Alzheimer: orientações às famílias

Alzheimer - orientações às famíliasA demência é classificada como uma desordem mental de caráter neurodegenerativo que atinge o Sistema Nervoso Central. A doença de Alzheimer é uma forma de demência mais prevalente que acomete pessoas idosas e é definida como a perda progressiva e persistente de múltiplas áreas das funções intelectuais.

De acordo com a evolução, a doença de Alzheimer é dividida em três fases distintas: inicial, intermediária e final. Este artigo objetiva abordar as características e sugerir orientações nas fases representativas da fase evolutiva desse quadro demencial.

A longevidade é uma das grandes conquistas do século 20 que, juntamente com a queda da natalidade, vem ocasionando um visível envelhecimento da população mundial. Diante desse quadro, espera-se o aumento da prevalência de doenças próprias da terceira idade, como as cardiopatias, artrites, nefropatias, diabetes, osteoporose e doenças neurológicas degenerativas.

A demência é hoje o problema de saúde mental que mais rapidamente cresce e sua prevalência aumenta exponencialmente com a idade, chegando a 20% em idade superior a 80 anos. Sua incidência anual também cresce sensivelmente com o envelhecimento de 0,6% na faixa dos 65-69 anos para 8,4% acima dos 85 anos. É fundamental, portanto, que os profissionais da saúde estejam capacitados para diagnosticar e monitorar a evolução do quadro clínico desses pacientes.

O Brasil acompanha o cenário mundial, apresentando a transição demográfica rumo à senilidade. Estima-se que existam cerca de 1,2 milhões de idosos com algum quadro demencial. As síndromes demenciais geram grande impacto e consequências negativas aos pacientes, seus familiares, cuidadores e, por extensão, a sociedade. Dentre as síndromes mentais senis, a mais conhecida e a doença de Alzheimer, que compromete três grandes parâmetros: a cognição (memória, linguagem, raciocínio e atenção), a funcionalidade (afetando atividades da vida diária como vestir-se, tomar banho, escovar os dentes, alimenta-se, fazer cálculos) e o comportamento (alterações de humor como a depressão, agitação, agressividade).

A doença de Alzheimer chega a atingir cerca de 40% das pessoas acima de 85 anos. A incidência é superior em negros e hispânicos, e acomete em maior número as mulheres. Apresenta etiologia desconhecida, podendo estar associada a fatores como idade avançada, sexo, grau de escolaridade, ocupação profissional, história familiar, doença cérebro vascular infarto do miocárdio, defeitos imunológicos, alterações metabólicas, fatores genéticos (cromossomos 1, 14, 19 e 21 síndrome de Down), traumas cerebrais decorrentes de quedas, tumores, infecções, e a carência de boa qualidade de vida (desnutrição, drogas, tabagismo, hipertensão, etilismo, elevadas taxas de colesterol no sangue).

O tratamento da doença está baseado na estratégia terapêutica em três pilares, pois não há a cura: melhorar a cognição, retardar a evolução e tratar os sintomas e as alterações de comportamento. A ação medicamentosa visa à estabilização do quadro em si e diminuição de alguns sintomas decorrentes da evolução da doença.

A doença de Alzheimer tem um curso clínico que varia entre 8 a 10 anos a partir da descoberta na fase inicial. As características individuais de cada fase da doença são determinantes para elaboração de um plano de tratamento. O contato com o médico do paciente deve ser estabelecido desde o início.

Fase inicial

Os estágios iniciais da doença que podem durar de 0 a 4 anos e são caracterizados pela perda da memória recente, como esquecimentos, falta de habilidade em aprender e reter novas informações, problemas na comunicação (linguagem), erros de julgamentos e progressiva dificuldade em realizar atividades diárias, normais, como ações de higienização. Nessa fase da doença, os pacientes apresentam geralmente quadro clínico que dificulta um diagnóstico preciso. O planejamento do tratamento e a preservação das condições clínicas devem se antecipar a futuros problemas de saúde bucal nesses pacientes. É importante ressaltar que o treinamento de cuidadores e familiares são mais aceitos nessa fase: portanto, todo investimento em tratamento e manutenção e saúde bucal é de extrema importância. Com o passar do tempo, aumenta a dificuldade de higienização e aceitação do paciente para realização dos procedimentos clínicos.

Fase intermediária

Com a progressão da doença, a fase intermediária dura de 2 a 8 anos a partir do diagnóstico. Ocorrem com frequência perdas cognitivas adicionais, distúrbios na linguagem, repetição das palavras, interferências nas atividades ocupacionais, incapacidade de autocuidado, alto risco de acidentes secundários, agitação, falta de compreensão e atitudes agressivas. Deve-se estar bastante atento, pois nesse estágio já ocorrem dificuldades de expressão de linguagem, principalmente em relação à dor. Inicia-se, então, uma fase de semi dependência em relação às atividades de vida diária, fato que gera necessidade de auxílio para realização da higienização, condição essencial para manutenção das condições favoráveis a uma boa saúde. Também se inicia o estabelecimento da falta de cooperação do paciente em aceitar as intervenções. A partir desta fase pode-se iniciar uma maior interação como paciente, e a família e todos os profissionais de saúde.

O planejamento caracteriza-se pela atenção às principais necessidades, com o intuito de remoção de possíveis problemas, e principalmente a eliminação de qualquer fator possível determinante de dor, perda de memória recente.Também pode ocorrer agressividade e ansiedade. Nessa fase é comum o risco de desnutrição. O progresso gradual leva o paciente ao coma e a morte. As condições mínimas de saúde bucal devem ser priorizadas. Sabe-se da relação de focos de infecção dentária e sua repercussão na saúde geral, bem como óbitos relacionados à pneumonia aspirativa, muitas vezes, por falta de condições bucal favoráveis desses pacientes.

Os pacientes idosos dependentes em domicílio, casas de repouso, hospitais e na terapia intensiva merecem atenção intensiva e permanente.Tratamentos complexos e demorados devem ser evitados nesta fase. Verifica-se que a maioria dos cuidadores não apresenta capacitação adequada para a realização de certos procedimentos referentes à manutenção da saúde desses pacientes. A melhoria da qualidade de vida do paciente, preservando sempre a integridade e proporcionando conforto e bem-estar ao mesmo.

Por, Marcos Romano.

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