A pureza e a força do Movimento Pentecostal na história

A pureza e a força do Movimento Pentecostal na história“O movimento Pentecostal, antes de qualquer estereótipo que se queira dar, é um movimento do Espírito Santo pautado nas Escrituras Sagradas (leia Atos 2.1-4, 14-17).

Ao longo da história da igreja, desde o Dia de Pentecostes, o Movimento Pentecostal, embora comprovadamente histórico e originado pela manifestação presencial do Espírito Santo, tem sido alvo de ataques inescrupulosos e alguns equívocos. Sempre que vem à tona a temática sobre o Pentecostalismo, surgem verdades e mentiras. Conceituações equivocadas sobre sua doutrina e história devem merecer uma apreciação acurada e uma refutação bíblico-teológico. A ignorância histórica produz injustiças e enganos e o Movimento Pentecostal não pode se dar ao luxo de não refutar esses equívocos e deixar de mostrar a origem e a realidade atual do pentecostalismo autêntico. O Pentecostalismo bíblico define-se como um movimento espiritual que enfatiza as manifestações espirituais do Dia de Pentecostes como manifestações que se evidenciam no tempo presente da vida da Igreja hoje.

I) – A origem do pentecostes cristão

1) O ponto de partida do Movimento Pentecostal: A escritura de Atos 2.1 diz literalmente: “E cumprindo-se o dia de Pentecoste” veio o Espírito Santo de forma invasiva sobre um grupo de homens mulheres reunidos num mesmo lugar num cenáculo localizado na cidade de Jerusalém. Na vida de Israel, as festas coletivas e religiosas tinham um caráter especial.

Das várias festas de Israel, três delas eram consideradas as principais com a participação de todo o povo (Êxodo 23.24-17); 34.18-23). A primeira era uma festa conjunta, a “Festa da Páscoa e do Pães Asmos”. Eram duas festas seguidas, uma após a outra, e comemoravam a saída do Egito. A segunda era, também, conhecida como “Festa das Semanas”, ou seja, cinquenta dias depois da Páscoa (Êxodo 34.22; Levítico 23.15-22). No quinquagésimo dia, ocorria o chamado “Dia das Primícias” ou “Dia da Colheita”. O Pentecostes era, de fato, uma festa agrícola onde todo o povo de Israel que agradecia a Deus pela colheita do trigo. Esse dia especial, o Dia de Pentecostes, tornou-se especial porque inaugurou um novo tempo, uma nova dispensação da graça comandada pelo Espírito Santo. Ele, o Espírito Santo, era o cumprimento da “promessa do Pai” que Jesus falara aos Seus discípulos em Sua vida terrestre. Depois da Sua ressurreição, Jesus fez a promessa com estas palavras: “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, em Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lucas 24.49).

2) Do Pentecostes judaico ao cristão: Sem dúvida, a Festa do Pentecostes ganhou um sentido especial. Inicialmente, os cristãos procuravam, em Jerusalém, o seu majestoso templo judaico. Nas outras cidades onde não havia um templo, os cristãos procuravam as sinagogas para cultuarem a Deus. Entretanto, essa experiência não perdurou por muito tempo por causa da rejeição daqueles cristãos à forma de adoração que faziam. Depois da destruição do Grande Templo no ano 70. d.C., os judeus não tinham mais onde se reunir para os cultos judaicos, mas os cristãos entenderam que um local específico não lhes impedia de cultuarem ao Senhor. Em virtude do derramamento do Espírito Santo no Dia de Pentecostes, a Igreja de Cristo ganhou uma dinâmica especial do Espírito Santo que a impelia a evangelizar e a comungar em união. As manifestações do Espírito Santo se tornaram uma constante na vida da Igreja (Atos 19.1-20).

