A natureza missionária da Igreja

A natureza missionária da IgrejaA Igreja é o agente de Deus no mundo para cumprir a Sua vontade. Essa vontade se resume em sua missão. Quando se fala de Igreja, trata-se de todos os salvos que pertencem ao Corpo vivo de Cristo, os que pelo poder do Espírito Santo foram regenerados e incorporados nesse único Corpo de Cristo na terra (1 Coríntios 12.12, 13). Falar da natureza missionária da Igreja significa falar da responsabilidade que Deus passou para Seus escolhidos. Ficará evidente a natureza missionária desse sempre que ele fica orientado pela Palavra inspirada de Deus. Não é por raciocínio humano que se descobre essa natureza missionária. H. Kraemer escreveu em The Christian Message in a NonChristian World, 1938, “ A igreja […] unicamente de todas as instituições no mundo é fundada numa comissão divina”.

A natureza missionária da Igreja tem sua fonte, modelo e continuação na Missão de Jesus Cristo.

Jesus Cristo veio para revelar Deus aos cegos e ignorantes – João fala claramente que a encarnação da Palavra eterna ocorreu para tornar Deus conhecido (João 1.18). A revelação do invisível Senhor soberano, Criador de todas as coisas, foi patente na pessoa e obra de Jesus de Nazaré. O Deus Unigênito trouxe a glória real do Deus único e a fez brilhar em Sua vida e palavras. João um de Seus seguidores, comentou: “Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e verdade” (João 1.14).

Para Filipe, que queria ver o Pai, Jesus respondeu: “Quem me vê, vê o Pai […] você não crê que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu lhe digo não são apenas minhas. Ao contrário, o Pai que vive em mim, esta realizando a sua obra” (João 14.9, 10 – NVI).

Na sua oração sacerdotal, Jesus declarou: “Eu te glorifiquei na terra, completando a obra que me deste para fazer […] revelei teu nome àqueles que do mundo me deste. Eles eram teus: tu os deste a mim, e eles tem obedecido à tua palavra” (João 17.4, 6).

Ver a Jesus, portanto, e aceitar Sua missão como e revelação genuína e única do Pai, significa receber vida eterna. Jesus recebeu autoridade sobre toda a humanidade para conceder vida eterna aos que o Pai lhe deu. Essa vida é explicada em termos de “conhecer o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem ele enviou” (João 17.3). Por isso, João escreveu seu evangelho, para que os leitores creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e, crendo, tenham vida em seu nome” (João 20.31). No Evangelho de João, crer, ver e conhecer são termos sinônimos no que diz respeito à vida espiritual. A cegueira imposta pelo “deus” deste mundo e a ignorância espiritual são vencidas pelo relacionamento com Jesus Cristo marcado pela fé e amor.

Jesus Cristo veio para salvar os perdidos – Os outros evangelistas descrevem a missão de Jesus Cristo em termos de salvação. O nome de Jesus, que o anjo mandou José dar ao filho de Maria logo depois de nascer, significa, Jahweh salva, “…porque ele salvará seu povo dos seus pecados”. Salvação quer dizer “livramento”, “libertação” ou “cura”, como podemos notar em Marcos 5.28. Aí a mulher com hemorragia pensava, “Se eu tão somente tocar em seu manto, ficarei curada”. A palavra de Jesus para ela foi, “filha tua fé te salvou” (ou “curou” v. 34). Lucas encerra sua narrativa sobre Zaqueu, chefe dos publicanos com a declaração abrangente: “Pois o filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido” (19.10; Marcos 10.45). Claramente, Jesus teve a missão de salvar os pecadores.

Jesus leu Isaías 61 na sinagoga de Nazaré, o que Lhe deu uma abertura para declarar Sua missão em termos de pregar as Boas Novas aos pobres, proclamar liberdade aos presos, recuperar a vista aos cegos e libertar os oprimidos. Anunciava a chegada do ano da graça do Senhor (Lucas 4.18, 19). A missão de Cristo, confirmada neste texto, mostra que salvação se direciona em favor dos necessitados e oprimidos.

Examine os ensinamentos, inclusive as parábolas. Jesus deixou bem claro que esta salvação não idealizava uma rebelião contra o Império Romano, visando à liberdade política, mas uma mudança mais duradoura, mais profunda e espiritual. Seria nada menos do que perdão dos pecados e afastamento da ira divina. Houve uma ocasião em que Jesus curou um paralítico que quatro amigos trouxeram e baixaram, com sua maca, numa abertura no telhado. A este Jesus declarou, “Filhos os seus pecados são perdoados” (Marcos 2.5). O Reino de Deus que Jesus encarnava em Sua própria pessoa incluía a cura para o corpo e perdão para a alma. Onde quer que Jesus andava, Ele demonstrava que o Reino que se manifestava em Sua pessoa transformava corpos, mas principalmente almas.

A missão de Cristo também deu muita importância ao ensino dos Seus discípulos. A escola de Jesus tratou o caráter do discípulo no Sermão do Monte, a natureza e centralidade do Reino e da graça de Deus nas parábolas, a necessidade de arrependimento, o negar-se a si mesmo, o carregar a cruz e seguir a Jesus para alcançar a vida. O Mestre não se omitiu de ensinar pela prática, enviando os discípulos na missão de anunciar a proximidade do Reino, expulsar demônios, curar os enfermos e viver pela fé.

Por, Russel Phillip Shedd.

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