Amigo de Deus ou namorado do mundo?

Amigo de Deus ou namorado do mundoO desejo de Deus e Seu projeto é que o homem seja seu amigo. O Senhor sempre procurou manter com os seres humanos contato pessoal e permanente. Podemos citar o exemplo do patriarca Enoque que, segundo a Bíblia Sagrada, “andou com Deus” (Gênesis 5.2124). Depois veio Noé que “achou graça diante de Deus”, inclusive o poupou juntamente com seus familiares da morte pelo dilúvio que destruiu o mundo daqueles tempos. Mas devemos refletir em um princípio que norteia a amizade entre duas pessoas: somente o compartilhamento de intimidades é que solidifica a amizade entre pares. Ao lermos a Palavra de Deus, deparamo-nos com Abraão que devido a sua notável intimidade com o Criador, recebeu a alcunha de “amigo de Deus”. Tamanha era a comunhão entre os dois que o próprio Senhor disse que não ocultaria Seus propósitos ao Seu amigo. Mais à frente vemos o líder Moisés como amigo íntimo de Deus, pois com ele falava “boca a boca” (Números 12.8). O rei Davi ficou conhecido como o “homem segundo o coração de Deus” (Atos 13.22).

Através do ministério salvífico de Jesus em favor da humanidade, nós tivemos a oportunidade de construir amizade com Deus de modo mais fácil, não pontualmente como no Antigo Testamento. Nestes tempos da graça divina, todos os homens podem se tornarem amigos de Deus. Jesus declara aos Seus fiéis: “Ninguém tem maior amor do aquele que dá a sua vida pelos seus amigos! Vocês serão meus amigos, se fizerem o que eu lhes ordeno. Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu lhes tornei conhecido” (João 15.13-15). Com certeza, uma amizade não é construída da noite para o dia. O relacionamento é edificado com base no amor, e quando a Bíblia fala em caridade, como vemos em 1 Coríntios 13, podemos compreender que o apóstolo Paulo está falando na prática ou no exercício do amor. Para se concretizar uma amizade é necessário algum tempo de relacionamento e as partes envolvidas precisam estar de acordo, tendo os mesmos sentimentos, andando nos mesmos princípios e comungando com os mesmos ideais. Deus é uma pessoa dotada de caráter, virtudes e atributos, e nós devemos ser semelhantes a Ele, mas devemos atentar que apresentamos defeitos de caráter, algo que foge ao nosso Criador, contudo a Sua misericórdia e a obra redentora de Cristo Jesus, nos conduz ao status de sermos seus amigos e, como os heróis da fé, mantermos um relacionamento duradouro e santo com nosso amoroso Salvador.

Não há como ser amigo de Deus e ao mesmo tempo ser “namorado” do mundo. A pessoa que deseja amar a Deus e é aliançado com o mundo, não ama a Deus, pois não é possível manter amizade com Deus e simultaneamente ter relacionamento com o pecado. A amizade é uma construção promovida por um relacionamento próximo em que as pessoas se conhecem, professam sentimentos semelhantes e passam a se amar mutuamente, tornando-se amigas. Em nossos dias estamos acostumados ouvir pessoas dizerem, quando mencionam o seu relacionamento afetuoso: tal pessoa é meu namorado ou namorada. Dando a entender que o relacionamento é experimental e não permanente. Quem namora, procura apenas conhecer a outra pessoa e verificar se realmente vai dar certo o relacionamento. Há muitos crentes que se comportam diante de Deus como namorados e não amigos. Não conseguem se entregar totalmente ao amor de Deus, porém demonstrar sentimento ao que o pecado tem para oferecer. O prazer de tal pessoa não está mais na lei do Senhor, como escreveu o salmista. Falta dedicação aos cultos no templo por causa de seu time quando entra em campo para jogar ou quando “sobra tempo” para dedicar-se a Deus.

Quando sobra tempo vai ao templo e se o seu time joga, não pode assumir compromisso com a Igreja. Até dentro dos templos e mesmo em horários de cultos, os namorados do mundo costumam não desligar seu celular porque precisam acompanhar os gols de seu time do coração. Que aberração, eu quero crer que isto é uma imaginação e me causa grande temor, pois a Palavra diz que o Senhor Jesus chegou ao templo e encontrou os crentes comprando e vendendo, que na verdade, era uma das atividades dos judeus, que até nossos dias são bons negociantes. O Senhor virou suas mesas e mostrou-lhe um chicote. Não era tempo de negócios e a sua casa era chamada casa de oração. E quando o negócio é outro, como namoro, flertes, jogos, intrigas, fofocas que os crentes usam o horário do culto para fazer? Quando acontece isto, penso que o Senhor Jesus não pode abençoar o Seu povo, para mostrar a Sua glória e usar o pregador para lhes falar boas palavras, mas deseja tomar o azorrague para acoitá-los. E o convite do amigo ou o jantar no seu trabalho tem mais importância do que o seu culto a Deus na sua congregação. E aqueles que há tempo galanteiam às escondidas as colegas de trabalho ou outras pessoas que por estar longe, julga que ninguém saberá. E os jovens crentes que entendem que não há entre a mocidade da Igreja alguém que possa construir um futuro lar e busca entre os jovens de fora, pessoas que professam outra fé para se unir em casamento. Muitas moças fiéis pensam que não se casarão e buscam os mundanos para se unir e negam a sua fé. Amam mais o namorado do que ao Senhor. Assim como ninguém gostaria de ter um amor dividido, o Senhor também não suporta um amor de segunda classe, compartilhado. Já é comum ouvir alguém dizer: “quando eu vivia no primeiro amor…” Eu pergunto: com que amor esta pessoa serve a Deus hoje?

O Senhor falou ao povo de Israel através do profeta Oséias que não tolera tal situação entre o Seu povo e os considerava como adúlteros e infiéis. O Senhor já provou o Seu amor para conosco quando deu o Seu filho ao mundo para que Ele morresse na cruz pela salvação dos homens, como diz: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16). Portanto, hoje nos resta amá-lO de todo o coração para que então possamos construir uma amizade com Ele e tenhamos o privilégio de sermos também chamados de “Amigos de Deus.” O Apóstolo João, que era chamado o “discípulo a quem o Senhor o amava”, escreveu em sua primeira carta muitas boas palavras falando sobre o relacionamento com Deus e nossa amizade com Ele dizendo: “Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo – a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida – não provêm do Pai, mas do mundo. O mundo e passa e a sua concupiscência, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1 João 2.15-17). Portanto, se o Senhor é uma pessoa que busca um relacionamento permanente com o homem, devemos fazer o possível para construir uma amizade com Ele. Tiago escreveu dizendo: “Chegai-vos para Deus e ele se chegará a vós. Limpai as mãos, pecadores e vós de duplo ânimo, purificai o coração” (Tiago 4.8). Nós costumamos dizer que a carta de Tiago é um verdadeiro manual prático da vida espiritual do crente, amigo de Deus. Ela é encerrada com a palavra “pecado,” e nos parece proposital, pois o pecado é o instrumento do nosso adversário que é usado para destruir vidas, como um vírus que produz doenças a ponto de matar a vida física da pessoa humana. Ele não é visto, mas é poderoso para destruir toda uma estrutura saudável da pessoa. Assim também o pecado é imperceptível, mas age sorrateiramente e quando se percebe já destruiu as defesas de todo o corpo e matou a vida, a amizade e comunhão com Deus.

Por, Domingos Floreni Lamberty.

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