3) Como surgiu o termo pentecostalismo? – Pentecostalismo é um termo moderno inspirado no vocábulo grego pentecostes significa quinquagésimo. Essa nominação surgiu, inicialmente, da recusa de líderes tradicionais do Cristianismo dos séculos 17 ao 19 ao movimento de renovação espiritual. A insatisfação com as igrejas romana, anglicana e ortodoxa provocou um desejo intenso pela renovação da Igreja mediante a operação livre do Espírito Santo. A insatisfação e o desejo de mudança e volta aos princípios da Igreja Primitiva acenderam um sentimento de protesto entre os cristãos comprometidos com a simplicidade da Palavra de Deus. A partir daí, esses movimentos tornaram-se fortes e as discussões doutrinárias e de reforma teológica agitaram, especialmente, o final do século 19. Em 1739, John Wesley discordou da igreja anglicana e iniciou uma nova igreja voltada para a santificação e a oração. O termo “pentecostal” começou a ganhar espaço entre esses cristãos, que seriam denominados séculos depois de fundamentalistas. Em Londres, a palavra “pentecostalismo” ganhou importância e passou a identificar esse movimento de santificação e oração. Em 1901, o reavivamento iniciado em Topeka, Texas, em Chicago e, depois em Los Angeles, Califórnia, fortaleceram-se, levando à formação de grupos independentes de crentes que aceitavam a liberdade do Espírito  e se tornaram conhecidos, inicialmente, como Fé Apostólica e como Igreja de Missão. Era o início do século 20. A aceitação do batismo no Espírito Santo com a evidência do falar em línguas e a manifestação dos dons do Espírito deram impulso à criação do termo “pentecostal” como um título que representava os cristãos comprometidos com a obra de santificação do Espírito. Sem entrar em detalhes históricos, mas esse título “pentecostal” ou “pentecostalismo” fora dado a um grupo de cristãos insatisfeitos com o tipo de cristianismo seco e vazio da presença do Espírito Santo vivido pelas igrejas tradicionais. A insatisfação, o desejo de mudança e a volta aos princípios da Igreja Primitiva produziram um sentimento de protesto entre os cristãos comprometidos com a Palavra de Deus. Inicialmente, esse título fora dado com um sentido de menosprezo aos que buscavam santidade e pureza no modo de viver. O termo “pentecostal” era relegado a um tratamento de menosprezo e discriminação.

II – A trajetória do pentecostalismo

1) A promessa da efusão do Espírito: O derramamento do Espírito tem a ver com a efusão do Espírito Santo que significa o ato de derramar poder dentro daqueles que aceitaram a mensagem de Cristo. A promessa divina através do profeta Joel tinha um caráter universal, porque “toda a carne” seria alcançada pelo derramamento do Espírito (Joel 2.28-32). Era uma promessa, inicialmente, dirigida ao povo judeu, mas que alcançaria todos aqueles que reconhecessem a Cristo Jesus em todos os lugares e épocas (Atos 2.1-13, 19). O Dia de Pentecostes foi um dia marcante porque irrompeu com o legalismo judaico de sua liturgia e mostrou o poder de Deus a todos os homens. O Movimento Pentecostal implica numa ação continua e renovadora do Espírito Santo na vida da Igreja, fazendo com que esta cumpra cabalmente as demandas da Grande Comissão (Mateus 28.19, 20; Marcos 16.15-20).

2) O Movimento Pentecostal tem o testemunho dos séculos: “O “fogo” que foi visto em línguas ou chispas sobre as cabeças dos discípulos no Cenáculo não se apagou naquele dia. É um fogo que incendiou aquelas pessoas e até ao dia de hoje está aceso como um sinal de que o Espírito Santo está ativo na Igreja de Cristo. A partir do século 15 ao 18, com a Reforma Protestante iniciada com Martinho Lutero (1517), surgiram outros homens e mulheres cheios do Espírito Santo, os quais permitiram que o Espírito Santo produzisse um “novo movimento espiritual”.

