A pregação e o pregador ontem e hoje

A pregação e o pregador ontem e hojeA mensagem do pregador é o instrumento mais importante do seu trabalho, para isso ele deve buscar de Deus a mensagem ideal para o momento, pois, como disse Jesus, o escriba traz coisas novas e velhas para o povo: “E ele disse-lhes: Por isso, todo escriba instruído acerca do Reino dos céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas” (Mateus 13.52). Assim também é o pregador instruído: ele conhece a Bíblia e tem muitas mensagens que o Senhor mesmo o inspirou no passado, porém ele precisa sempre buscar e dar ao povo mensagens novas e não somente aquelas já conhecidas de todos. A mensagem deve ser nova, viva, atual e atraente.

A Igreja Primitiva pregava a Cristo (Atos 5.42). Há muito pregador que prega apenas suas experiências, suas vitórias e fracassos, fala dos outros pregadores, das outras igrejas, do seu eu, e esquece que a sua maior mensagem deve ser Cristo, o Salvador completo. A Igreja Primitiva também pregava a ressurreição de Cristo: “Saiba, pois, com certeza, toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo” (Atos 2.36).

A pregação deve também chamar a atenção do ouvinte. Deve ser uma mensagem atual e que o ouvinte tenha interesse em ouvi-la. O pregador não deve trazer ao povo uma palavra que não lhe desperte interesse. É por essa razão que muitos cultos não recebem mais a presença do povo, pois ele tem necessidades urgentes para resolver e as mensagens ouvidas não lhe trazem qualquer alento.

A mensagem deve ir ao encontro das necessidades do ouvinte. Geralmente, o povo tem grandes preocupações em suas mentes: problemas envolvendo sua família, seus negócios, sua saúde, seu trabalho etc. No momento, muitos não estão preocupados com a questão da salvação futura, mas querem resolver seus problemas atuais. Não querem algo que ainda não conhecem e não vêem, mas buscam aquilo que precisam para resolver os seus problemas atuais. As parábolas são exemplos de pregações de Jesus que faziam com que os ouvintes subissem de um patamar a outro – do material ao espiritual. Elas sempre apresentavam um assunto conhecido para se chegar a um ainda desconhecido.

Há também mensagens que precisam atingir o próprio crente, já salvo e conhecedor das promessas da Bíblia, mas que ainda possuem dúvidas e precisam aprender mais e fazer novos propósitos com Deus. Aí está a necessidade de uma mensagem ungida pelo Espírito Santo para que o ouvinte receba. O pregador deve buscar de Deus a mensagem e a unção do Espírito, pois, de outra maneira, nunca terá sucesso na sua empreitada. A unção é fundamental na pregação da Palavra de Deus. O ouvinte precisa sentir algo diferente na mensagem, não somente uma exposição, um comentário, um belo discurso.

O pregador precisa ter empatia diante dos seus ouvintes. Ele necessita ser bem aceito pelo povo, de outra sorte seus ouvintes não receberão sua mensagem. O Senhor nos deu exemplo disso quando perguntou a seus discípulos: “O que o povo diz a meu respeito? E vós?” (Mateus 16.13-15).

Outro aspecto importante a ser observado pelo pregador é sua postura animado. O pregador desanimado não produz um bom efeito. O bom ânimo promove um ambiente agradável e transmite otimismo ao ouvinte.

O pregador precisa também ter convicção de sua mensagem. A sua exposição deve ser precisa. O ouvinte precisa sentir firmeza nas afirmações. Não podem ser mensagens vagas, sem fundamentação.

Outro ponto importante a ser observado pelo pregador é o conhecimento da mensagem em que está expondo. O orador não pode divulgar uma mensagem em que não tem um real conhecimento do assunto. O ouvinte precisa entender que o pregador possui realmente conhecimento bíblico necessário para discorrer sobre o assunto abordado. É bom também o pregador se ater ao tema bíblico, porque se quiser misturar outros assuntos, como engenharia, medicina, matemática, biologia e outros conhecimentos gerais, poderá haver entre a plateia professores ou mestres nestas áreas, o que sempre trará desconforto, tanto para o pregador como para ouvinte, pois o ouvinte não está ali para ouvir tais mensagens e nem o pregador foi convocado para ministrar sobre outro assunto, se não a Palavra de Deus. Melhor é andar por caminhos conhecidos pelos quais não há como se perder do que seguir por veredas estranhas em que ninguém sabe onde se quer chegar.

O pregador também deve transmitir humildade, o que é bem diferente de fraqueza.

Outro ponto que precisamos abordar é a questão da aparência do pregador. O traje deve ser o adequado para a ocasião. Qualquer item fora do lugar poderá ser motivo de observação e desvio da atenção do ouvinte, como, por exemplo, uma gravata torta; uma roupa amarrotada; um cabelo desalinhado; trajes extravagantes e fora do costume geral do povo, completamente fora da moda; gestos violentos; cacoetes e repetição de palavras por diversas vezes durante a ministração.

O pregador não precisa ser um literato, mas deve ter um conhecimento do seu vernáculo. Não precisa falar com o sotaque carioca ou nordestino quando está pregando nessas regiões. O que é importante é a mensagem. No início, o ouvinte pode observar o sotaque estranho do pregador, mas logo, com a exposição eloquente e ungida do ministrante, tudo fica diferente e a mensagem se sobrepõe aos outros obstáculos.

É preciso também que a mensagem tenha objetividade, seja clara e simples. Nada de discursos dialéticos e complexos que não levam a nada. O pregador pode ter um dia atribulado e cansativo no seu trabalho, mas, no momento da pregação, ele tem necessidade de não se mostrar vacilante e cansado.

Na mensagem de Pedro no Dia de Pentecostes (Atos 2), quando ele chamou a atenção do povo, pregou Cristo, apresentou argumentos firmes, demonstrou conhecimento bíblico, deu testemunho pessoal, explanou resposta objetiva e contundente, e como resultado houve o convencimento de cerca de 3 mil vidas para Cristo.

Por, Domingos Floreni Lamberty.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Google Translate »