A poderosa Mão voltada aos pequeninos

thumbs2ec8Desperta, ó espada, contra o meu pastor e contra o homem que é o meu companheiro, diz o Senhor dos Exércitos; fere o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas; mas volverei a mão para os pequeninos” (Zacarias 13.7).

O resultado do duro ferimento recebido pelo Messias foi a dispersão das ovelhas de Israel. A fuga dos apóstolos, na noite em que o Senhor foi preso, foi o início do cumprimento dessa profecia. O versículo acima, porém, não fala apenas da dispersão, mas reflete a proximidade entre o Pai e o Seu Ungido. O erudito Charles Feinberg pesquisou a significação do termo “meu companheiro”, encontrando os sentidos de: meu amigo, meu confidente, aquele que está unido a mim, alguém a quem me associei, meu igual, meu parente mais próximo. Que outra expressão nos levaria mais rapidamente ao versículo 30 do décimo capítulo de João – “Eu e o Pai somos um”? Assim, o ferido de Deus, o homem Seu companheiro, é o Pastor do rebanho dos filhos de Abraão, da descendência de Israel, e não se contentará enquanto não vir Seu precioso rebanho novamente reunido.

 Por sermos homens, vivendo na dimensão temporal, costumamos dedicar muito da nossa atenção aos aspectos trazidos por ela, como presentes do Criador.

Estamos ligados aos dias e noites, à sucessão das estações, aos eventos climáticos, às datas e comemorações, às agendas e seus horários; também às etapas da vida, da influência à velhice, ao passado, ao presente e ao futuro; à memória e aos projetos futuros. Não há nada de errado nisso, uma vez que o mesmo Senhor afirma: “os velhos terão sonhos e os jovens terão visões”, revelando-nos uma maneira de transcender o tempo dos relógios, tornando-o, também, tempo profético. Mas não esqueçamos (mais uma vez afirmamos) de que somos “homens do tempo”. Se nascemos em Cristo, pertencemos à Eternidade e desde já caminhamos nela. Vivemos nessa outra dimensão porque Eterno é o caráter de Deus – imutável em todas as suas características, Eterna é a Sua Palavra, Eterna é a Cidade Santa e Eterna é a vida que alcançamos em Seu nome (João 3.16 e 3.36). Para nós, no dizer de Paulo, “a noite é passada, e o dia é chegado” (Romanos 13.12). Homens da Eternidade, criados para viver e manter uma relação com o Eterno, livres da insuportável separação a que nos levara o pecado, devidos, por meio de Cristo, à condição de Comunhão, e conhecimento, temos o tempo como curso de vida, jamais como prisão, e as coisas ocorridas no tempo como circunstâncias que não têm o poder de interferir em nossa relação com o Eterno, senão para nos aproximar mais e mais dEle. Além disso, Eternas são as Suas promessas, para conosco e para com a casa de Israel e o tempo presente não pode anular isso, pois Sua fidelidade não mudará jamais.

Com os olhos na Eternidade podemos contemplar com alegria a aliah, ou “subida” de 2,2 mil etíopes, descendentes de judeus, em direção a Israel, como um cumprimento profético. A operação soma-se às já ocorridas em 1984 e 85, quando alguns milhares conseguiram imigrar através do Sudão, e à grande operação de 1990, levando mais de 14 mil judeus etíopes, com grande pressa e risco, num movimento jamais visto de remoção e traslado de um povo. Há quem argumente que o verdadeiro motivo por trás do desejo de regressar a Israel está na brutal diferença econômica existente entre o país e a Etiópia. Sejam quais forem os motivos nesse determinado tempo, as promessas eternas do Senhor estão se cumprindo e Ele está reunindo o rebanho.

Dias difíceis passam também os judeus alemães, com a recente declaração por parte de um juiz alemão de que a circuncisão, brit milah, é “uma violação da integridade física” da criança e, como tal, um ato criminoso. O juiz de Colônia despertou a voz do professor Dr. Holm Putzke, da Baviera, que aplaudiu a decisão, dizendo esperar que esse “ultraje” contra as crianças passe. Os comentários levaram o Jerusalém Post a promover uma pesquisa de opinião, concluindo que 56% dos alemães concordam com a proclamação da ilegalidade da circuncisão. O presidente da Associação Médica Alemã questionou, junto à BBC, o direito que os pais teriam sobre a religião dos filhos. O Hospital Judaico de Berlim parou de realizar as intervenções e outros hospitais aguardam uma legislação a respeito. A discussão chegou aos EUA, dividindo as opiniões intactivistas e dos defensores da circuncisão. Faz-se necessário lembrar que a circuncisão é o ato irrevogável da aliança estabelecida entre Deus e os filhos de Abraão, o que levou o presidente Shimon Peres a dizer, em carta ao presidente Joachim Gauck, da Alemanha: “proibir a circuncisão equivale a dizer que não é possível a vida judaica na Alemanha. Eu não acho que a Alemanha pode se dar ao luxo de tomar essa posição”. Danny Danon, membro do Knesset, declarou ao embaixador alemão em Israel: “a circuncisão é um dos pilares do judaísmo, e a última vez que foi restringida foi também na Alemanha durante suas horas mais escuras”. Enquanto a Igreja espera que os judeus desfrutem da nova aliança com o Messias, não pode calar-se, sob o risco de unir sua voz à dos perseguidores, que já reverbera e tende a aumentar nesse tempo final.

Amando a Etiópia, contudo dizemos: “Deixe o povo do Senhor ir”. Amando a Alemanha, contudo dizemos: “Basta!” Amando os EUA, oramos também, esperando no Senhor que seu povo seja curado das aflições do tempo presente, e volte seus olhos para Deus, de onde – e somente daí – lhe poderá vir o socorro. Socorro que Israel também espera.

Por, Sara Alice Cavalcante

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