No ano de 1530, toda a Europa foi influenciada e despertada para uma revisão de conteúdo da doutrina da Igreja que havia sido maculado com as heresias da igreja romana. Alguns encontros foram realizados e as doutrinas principais da igreja foram revitalizadas e esclarecidas, especialmente as doutrinas que envolviam cristologia (Cristo), pnematologia (Espírito Santo), sotoriologia (Salvação) e escatologia (Coisas do Fim). A chama pentecostal começo a arder no coração para a ênfase na ação livre do Espírito Santo. Aqueles valores simples e fundamentais da doutrina dos apóstolos foram restaurados. Dos séculos 15 e 18 surgiram  grandes homens de Deus os quais marcaram a história com avivamentos na igreja. Em 1939, John Wesley discordou da igreja anglicana a qual estava ligado e iniciou um movimento de santidade e evangelização. As ênfases à oração e ao fervor espiritual tornaram-se vitais e agregaram-se a ele muitos cristãos desejosos de uma vida cristã mais ortodoxa. Em 1901, de fato, esse movimento espiritual ganhou força, especialmente, nos Estados Unidos da América, quando movimento renovacionistas nascidos dentro do movimento wesleyano dariam origem, em cidades como Topeka, Chicago e Los Angeles, ao Movimento Pentecostal Moderno. Em 1906, esse mover do Espírito acontecia na Rua Azuza em Los Angeles, Califórnia com o pastor negro chamado William Seymour e o movimento do Espírito começou a espalhar-se em várias partes do mundo.

3) O Movimento Pentecostal chegou ao Brasil: Em 1910, Gunnar Vingren e Daniel Berg, suecos de origem, saíram dos Estados Unidos em direção ao Brasil. Por direção e revelação divina, esses dois homens embarcaram num navio mercante e aportaram em Belém, Pará. Inicialmente, procuram uma igreja Batista tradicional, mas logo foram rejeitados nessa igreja por causa da fé pentecostal que professavam. Iniciaram, então, uma nova igreja em 1911, denominada Igreja da Fé Apostólica que hoje é a Assembleia de Deus. A igreja cresceu rapidamente e os convertidos eram batizados no Espírito Santo.

III – O pentecostalismo bíblico

1) Tem a sua base na Palavra de Deus: A profecia de Joel 2.28-32 promete um derramamento do Espírito de tal modo que alcançaria, não só o povo judeu, mas também todos os demais povos da terra. Não só o profeta Joel profetizou, mas Jesus mesmo declarou que depois da sua obra realizada pela salvação da humanidade, o Espírito Santo seria enviado, como promessa do Pai (Lucas 24.49) a todos quantos recebessem a Jesus como Salvador e Senhor das suas vidas.

2) É confirmado com o advento do Espírito Santo: No Dia de Pentecoste, assinalou-se: a vinda do Espírito Santo (João 16.7, 8, 13); o recebimento do dom do Espírito Santo (João 14.16; Atos 2.38, 39), e o abundante derramamento do Espírito, não só em Jerusalém, mas em Cesaréia (Atos 11); Antioquia (Atos 11.19-30) e em Éfeso (Atos 19.1-6). O Espírito Santo veio para ficar e habitar na vida da Igreja. Ele não restringiu Sua obra aos primeiros dias da igreja dos Atos dos Apóstolos, mas ultrapassou os tempos e opera em nossos dias.

3) Tem seu alicerce na doutrina dos apóstolos (Atos 2.42): A doutrina dos apóstolos não é outra senão a que receberam de Jesus Cristo. Eles não criaram essa doutrina, mas fortaleceram aquilo que haviam recebido dEle. o Movimento Pentecostal não é uma inovação em algo a parte da igreja. Não se trata de grupo dissidente da Igreja de Cristo. O Movimento Pentecostal implica numa ação contínua e renovadora do Espírito na vida da Igreja. Suas doutrinas têm seu alicerce na doutrina de Cristo.

