A quem devemos buscar de madrugada?

Como entender a passagem de Lucas 18.1-8, que compara Deus com um juiz iníquo?

A quem devemos buscar de madrugadaJesus estava ensinando aos homens que dariam continuidade ao seu ministério após Sua subida aos céus. Ele tinha consciência que formar homens não se tratava de tarefa fácil, e que a trajetória que os mesmos enfrentariam seria de difícil labor e que uma das grandes tentações a superar seria o desejo de desistir da vocação. E para isso, precisava deixar instruções claras sobre a importância da perseverança, mesmo diante das mais difíceis intempéries da vida. E neste caso em especial, queria ressaltar a importância da perseverança na oração.

Ao lermos atentamente a passagem de Lucas 18.1-8, fica muito claro que se trata de uma ilustração, de uma parábola, uma ferramenta pedagógica normalmente presente nos discursos de Jesus, sempre que desejou tornar mais claro Seu ensinamento. E com isso, conta a Seus discípulos uma parábola do juiz iníquo. Ao aplicar a palavra “iníquo”, estava querendo afirmar que este juiz não temia a Deus, não respeitava as pessoas e que até certo ponto estava contribuindo para que a injustiça permanecesse sobre aquela desprotegida viúva injustiçada.

No entanto, a viúva, consciente de suas perdas e do mal que estava lhe afligindo, continua procurando solução, e mesmo diante da recusa inicial do juiz iníquo, comporta-se de forma persistente, disciplinada e contínua, o que leva tal juiz a mudar de ideia, e fazer o bem. Mas não fez o bem por temer a Deus, muito menos pelos princípios cristãos, não por compadecer-se daquela mulher que clamava em sua porta e nem por desejar justiça contra o homem que praticava o erro, procurando discipliná-lo ou prevenir que outros passassem pelo mesmo sofrimento, mas simplesmente por mero egoísmo, por desejar colocar um ponto final na atitude importuna daquela viúva.

Sendo assim, precisamos deixar algo muito claro nesta passagem: que “Jesus, naturalmente, não está assemelhando Deus a um juiz injusto” e sim que “se um homem ímpio às vezes faz o bem, mesmo por motivos maus, quanto mais Deus fará o bem” para aqueles que o amam (MORRIS, 2006, p. 246). “O evangelista (Lucas) entende que a parábola objetiva ensinar aos discípulos o dever de orar sempre, sem jamais esmorecer” (EVANS, 1996, p. 303). Sendo assim, a principal personagem da parábola torna-se a viúva que pela sua perseverança, recebe o que tanto precisava. E deixa um exemplo para os ouvintes, discípulos de Jesus, que copiem sua conduta, e sejam perseverantes.

E com relação ao juiz iníquo, o que existe na verdade, é um paralelo de diferenciação. Enquanto o juiz é iníquo, Deus é santo. Enquanto o juiz é omisso, Deus é proativo. Enquanto o juiz é indiferente, Deus se compadece. Enquanto o juiz folga na injustiça, Deus é justo. Enquanto o juiz humano procrastina com a lei e promove a injustiça, o Juiz Divino, autor da lei, promove a justiça e bem estar do seu povo. E mesmo diante de uma sociedade de homens descrentes, infiéis e incrédulos, Deus trabalha em favor de seus filhos para fazer-lhes o bem.

E podemos concluir que diante de dias difíceis da atualidade, a Igreja precisa continuar em oração, perseverar em oração, pois, “quando os que oram não vêem sinal da resposta pela qual anseiam, é fácil para eles ficarem desencorajados. Mas devem continuar orando e nunca esmorecer” (MORRIS, 2006, p. 246). Mesmo que sejam indefesos como aquela viúva, desprovidos de bens materiais ou influência para pleitearem o que precisam, devem sempre lembrar que o Deus de amor e misericórdia, há de suprir todas as vossas necessidades, e atender todas as vossas orações em Jesus.

Por, Ivan Tadeu Panicio Junior.

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