-feira, dia 16 de outubro, um ataque chamou especial atenção: dezenas de palestinos incendiaram o túmulo de José, local venerado pelos judeus, em Nablus, norte da Cisjordânia. Foram colocadas bombas incendiárias no local de peregrinação e isso resultou em severos danos a pessoas e sítio histórico. O fogo criminoso deu início ao que os terroristas chamaram de “o dia da raiva”, comemorado pelo Hamas com a onda de esfaqueamentos, incêndios e destruição de lugares sagrados. No domingo 18, um ataque cruzou o controle de segurança israelense e provocou um ataque a tiros na estação central de ônibus na cidade de BeerSheva, ao sul de Israel. O atirador palestino foi morto pela polícia. Pelo menos oito pessoas ficaram feridas e um soldado de Israel foi também vitimado. O Hamas tem incentivado os moradores palestinos a mais ataques e mais destruição, alimentando assim o calor desse Outubro sangrento.

A visão norte-americana dos acontecimentos não diferiu da postura corriqueira – o Secretário de Estado americano, John Kerry conversou por telefone com o Primeiro Ministro israelense, Benjamin Netanyahu e com o presidente da Autoridade Palestina, Muhmud Abbas, para pedir que façam o possível para restaurar a calma. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou sua preocupação e condenou “qualquer violência contra inocentes”. Sua proposta de solução não é original: “A longo prazo” – declarou “o único meio pelo qual Israel pode verdadeiramente garantir sua segurança é o único meio pelo qual os palestinos podem realizar as aspirações de seu povo são dois Estados convivendo juntos em paz e segurança (grifo nosso)”. Obama, certamente, não conhece que as aspirações do Hamas incluem a total aniquilação do Estado judeu.

Afeito as questões locais, o Primeiro Ministro israelense levantou a possibilidade de renovar os benefícios e direitos de viagem de palestinos que moram em Jerusalém Oriental. Muitos dos agressores que participaram da recente onda de violência são moradores árabes da região que desfrutam de direitos iguais aos dos judeus residentes. A Organização para a Libertação da Palestina já se pronunciou quanto à possível medida, pois retiraria direitos e serviços sociais importantes para os cidadãos, além da permissão de se movimentarem livremente por Israel. Tais benefícios costumam ser ignorados quando surgem os ventos ideológicos  incentivadores das tensões. Dentre as razões que levam Netanyahu a dirigir suas medidas punitivas aos moradores da Jerusalém Oriental está o conhecimento dos conflitos eclodirem na Cisjordânia, já na região do Monte do Templo provocações tornaram-se constantes contra os soldados e contra os visitantes que para lá ocorriam.  Relembrando, a Jordânia mantém a custódia do local, conforme acordo entre Israel e o reino Hashemita. Segundo o acordo, as orações são permitidas apenas aos muçulmanos, sendo autorizadas as visitas de turistas. Tal ‘status’ será mantido (Israel estudou a possibilidade de alterá-lo devido ao crescimento dos conflitos), mas um sistema de vigilância 24 horas será instalado na área, recurso que é muito bem vindo pelo governo israelense, pois seria uma forma de provar que não é incentivador nem o iniciador dos distúrbios. Mesmo o americano Kerry reconheceu que Israel não tem interesse em provocar desestabilizações, mas em assegurar que todos os visitantes tenham e demonstrem “respeito e contenção” no sítio sagrado.

A sacralidade da Terra de Israel, reconhecida por norte-americanos, jordanianos, moradores de Gaza, da Cisjordânia, do restante de Israel e do mundo em sua totalidade faz com que o horror das mortes, tanto de árabes quanto de judeus caminhe em paralelo, embora não em igualdade, pois a vida humana é preciosíssima, ao horror de saber que um reduto da história de tantos povos possa ter sofrido tão graves danos por conta das desmedidas ações de um grupo com o fogo do ódio em seus corações. José não depende da estabilidade de seu sepulcro para descansar em paz, pois sua vida já repousa nas mãos de Deus. A destruição do lugar de sua memória soa a um gesto contra aquele que foi chamado para um propósito, foi desprezado por seus irmãos, sofreu a injustiça e o dano e, no entanto, soube perdoar e ainda servir. As chamas não queimaram o exemplo. Muito menos esvaziaram o tipo que nos aponta um serviço maior, mais abrangente porque é universal, prestado por nosso amado Jesus, também Ele filho de Abraão segundo a carne, também Ele caminhante sobre aquelas hoje tumultuadas terras, sendo Ele hoje e sempre o Príncipe da Paz. NEle, nossa esperança, aguardamos ventos mais amenos e aromas mais doces ainda para este Outono em Israel. Haja paz sobre Jerusalém!

Por, Sara Alice Cavalcante (dezembro 2015).

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