Ao lugar do trombeteiro

Ao lugar do trombeteiroNa ocasião do achado arqueológico da grande pedra de esquina com a inscrição hebraica “ao lugar do trombeteiro”, entre as ruínas do antigo Templo, apenas confirmou-se o hábito, conhecido pela tradição, de que, nas vésperas das festas e no Shabat, o Chazam (lê-se ‘rrazam’) subia a uma parte alta do edifício para conclamar as pessoas a guardarem aquele dia especial que estava por iniciar.

Nos dias de Jesus, o toque era seguido por outros toques, do alto das sinagogas, de onde outros judeus, especialmente designados para o ofício, ratificavam a multiplicavam a anunciação – com uma diferença: da torre do Templo, o Chazam tocava uma única vez; dos telhados das sinagogas, seis toques reverberavam. O primeiro chamava os obreiros dos campos das circunvizinhanças a cessarem todo o seu trabalho; o segundo dava aviso às lojas para que cerrassem suas portas; o terceiro anunciava às mulheres que era hora de retirarem as panelas de seus fogões, embrulhando-as bem, para que mantivessem o calor pelo maior tempo possível. Quanto aos outros três toques, emitidos sucessivamente, prenunciavam que o descanso iria começar. Tanto ao trombeteiro do Templo quanto aos seus cooperadores, não se lhes permitia descer com o Shofar, ficando o instrumento no lugar do trombeteiro até que, ao fim do sábado ou da festividade, fosse de lá retirado.

O gesto ganhou novidades na Idade Média, quando judeus piedosos passaram a guardar o costume de vestir suas melhores roupas e saírem em procissão pela cidade em que habitassem para saudar a chegada do dia especial. Aliás, o sábado, tido como uma rainha, era invocado através de cânticos terminados com as expressões: “Venha a noiva! Venha a noiva! Venha, amigo, encontrar a noiva!”.

Anúncios desde Jerusalém, sejam ele proferidos desde o alto do Templo ou dos telhados das sinagogas, repercutem de maneira especial. Não tem razão, uma vez que o Senhor escolheu esta cidade para assentar o seu trono. Qualquer acontecimento aqui, mesmo o menor, pode alcançar as manchetes mundiais e interferir nas vidas das pessoas ao redor do mundo. Quando o Primeiro Ministro Benyamin Netanyahu declarou, na 68ª Assembleia Geral da ONU que “se Israel é obrigado a ficar sozinho, Israel estará sozinho. No entanto, em pé sozinho, Israel vai saber que estará defendendo muitos, muitos outros”, temos podido ver como as proclamações não apenas de Jerusalém, mas sobre Jerusalém agitam os povos e provocam reações diversas em toda parte.

Alguns alcançam dimensão profética, nos lábios dos homens cujos olhos estão fixos nos acontecimentos mundiais, ao mesmo tempo que contemplam as páginas das Escrituras Sagradas. Por exemplo, o que disse Juha Ketola, pastor Assembleiano na Finlândia, por ocasião da festa dos Tabernáculos promovida pela Embaixada Internacional Cristã em Jerusalém: “Coisas fantásticas estão acontecendo. Na América Latina e África 100 mil pessoas moveram bandeiras a favor de Israel. Há comunidades na África do Sul que oraram por Israel. […] Há árabes cristãos orando por Israel. No Niger, no Senegal (que tem 90% de muçulmanos), no Mali, em Guiné, em Gâmbia, Serra Leoa, em Burquina… […] pessoas enviam a Israel suas poderosas orações. Isaías nos manda trazer palavras  de esperança ao povo judeu. Há um povo, que conhece o seu Messias, que sabe que foi chamado para consolar, para lembrar, para dizer: fui criado para louvor da Sua glória.” Acrescentando o número citado pelo pastor Ketola, o dia Internacional de Oração por Israel, primeiro domingo de outubro, reuniu 9 milhões de intercessores, na proclamação do Altíssimo que moveu os principais líderes de oração de Israel no mesmo propósito – orar pela paz em Jerusalém.

Já o presidente da African Christian Democratic Party, RSA, Kenneth Meshoe, chamado a falar durante as festividades, disse em tom emocionado: “Faço hoje uma declaração: Temos ouvido o que as Nações Unidas têm dito sobre Israel. Apesar daquilo que eles dizem, estamos firmados na Palavra de Deus. Jerusalém: norte, sul, leste, oeste, é a capital eterna e indivisível do povo judeu. […] Isto está de acordo com este Livro, segundo o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó; o Deus Todo Poderoso, o Deus que não dorme. Amigos, nós os amamos. Não há arma forjada  contra vós que possa prosperar. Tentarão, mas não prosperarão. Mesmo através do fogo, porque o Deus de Jacó está convosco. Deus os abençoe.”

Assim, os proclamadores sobre os telhados profetizam vida a Israel, enquanto cooperam o o trabalho de Allyah (subida, retorno) de judeus à terra da promessa. Desde a queda do muro de Berlim, somente uma organização cristã ajudou a trazer 150 mil judeus. Disse o seu diretor: “Nós cremos acima de tudo que é promessa de Deus. Não importa quão longe estejam – é trabalho de Deus, é trabalho nosso – segundo a Palavra, carregá-los nos ombros. Para cada missão. Deus dá um coração. Somos privilegiados por sermos participantes do processo de retorno. Quem já ouviu tal coisa? Depois de 2700 anos, uma tribo encontrou o caminho de retorno – mas é o Deus de Israel que os está trazendo de volta. Esse mês podemos trazer mais 300 deles. São judeus da Índia, da tribo de Manassés, que serão estabelecidos na Galileia, porque é terra de Manassés. Ainda há 7000 deles esperando para serem trazidos. Eles esperam para retornar. Somos privilegiados porque as páginas da Bíblia se tornam vivas, elas ganham vida, caminham diante dos nossos olhos. Cristãos carregando os judeus nos ombros, trazendo-os de volta, conforme profetizou Isaías. Continuem a trazer, com suas orações e contribuições. Ainda há muitos precisando retornar”.

Soa o toque do trombeteiro desde o seu lugar enquanto as nações preparam-se para guerrear contra Israel, Jerusalém prepara-se para o retorno de Seu Rei e a própria casa de Israel, sem o saber, anuncia já à Noiva o tempo de seu conforto e libertação. Enquanto o toque final não ressoa, trabalhadores no campo, nesta última hora, esforçam suas mãos.

Por, Sara Alice Cavalcante.

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