Amor numa perspectiva bíblica

Amor numa perspectiva bíblicaDurante a história da teologia muitos teólogos tentaram definir o conceito da palavra amor. Muito foi escrito na tentativa de alcançar um senso comum na definição desta palavra tão relevante nos cristianismo, e uma das bases da Bíblia Sagrada.

Filósofos, poetas, estudiosos e leigos, empenharam esforços neste mister, mas pelo que percebe-se, nunca chegaram a um denominador comum. O que fica muito claro, é que todos nós devemos nos amar assim como Cristo nos amou e ordenou. Mas como podemos exercitar o amor sem antes conceitua-lo?

Nesta busca pelo significado, o único registro bíblico que define a palavra amor de maneira muito objetiva e direta, é 1 João 4.16: “Deus é amor…”. O texto é claro ao definir que Deus é amor, e tomo a liberdade de alterar a ordem e afirmar que o amor é Deus, ou o amor encantado. Mas nasce neste momento outra questão: Quem é Deus? – tarefa difícil e profundamente complexa. Deus não pode ser conceituado, pois não pode ser analisado. Conhecemos Deus através de Seus atributos, mas não por uma análise objetiva. Sabemos de Suas ações, mas não vemos Suas mãos. Sentimos Sua presença, mas não O vemos. Testemunhamos de Suas manifestações, mas não podemos estudá-lO como divindade em um tubo de ensaio.

Sendo assim, percebe-se que não é tarefa fácil definir o amor, assim como não é fácil definir Deus. No entanto, é possível definirmos comportamentos originados de quem ama, assim como definimos atributos de Deus. Partiremos então para uma análise simples, de algumas passagens, principalmente nas referencias a Jesus, que revelam comportamentos de quem ama.

Quem ama se coloca no lugar do outro – “Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados” (Isaías 53.5 – ARC). Acredito que muitos dos conflitos no relacionamento humano, seriam evitados se antes de falarmos, agirmos ou reagirmos, nos colocássemos no lugar do outro.

Quem ama defende o outro – Quem ama não só deseja o bem, mas protege do mal. Jesus orou assim: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (João 17.15 – ARC).

Quem ama doa o melhor para o outro – “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16 – ARC).

Que ama produz vida para o outro – “O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10.10 – ARC). Deus nos chamou para um ministério de vida, para gerarmos vida no outro, para restaurarmos os feridos. Mas infelizmente há quem produza morte no ceio da igreja ou da família.

Quem ama está disposto a sofrer pelo outro – “Verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido” (Isaías 53.4 – ARC). A ciência está à procura de exterminar a dor. Todos nós não desejamos o sofrimento. Mas por mais paradoxal que pareça, uma das formas de avaliar o nível de amor pelo outro, é aferido no quanto estamos dispostos a sofrer pelo bem do próximo. Uma das maneiras mais claras de viver o cristianismo é suportando os mais fracos, conforme Romanos 15.5.

Quem ama renuncia a si mesmo pelo outro – “Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Filipenses 2.7 – ARC). Quantas vezes somos obrigados a renunciar nossos desejos, vontades, prazeres ou projetos para mantermos a boa convivência com nosso próximo. O tradicional jargão de que não devemos levar desaforos para casa, é rechaçado pela presente vontade.

Quem ama pensa coisas boas para o outro – “Porque eu bem sei que pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que esperais” (Jeremias 29.11 – ARC).

Quem ama declara que ama o outro – “Há muito que o Senhor me apareceu, dizendo: Com amor eterno te amei; também com amável benignidade te atraí” (Jeremias 31.3 – ARC). A verbalização não deve ser banalizada, mas também não deve ser abandonada.

Quem ama quer o bem do outro – “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Marcos 11.28 – ARC). O sentimento de inveja ou maldade não deve habitar no coração de quem ama. Quem ama projeta o bem e trabalha em favor disso.

Quem ama perdoa o outro – “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1.9 – ARC).

Quem ama surpreende o outro – “Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiu ao coração do homem são as coisas que Deus preparou para os que o amam” (1 Coríntios 2.9 – ARC).

Quem ama colhe os frutos semeados no outro – “O trabalho da sua alma ele verá e ficará satisfeito; com o seu conhecimento, o meu servo, o justo, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si” (Isaías 53.11 – ARC).

Quem ama escolhe/decidi amar – “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda” (João 15.16).

Quem ama acredita no outro em tempos difíceis – “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim” (João 14.1). Jesus nos convoca para a trilha da credulidade. Um dos problemas da sociedade presente é a incredulidade. E lembremos que sem fé é impossível agradar a Deus (Hebreus 11.6).

Quem ama espera o outro, no tempo do outro – “… tudo espera…” (1 Coríntios 13.7). Cada um de nós possui um ritmo, uma cadência. O preço de se andar acompanhado, muitas vezes é ter que andar mais devagar.

Quem ama obedece o limite do outro – “…tudo suporta” (1 Coríntios 13.7). Todo ser humano possui seus limites, e estes precisam ser respeitados.

Quem ama serve o outro – “…não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal…” (1 Coríntios 13.5). O verdadeiro amor leva o maior a servir o menor como Cristo. O Evangelho gera servos, salvos para servir voluntariamente seu próximo. Não por obrigação, mas por gratidão ao Senhor que se revelou e transformou sua vida.

Quem ama diz “não” – “Filho meu, não rejeites a correção do SENHOR, nem te enojes da sua repreensão. Porque o SENHOR repreende aquele a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem” (Provérbios 3.11-12).

A maior expressão de amor é tornar-se vulnerável pelo outro – O ato de se entregar é a maior expressão de amor do universo. Só podemos experimentar a totalidade do amor, quando deixamos nosso conforto, nosso direito, para que o próximo desfrute de algo melhor. Jesus fez isso, conforme Filipenses 2.7. “Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens”.

Por, Ivan Tadeu Panicio Junior.

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