A necessidade de um genuíno avivamento na Igreja hodierna

A necessidade de um genuíno avivamento na Igreja hodiernaNos primórdios da Assembleia de Deus no Brasil, por várias vezes, o Espírito Santo ratificou as promessas divinas aos pioneiros reiterando que esse mover do Espírito em pátria brasileira seria próspero, triunfante e glorioso. No limiar de um período transicional, referindo-se a centenária Assembleia de Deus no Brasil [hoje com 203 anos de existência], em um notório momento de avaliações feitas por gestões “atualizadas”, ao entendimento de alguns, simultaneamente assistimos três fatos pertinentes a tudo isto:

1. A forte pressão das igrejas neo-pentecostais, através de seu modelo doutrinário-litúrgico mais flexível, que tenta seduzir raciocínios e subverter conceitos históricos. Fica a ideia: “Deu certo lá. Vai dar certo aqui”. E a preocupação pastoral fica sendo encher templos, em detrimento da busca do pastoreio bíblico que visa a edificação  espiritual dos crentes através do ensino da Palavra de Deus, “querendo o aperfeiçoamento dos santos” (Efésios 4).

2. O comodismo de uma liderança espiritual à semelhança do sacerdote Eli: sem visão; obesa (“inchada”, presunçosa, orgulhosa); sentada nas cadeiras da inatividade, da falta de dinamismo, de energia, de projetos espirituais – uma geração que não tem mais intimidade com o altar, com o fogo, e com o sacrifício! Isso gera uma situação dramática: Deus busca um menino dentro de um quarto para se revelar, pois não havia mais homens que buscassem o Céu, na classe sacerdotal vigente!

3. A sedução de uma “nova teologia” adaptável ao modernismo que insiste em enfeitar uma igreja preparada para tudo, menos para o arrebatamento! Uma teologia voltada para a prosperidade material, para a Confissão Positiva e para o Triunfalismo. Somando-se a isso, a implantação de um modelo litúrgico que confunde avivamento com “baderna” – provocando uma “geração de risco”, pois origina uma geração de “oba-oba”, sem vínculos com o resgate histórico, caminhando para a repetição do lamentável quadro esboçado em Juízes 3. Oh,  que o Deus de Gunnar Vingren, Daniel Berg, Celina Albuquerque, Alcebíades Pereira Vasconcelos, José de Souza Reis, Estevan Angelo de Souza, José Leoncio, Paulo Macalão e de outros expoente de nossa mais que centenária instituição, desperte-nos para que jamais avancemos dando às costas para o passado. Que recordemos sempre de nossas raízes, resgatando os valores imperecíveis que alicerçaram a hoje pujante Assembleia de Deus no Brasil, e não perdendo nossa identidade doutrinária jamais! Do contrário, entraremos em rota inevitável para uma realidade dissonante: Encontrarmos assembleianos que não saibam o que é a Assembleia de Deus, que não conheçam sua história, nem suas raízes! E de quem será a culpa? Não será de uma liderança que esqueceu de onde viemos?

O fato é que precisamos de avivamento. Urgentemente! Mas, que avivamento é este que tanto precisamos? Permita-nos, com nossa fragrante limitação, oferecer alguns pensamentos, à guisa de resposta:

1) Não é um avivamento pré-fabricado intelectualmente nos gabinetes – Precisamos de avivamento nascido primeiramente nas madrugadas de oração, com joelhos no chão e rosto no pó, com gemidos na alma e lágrimas nos olhos! Aproveitamos para louvar imensamente a Deus, pois na igreja que, por mercê dEle estamos a pastorear, temos visto o mover do Espírito Santo de maneira que, com frequência, em nosso templo-sede cerca de 600 jovens e adolescente se propõe a passar madrugadas de oração buscando a face do Senhor, tendo sido frequentemente nessas vigílias: salvação, reconciliação, curas divinas, renovações e batismos no Espírito Santo!

2) Não é avivamento que confunda emocionalismo com espiritualidade – Precisamos de um avivamento em que, à semelhança dos despertamentos históricos, vejam-se mais lágrimas que sorrisos, mais quebrantamento que “dança e festa”! Um avivamento que, da mesma forma como ocorrera com Isaías, permita-nos ver o Trono, e nos ponha de joelhos a clamar: “Ai de mim…”! Um avivamento que se proponha a apontar o caminho da Cruz como o único que nos fará um dia contemplar a coroa, fazendo-nos cantar sempre: “Sim, eu amo a mensagem da Cruz. Té morrer eu a vou proclamar; Levarei eu também minha Cruz. Té por uma coroa trocar!”

3) Não é “avivamento-show”, que ajunta crentes para o exercício da idolatria camuflada. Sempre imagino os motivos do Espírito para determinar a frase conclusiva da primeira Epístola de João: “Filhinhos, guardai-vos do ídolos. Amém!” A primazia da exposição da Palavra de Deus foi substituída em muitos lugares por uma sessão musical interminável de “astros da música gospel”, sobrando pouco ou quase nenhum tempo mais para a pregação!

4) Precisamos de uma avivamento que nos leve de novo aos Cultos do Círculo de Oração e Doutrina, hoje em fraco abandono e decadência, em vários lugares! Está caindo no esquecimento que foram as mensagens destes cultos, tidos hoje, por muitos, como ultrapassados, que forjaram a têmpora dos crentes das primeiras gerações assembleianas. Defender este ponto de vista atrai imediatamente o julgamento que qualifica este conceito como retrógrado e obsoleto! Que nossos púlpitos não sejam jamais comparáveis a palcos onde animadores de auditório e contadores de anedota se especializam em fazer o povo rir, entretanto que o Senhor nos ajude a, brandindo a espada do Espírito Santo com autoridade, contemplarmos ainda um “povo que chora diante da Palavra” (Neemias 8).

5) Precisamos de um avivamento que faça retornar aos nosso púlpitos os pregoeiros da Verdade de Deus com mensagens sobre o arrebatamento da Igreja. Sobre santificação, santificação, dons espirituais, batismo no Espírito Santo, cura divina; sobre o Calvário, a redenção e o sangue de Jesus! E que sejam excluídas as mensagens de auto-ajuda, pois reverberando o que afirma o prolífico escritor pastor Ciro Zibordi: “Não precisamos de auto-ajuda; precisamos sim, da ajuda do Alto!”. Ouvi certa feita, em um Congresso de Escola Dominical, o pastor Antonio Gilberto, notável mestre da Palavra, afirmando categoricamente: “A Igreja é o centro da operação divina! Não deveríamos ter um culto, sem orar pelos enfermos!” Sem essa ação sobrenatural e permanente do Espírito, sucumbiremos à margem do caminho. Precisamos deste avivamento. Urgentemente! Tenho certeza que, em toda a extensão continental de nossa nação, de Leste a Oeste, de Norte a Sul, ainda se pode ouvir a oração de Habacuque: “Aviva, ó Senhor, a tua Obra no meio dos anos!” Que assim seja!

Por, Gedeão Grangeiro Fernandes de Menezes.

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