Aprisionados pela embromação

Aprisionados pela embromaçãoOs versículos 15 e 16 de Gênesis 19 fazem parte da história do livramento dado por Deus ao justo Ló, quando da destruição de Sodoma e Gomorra. Porém, tomo o referido texto no sentido de fazer uma reflexão específica sobre uma condição que infelizmente aflige inúmeras pessoas, levando-as a prejuízos econômicos, sociais, familiares, profissionais e espirituais. Trata-se da morosidade, da embromação, do embaraço diante das ações que se apresentam urgentes. O registro sagrado destaca: “como, porém se demorasse”.

Por prisma contraditório, já li e já ouvi citações e axiomas que fazem referência à necessidade de observarem-se criteriosamente os projetos e ideais para que as ações não sejam precipitadas. Decisões impensadas podem redundar em prejuízos também. Logicamente quando existe urgência para tomadas de atitudes, não significa que as tais dispensem de antemão, a prudência, a avaliação dos riscos ou a percepção se os projetos são sólidos e de expectativas de bons resultados. Podemos então deduzir que tanto a precipitação quanto a morosidade são dois polos que precisam ser evitados.

No relato da destruição de Sodoma, o cronista sagrado relata que quando Ló já havia recebido a noticia do projeto Divino, tanto em destruir as cidades quanto em dar livramento para seu servo, ele tentou então convencer os seus futuros genros que os mesmos também deveriam abandonar aquele lugar. Os tais não creram, pois assim como os demais sodomitas eles não conheciam o Deus de Ló. Aí começou a embromação.

E assim mesmo na hora de abandonar a cidade, Ló em nada se apressa, quem sabe por um apego ao que deixaria para trás ou mesmo por alguma ambivalência dos seus sentimentos relacionados ao seu futuro.

O fato da embromação em projetos urgentes faz-nos pensar em alguns conselhos das Escrituras Sagradas:

Sobre a preguiça – “O que trabalha com a mão displicente empobrece, mas a mão dos diligentes enriquece” (Provérbios 10.4) . Tanto as irresponsabilidades, bem como a morosidade em tomar as iniciativas ofuscam a referência que o mundo tem em relação ao cristão. Espera-se que o cristão seja ativo e determinado. Propaga-se que o cristão é corajoso e confiante. Não se admite um cristão sem iniciativas, ensurdecido e cegado pela preguiça. Protelando o que se deve fazer chegam-se as mais absurdas desculpas: “um leão está no caminho; um leão está nas ruas” (Provérbios 26.13). Em outra passagem, a advertência: “Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás do teu sono? Um pouco para dormir, um pouco para tosquenejar, um pouco para encruzar os braços em repouso…” (Provérbios 6.9, 10).

Sobre o desânimo – Quando Josué propôs opção ao povo de escolha entre os ídolos e o Senhor Deus, ele foi incisivo e entendia que não podia oportunizar que as decisões fossem proteladas: “escolhei hoje”, disse ele (Josué 24.15a). Ocorre que Josué conhecia o plano do Senhor para o assentamento dos colonos hebreus, tanto quanto as variáveis que envolviam todo o processo para a estabilidade da nação na terra de Canaã. Israel precisava derrotar os inimigos, fortalecer-se economicamente, consolidar suas fronteiras, abrir espaços comerciais com outros povos, sedimentar vínculos sociais entre o seu povo, fazer plantios e colheitas, e servir ao Deus Verdadeiro que os havia conduzido para realização de algo novo e promissor. Então, Josué não podia, de forma alguma, adiar decisões importantes como esta que foi proposta. Nesta proposta estava a base de todas as demais.

Contextualizando, podemos elencar diversas situações em que se fazem necessárias atitudes mais rápidas, ainda mais quando Deus já deu um norte para os seus servos fazendo algum tipo de indicação, ou por meio da Palavra ou por meio de algum sinal especifico. Uma guinada na vida profissional, a retomada dos estudos que foram abandonados, uma decisão em relação aos bens patrimoniais e que não passaram de análises e cálculos sem que se tomasse atitude para realização de algo que resultasse em lucros e preservação das bênçãos advindas dos céus!

Gideão, em seu tempo, não perdeu a chance de fazer algo inusitado para livrar a colheita, depois de tanto trabalho e sofrimento. Foi malhar o trigo no lagar para livrar das mãos dos Midianitas. Deus enviou-lhe um mensageiro com um projeto e uma saudação considerando-lhe como sendo um varão valoroso, em vista de tal atitude. O projeto fora criado pelo Senhor e o escolhido para realizá-lo era Gideão. Restava-lhe então obedecer sem mais delongas, restava-lhe romper as cadeias dos embaraços e correr para concretizar a libertação dos hebreus oprimidos pelos Midianitas. Ele precisava ser decidido e estar encorajado. Não podia embromar!

Sobre a incredulidade – Uma das condições que mais desagradam ao Senhor é quando diante de obstáculos os homens olham apenas para as possibilidades previsíveis, esquecendo que há um Deus cujo poder destrói as situações imprevisíveis e faz as impossibilidades se romperem. No projeto com Josué, em nenhum momento o Altíssimo afirmou que os hebreus iriam “tomar pirulito de criança”. Mas Ele disse: “Não pasme nem te espante”. A condição era crer em qualquer circunstância, contanto que continuassem seguindo a Sua direção Ele garantiria o êxito.

Muitos embromam, porque não podem crer. E sem fé é impossível agradar a Deus (Hebreus 11.6). Há os que só avançam quando visualizam as condições favoráveis, e isto não é fé.

Portanto esse tipo de aprisionamento não é Deus quem vai romper. É a atitude de cada um. É a disposição individual. Como disse Paulo: “Todo o atleta em tudo se domina; aqueles, para alcançar uma coroa incorruptível; nós, porém, a incorruptível. Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar” (1 Coríntios 9.25, 26).

Não se permita que, enquanto o mundo “acontece” ao teu redor, você fique aguardando um anjo lhe acordar, e diante das embromações para caminhar em frente espere os enviados celestiais te tomarem pela mão, pois do contrário ainda você permanecerá pasmado. Amém!

Por, Paulo Gonçalves.

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