A redenção em Jesus Cristo na história

A redenção em Jesus Cristo na históriaRestauração, redenção e renovação fazem parte da obra de Deus no homem, face ao pecado que perturbou as relações do homem com seu Criador. A salvação depende de Deus por completo e é conhecida por Deus desde toda a eternidade, o que conduz nosso pensamento retrospectivamente ao conselho eterno de paz e ao pacto da graça, que Deus estabeleceu como provisão para a redenção dos homens caídos, como lemos na Bíblia.

Deus se revela ao vir ao nosso encontro para nos salvar, e assim o faz em Jesus Cristo. A salvação se concretizou no Filho de Deus feito Filho do Homem. A obra da salvação se define a partir da pessoa e dos atos todos de Jesus de Nazaré. Ele se entregou por nós (1 Coríntios 15.3; 2 Coríntios 5.14; Romanos 8.32; Gálatas 1.4; 2.10). A expressão hyper, em grego, apresenta um significado profundo para a humanidade, em dimensões salvíficas profundas: por causa de nós, por nós e em nosso lugar.

Romanos 3.23 afirma que “todos pecaram”. O pecado é definido como “transgressão da lei” de Deus. É a falta de conformidade com a Glória de Deus. É o afastamento de Deus, e consequentemente o afastamento também dos outros seres humanos. O pecado aborrece a santidade de Deus e obscurece a vida humana. Até mesmo a natureza geme por causa do pecado. Destarte, somente a justificação, mediante a entrega de Jesus Cristo por nós, nos assegura a redenção. “Justificados” significa “declarados justos diante de Deus”, isto é, livres da condenação. “Justificar” era um termo legal utilizado nos antigos tribunais romanos que significava assegurar um veredicto favorável, absorver, vindicar, declarar justo. Na Bíblia, é um ato de Deus, que é oferecido pela salvação em Jesus Cristo. A salvação em Jesus Cristo é vista mediante três pontos fundamentais: (1) Foi processada fora de nós. É exclusivamente pela graça. Não teve a participação do homem, por este estar morto em seus delitos e pecados (Efésios 2.1-10). Só Jesus Cristo, sem pecado, pode realizar essa obra maravilhosa. (2) Foi providenciada para nós. Em favor da humanidade, pois, é da vontade de Deus que todos sejam salvos (Romanos 3.29; João 3.16). “Deus amou o mundo de tal maneira” – esta é a mais profunda afirmação da história da salvação. (3) Foi realizada em nós. A salvação é aplicada dentro do homem, gerando nele uma consciência alicerçada pela dimensão do Espírito Santo, que nos faz compreender a suficiência da obra do Filho de Deus. Jesus Cristo é o “Emanuel”, o Deus em nós.

A intimidade de Jesus com o Pai, seja pela sua obediência (João 5.30), seja pela atividade comum (João 5.19; 10.30), seja pelas suas palavras que são as do Pai (João 12.49), demonstra ser este o amor de Deus pela humanidade. Daí ser Jesus Cristo a manifestação da bondade de Deus e de seu amor pelos homens (Tito 3.4; 1 João 4.9). Amor realmente vivido no interior da história, de modo perfeito e definitivamente incondicionado pelo ser humano.

Jesus é o único mediador e definitivo da salvação, dando cumprimento a todas as suas possibilidades, libertando os homens do jugo do pecado e abrindo um acesso direto a Deus em si mesmo. O Filho de Deus se entregou por nossa salvação, o Deus presente na cruz, reconciliando consigo o mundo (2 Coríntios 5.19). Como mediador Jesus fez o seu convite magistral (Mateus 11.25-30). “Vinda a Mim” – o  convite é alcançado a qualquer pecador que perceba a sua condição pecaminosa e reconheça a necessidade de servir a Deus. Jesus Cristo pode mostrar ao cansado o descanso de que tanto precisa, bem como dar-lhe confiança para com Deus. O seu “jugo” contrasta com o jogo da Lei. Jesus oferece um jugo que se deriva do próprio conhecimento de Deus. É o verdadeiro caminho para Deus através da pessoa do Messias. O seu jugo é suave, plenifica a vida humana. Contrasta com os jugos dos romanos, que impunham ao povo altas taxas, impostos caros; e dos fariseus, que impunham meticulosa observação da lei. O grande convite de Jesus põe fim a todo tipo de escravidão, porque é o convite para a salvação.

A fé cristã é a realização definitiva e perfeita do ser humano, em todas as suas dimensões, em Deus, sob a ação do Espírito Santo. Ainda que nosso conhecimento seja fragmentado e imperfeito, contextualizado e limitado, podemos testemunhar ao mundo a vitória de Jesus sobre a morte.

Por, Nelson Célio de Mesquita Rocha.

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