A pedagogia do Jejum do Senhor

A pedagogia do Jejum do SenhorErram aqueles que reduzem o ministério do Senhor ao simples nos libertar do pecado e do poder do demônio. Isso é verdade, mas não é tudo. O Senhor é o último Adão, isso equivale dizer que em Sua Santa Pessoa está o estado de humanidade idealizado por Deus. Ora, sendo o Senhor o tipo ideal, é da Sua pessoa manifestada em todos os Seus modos de ser, que devemos extrair o conceito de essência humana. Descubramos, pois, a essência de uma vida consagrada a Deus na vida do Senhor.

A primeira noção pedagógica do jejum do Senhor é a de Deus (Êxodo 3.14). Deus como Senhor da criação se auto-põe. Decorre da própria natureza divina a razão para nos prostramos diante de Deus. Quando o homem prostra-se diante de Deus, desaparecem: o falso culto, as construções teológicas falsas, os falsos comentários bíblicos e o subjetivismo teológico. Os imperativos bíblicos são: “Humilhai-vos na presença do Senhor” (Tiago 4.10); “Tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa” (Êxodo 3.5); “Temei a Deus e dai-lhe glória” (Apocalipse 14.7). Reconhecer, pois, a monarquia divina é a primeira proposta do jejum do Salvador.

A segunda noção pedagógica que o jejum do Senhor nos transmite é sobre a seriedade do culto a Deus (João 4.23-24). Nosso Senhor nos falou sobre o modelo de culto que é aceito por Deus, o culto em espírito e em verdade. O culto que agrada a Deus deve estar em conformidade com o seu santo caráter. Mas qual o critério que define o modelo de culto a Deus? – O único critério são as Santas Escrituras. As Escrituras nos propõem um tipo, isto é, o conceito de culto, do qual não podemos ultrapassar, sob pena de cairmos no esoterismo. O tipo de culto é proposto pela igreja por meio dos seus doutores (Efésios 4.11), Não é, pois, qualquer um que define o modelo de culto a Deus. Usando o método pragmático para avaliar o modelo de culto ideal, não há dúvida, que o modelo mais satisfatório seja o modelo proposto pelo pentecostalismo clássico. Quando prescindir-se a essência da ortodoxia bíblia, não há como evitar cair-se no subjetivismo religioso.

A terceira noção pedagógica do jejum do Senhor é a de nos mostrar o perfil que Deus requer de um servo Seu (Ezequiel 22.30). Quando a Bíblia trata da escolha de homens para oficiar perante Deus, concomitantemente são emitidas listas de requisitos que devem ser preenchidos pelos postulantes a tais ofícios. No jejum do Senhor, verificamos, pois, o equilíbrio espiritual e psicossomático.

A quarta noção pedagógica do jejum do Senhor é a de nos mostrar que há uma guerra real travada entre o Reino de Deus e o reino das trevas (Efésios 6.10-18). Em uma guerra o fator preparo é fundamental. O jejum tem como objetivo abrir espaço para Deus operar. A nossa batalha espiritual é coordenada pelo Senhor. Após o jejum o inimigo manifestou-se. Aqueles que recusam reconhecer a existência dessa guerra, e prescindem as orientações do Senhor, serão duramente golpeados pelo inimigo. No jejum do Senhor somos, pois, notificados que a guerra existe e não podemos ganhá-la de qualquer jeito. Gonçalves consagra-te a a mim por sete dias, foi uma ordem que recebi do Senhor, tivesse eu desobedecido, há tempos estava destruído.

A quinta noção pedagógica do jejum do Senhor é a de nos mostrar as armas da nossa guerra (2 Coríntios 10.4). O homem decaiu da Graça por insinuação do Diabo. Isso ocorreu porque lhe faltou determinação no exercício da vontade ou da liberdade com relação ao obedecer à Lei divina. No seu jejum, o Senhor, pois, mostrou-nos uma deliberação positiva, isto é, submeter Sua vontade a vontade divina, através de uma busca profunda a Deus, representada através da abstinência em um jejum amplo. O Senhor nos mostra, pois, que o segredo para alcançarmos a vitória é colocarmos nossa vontade soa a vontade de Deus. Quando alguém cai é porque perdeu o controle sobre a sua vontade. No jejum real estamos dizendo: Senhor controla nossa vontade. O jejum é oração de quarta instância.

