Amor reverberado em avisos a Israel

Amor reverberado em avisos a Israel“E, pela manhã cedo, levantaram-se e saíram ao deserto de Tecoa; e, ao saírem, Josafá pôs-se em pé, e disse: Ouvi-me, ó Judá, e vós, moradores de Jerusalém: Crede no Senhor vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas, e prosperareis” (2 Crônicas 20.20).

O versículo com o qual iniciamos esta coluna é, frequentemente, usado por pregadores não éticos para constranger audiências despreparadas a crerem em pretensas profecias; também se tornou ferramenta para os apologistas da prosperidade, que tomam a fé em Deus como garantia de lucro pessoal e de pleno sucesso em todas as áreas da vida. Quão distante ficam os que assim se valem do versículo do contexto em que ele foi proferido! Jeosafá dirigiu-se a um povo preocupado com uma grave ameaça de invasão por parte de seus inimigos históricos, Moabe a Amom. Diante da possibilidade de um verdadeiro massacre, o rei clama ao Senhor e recebe palavras reconfortantes que logo quer transmitir aos seus irmãos. A prosperidade a que se refere trata de estar seguro e de obter vitória contra seus opositores. Prosperaram, conforme a Palavra, sendo guardados por Deus, derrotando o mau e conservando a vida e a fé. Prosperaram, igualmente, as afirmações inspiradas de Jeosafá – quando o Senhor se manifesta a nós, convém crer. Aquele que crê prosperará em seu caminho, sendo o contrário verdadeiro, pois àquele que rejeita o direcionamento celestial estão reservados múltiplos problemas e até a morte.

Os judeus foram descuidados quanto às orientações do Eterno em diversas ocasiões. Que dizer do profeta Jeremias, anunciando a dominação Babilônica e advertindo o povo a não resistir, sujeitar-se e viver? Também podemos lembrar, a título de exemplo, do aviso feito por Jesus de que a Cidade Santa seria cercada de inimigos: “Quando virdes Jerusalém sitiada por exércitos […] fujam para os montes”. De fato, no ano 70, quando o imperador Tito chegou com suas tropas, sobreviveram os judeus que lembraram do cuidadoso aviso do Mestre e correram, deixando tudo, para abrigarem-se nos lugares altos. Aqueles que não deram ouvidos sofreram terrivelmente. De igual modo, o Senhor usou vozes que foram verdadeiros mensageiros para dar livramento aos judeus alemães. O sionista Jabotinski declarou: “Vejo destruição. Corram para salvar suas vidas”. Sua voz uniu-se a de outros sionistas que previram a catástrofe que se abateria sobre a casa de Israel. Muitos, no entanto, retrucaram dizendo: “Somos mais alemães do que judeus. Esta civilizada nação jamais faria alguma coisa contra nós”. Aqueles que deram ouvidos às chamadas de alerta salvaram suas vidas.

A Escatologia revela um corolário de alertas, nenhum dos quais pode ser desprezado. Cabe ao crente conhecer e crer naquilo que foi revelado, guardar em seu coração, transmitir sempre que lhe for dada a oportunidade e aguardar seu cumprimento. Um somatório de evidências, à luz do Espírito Santo, dará ao fiel os sinais para que reconheça, na ocasião, o cumprimento da profecia e proceda da maneira como lhe foi orientado pelas Escrituras.

Podemos comparar a vida do cristão a um homem que navega um barco a remos dotado de dois remos. Com o remo posicionado à sua direita, conduz a embarcação na plena confiança de que o retorno do Senhor é iminente e que deve estar pronta e completamente preparado para o encontro com Ele nos ares. O remo direito é forjado pela fé na realidade celestial e pela esperança nas promessas do Senhor – através delas toda a navegação ganha um aspecto de transitoriedade, o que lhe permite viver alegre, mesmo em dias maus, pois sabe que tudo o que sofre é passageiro. O remo esquerdo, no entanto, vive a realidade diária, planeja o futuro, projeta realizações que farão diferença em sua vida e em outras vidas. Aí está o aprimoramento pessoal através de cursos, de concursos, de viagens. Aí estão igualmente o cuidado com a saúde, os planejamentos cuidadosos, a previdência. Mantendo essa perspectiva, o jovem sonha, casa, tem filhos, constrói uma casa e ajuda a edificar um templo. Com coragem e submissão à soberana vontade de Deus, que são as matérias primas desse outro remo, trabalha enquanto o Senhor não vem, a Ele tudo ofertando. Para uma boa navegação, nenhum dos remos pode ser desprezado.

O desequilíbrio quanto aos alertas levou alguns cristãos a um estado de expectativa inerte por alguns dias dos meses anteriores. Sinais nos céus, somados a um conjunto de dados não desprezíveis, sinais na Terra, o crescimento do mal e as articulações dos líderes das nações não deixavam e não deixam dúvidas de que o arrebatamento está próximo. Nem mesmo podemos afirmar que a publicação deste jornal chegará a acontecer. No entanto, linha por linha, ele continua a ser elaborado dentro da possibilidade de ser impresso. É trabalho do Santo Espírito promover em nós, a cada geração, a certeza do retorno do Senhor e de manter-nos naquela espera ardorosa que desperta em nós o desejo de nos santificarmos, de nos prepararmos para subir, a qualquer hora, a qualquer momento. Provavelmente, são muitos os desatentos a quaisquer avisos, mas existem, igualmente, aqueles que, pela preocupação ou pela leitura equivocada dos sinais, acabam esquecendo que a Igreja caminhou até nossos dias guardando uma prática de vida que concilia a certeza absoluta da iminência com a responsabilidade inadiável de cumprir os desafios do hoje. Há escolas a serem erguidas, campos missionários a serem abertos, sermões que precisam ser pregados e corações, ainda, a serem semeados com o Evangelho. Hoje, estamos mais próximos do arrebatamento do que estiveram nossos pais. As orientações para procedermos nestes dias já nos foram dadas e resta-nos aguardar confiantemente, sem jamais esmorecer.

Nos dias de Jesus alguns judeus haviam desistido de esperar o Messias. Não foram todos, absolutamente. Muitos o reconheceram, outros permanecem aguardando. Ainda assim, por Seu imenso amor, os alertas continuam sendo dados a Israel, como a insistente advertência a não depositar suas expectativas no socorro de outros povos. A estranha tendência de confiar nas propostas de nações e de organismos internacionais somente pode gerar frustração. Retornando às palavras de Jeosafá, antes de defender a confiança na palavra profética, o rei enfatiza a fonte dessa mesma confiança: crede em Deus e estareis seguros. Somente aquele que crê em Deus dá atenção às Suas palavras e, no dia mau, está guardado. A confiança no Senhor livra-nos de desprezar mesmo o menor dos avisos e, ao mesmo tempo, permite-nos prosseguir em perfeita paz.

Por, Sara Alice Cavalcanti.

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