IV – O pentecostalismo hoje

1) Ameaças ao genuíno pentecostalismo: O verdadeiro pentecostalismo se firma, essencialmente, nas doutrina dos apóstolos deixada por Jesus (Atos 2.42). A unanimidade de pensamento de ação mantinha os discípulos unidos. O apóstolo Paulo acrescentou a palavra “profetas” à expressão “doutrina dos apóstolos” e, desse modo, ele fortalecia o fato de que Jesus Cristo era o cumprimento das profecias (Efésios 2.20). Os sinais do Pentecostes aconteciam e eram notados na vida dos cristãos sem que a nominação pentecostal ou pentecostalismo os identificasse como tal. Entretanto, naqueles dias, a igreja emergente começa a sofrer com influências filosóficas sobre as doutrinas originais ensinadas pelos apóstolos. No ano 57 d.C., Paulo faz um discurso aos efésios e exorta aos líderes da igreja, dizendo: “Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não perdoarão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si” (Atos 20.28-30).

2) Ameaça do “neopentecostalismo”: O que é neopentecostalismo? O prefixo “neo” indica um movimento espiritual saído do clássico pentecostalismo que absorveu doutrinas e falsos conceitos sobre as ações do Espírito Santo. Surgido nos Estados Unidos na década de 70 do século passado, o neopentecostalismo não tardou a chegar ao Brasil. O neopentecostalismo absorveu conceitos advindos de movimentos místicos sem compromisso com a Palavra de Deus, com raízes no humanismo de Finéias Parkhust Quimby (1802-1866), conhecido como o pai do “Novo Pensamento”, o qual ensinava que a enfermidade e o sofrimento têm origem no pensamento incorreto. Foi ele o criador da doutrina do “poder da afirmação” ou da “Confissão Positiva”. Logo depois apareceu Essek Willian Kenyon que desenvolveu a “Teologia da Prosperidade”. Muitos nomes influenciaram e desenvolveram o neopentecostalismo. Igrejas novas foram formadas as quais aderiram essas novas ideias e doutrinas que não correspondem à sã doutrina ostentada pelo pentecostalismo verdadeiro. O genuíno movimento pentecostal baseia sua crença na “doutrina dos apóstolos”, e nunca foi um movimento a parte, segregado ou discriminador, mas foi e ainda é um movimento espiritual dentro da Igreja dando continuidade ao movimento do dia de Pentecoste. Porém, Paulo já havia profetizado acerca de movimentos espirituais feitos e construídos por homens insensatos que constroem suas doutrinas sobre areia, porque são movimentos sem estrutura teológica e sem consciência alguma. É de fato, o joio semeado no campo de trigo (Mateus 13.24-30).

3) Identificando algumas heresias do neopentecostalismo: Esse movimento nada tem a ver com o verdadeiro pentecostalismo. A adesão dessas ideias desenvolveu um segmento esotérico, místico e sincrético que nada tem a ver com o verdadeiro cristianismo (Colossenses 2.18). Algumas dessas heresias grassam no meio evangélico, especialmente, no meio pentecostal. Suas principais doutrinas são: a Confissão Positiva, doutrina da prosperidade, maldição hereditária, utilização de objetos e ações envolvendo “sal grosso”, óleo santificado, medalhinha da fé, água santificada, culto aos anjos etc. Essas práticas são indutoras de: imaturidade espiritual, subversão espiritual, soberba intelectual. Algumas doutrinas são forjadas com “acréscimos de conceitos ao texto bíblico”; a crença em “pseudo-revelações espirituais” que fomentam coisas espirituais que contrariam a Palavra de Deus; “distorções da verdade bíblica”, “deificação de homens e anjos”; “negação ou subtração da Palavra de Deus”, “culto aos anjos” e tantas outras heresias que influenciam o objeto da fé que é Jesus Cristo e modificam o modo de cultuar a Deus.

Tivemos por objetivo neste artigo distinguir o genuíno do falso movimento pentecostal. As igrejas pentecostais sérias não são igrejas diferentes daquelas dos Atos dos Apóstolos, por isso, o momento histórico, especialmente, da Assembleia de Deus requer fortalecimento do nosso credo.

Por, Elienai Cabral.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Google Translate »