A sexta noção pedagógica que o jejum do Senhor nos propõe, é que não basta conhecermos as armas da nossa guerra, temos que utilizá-las (Mateus 4.2). O Senhor jejuou exatamente no início do seu ministério, isso tem razões. A primeira é que o jejum é uma instrumentalidade proposta pelo Espírito (Mateus 4.1). O Senhor, como exímio magister, sabia das práticas jejunais do povo de Deus sob a antiga aliança. A lei requeria de todo israelita um jejum por ano, no dia da expiação. Esse jejum era chamado de aflição da alma (Levíticos 23.29). O judeu que não jejuasse nesse dia era eliminado do meio do povo. No sexto século antes de Cristo, há registro na Escritura da prática de quatro jejuns anuais (Zacarias 8.19), e nos dias do Senhor havia uma prática de dois jejuns por semana (Lucas 18.12). Devemos, pois, fazer uso da instrumentalidade proposta pelo Espírito de Deus, como o Senhor a utilizou. Há muita gente morrendo por não utilizar suas armas espirituais.

A sétima noção pedagógica que o jejum do Senhor nos transmite é que: quanto maior for o conhecimento que possuirmos de Deus mais de nós será requerido (Lucas 12.48b); Tiago 3.1). Desta sentença do Senhor, podemos com certeza aplicar a máxima que diz: “Estados  quantitativos dão origem a estados qualitativos”. O grau do conhecimento que temos do Senhor deve determinar a qualidade do nosso culto prestado a Deus. Isso foi o que fez o Senhor. Isso explica também o porquê da não reabilitação dos anjos que decaíram da graça divina. Fornece também parâmetros para uma sólida exegese de Hebreus 6.4-8.

A oitava noção pedagógica do jejum do Senhor é a de nos mostrar que é necessário reservarmos tempo para Deus. Em Números 9.15-23 somos notificados do interesse divino de controlar o nosso tempo. Andar no tempo de Deus é estar no núcleo da vontade divina. É necessário disponibilizarmos tempo para o Senhor. Há um tempo idealizado por Deus para o Seu povo permanecer na Sua presença. Ninguém priorizou tanto o permanecer na presença de Deus como o Senhor Jesus. Ele orava pela madrugada (Mateus 1.35); orava a noite inteira (Lucas 6.12); orava com intensidade profunda (Lucas 22.44); mesmo depois de um dia intensivo de ministério orava (Marcos 6.46). O escritor aos Hebreus resume assim a vida de oração do Senhor: “Ele nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a Deus” (Hebreus 5.7-9). O Senhor priorizou o tempo na presença de Deus.

A nona noção pedagógica do jejum do Senhor é a de nos mostrar que os bens que Deus nos proporciona não são baratos. “Aconselho-te que de mim compres ouro refinado…” (Apocalipse 3.18). O verbo comprar sugere pagamento de preço. A história da salvação desde os seus primórdios é feita pela autodoação divina e pela busca do povo de Deus. Podemos dizer que a história da salvação é sistêmica, isto é: produzida por Deus e pelo homem. Deus por Sua graça nos revela Sua vontade e nos dispõe a instrumentalidade para sermos conformados à Sua imagem [imagem restaurada]. O ouro, segundo a teologia do tabernáculo, em última instância significa a Deidade [o Sumo-Bem]. Roupas brancas representa a santidade e colírio sugere a necessidade de termos uma visão ortodoxa da santa doutrina. Deus quer seu povo rico. A riqueza que Jesus está nos falando é riqueza espiritual. A riqueza que Deus nos propõe não é barata, ela requer pagamento de preço.

A décima noção pedagógica do jejum do Senhor é a de nos mostrar que o Senhor verdadeiramente se fez homem (João 1.14). O salmista nos diz que: “bendita é a nação cujo Deus é o Senhor” (Salmos 33.12), e hoje eu posso dizer que bendita é a nação que acredita na encarnação de Deus. A igreja no seu princípio para extirpar teses heterodoxas que ameaçava a sua  fé, definiu em solene sínodo a sua posição a respeito do Deus-homem. Eis o que diz o credo calcedônio: “Seguindo, pois, os Santos Pais, unanimemente ensinamos que se deve confessar um só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito na sua divindade e perfeito na sua humanidade, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, composto de alma racional e corpo; consubstancial ao Pai quanto à divindade, e consubstancial a nós quanto à humanidade, em tudo semelhante a nós, menos no pecado”. Portanto, o jejum do Senhor ensina-nos perfeitamente a respeito de Sua humanidade.

Sendo o Senhor, o Ministro dos ministros, quis, pois, nos mostrar através do Seu jejum ricos ensinamentos que constituem a estrutura de uma vida rica e equilibrada.

Por, Francisco Gonçalves da Costa.

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