A morte de Cristo: significado e objetivo

A morte de Cristo - significado e objetivoQuando o cristão fala da cruz de Cristo, não é que está idolatrando um pedaço de madeira. A cruz lembra à Igreja a terrível forma da morte de Jesus a fim de proporcionar purificação, libertação, justificação e perfeição para o homem.

Jesus fez apenas um sacrifício e de uma vez por todas (Hebreus 9.12), mas esse sacrifício tem vários significados. Vejamos:

a) Vicário – Quer dizer “substitutivo”, ou seja, quando uma pessoa substitui outra para sofrer no seu lugar. Em algumas religiões, para seus adeptos alcançarem a salvação, exigem sacrifícios dos mesmos, mas toda a Bíblia ensina que Jesus veio para sofrer a morte no lugar do próprio homem (Isaías 53.5; Lucas 23.18-21).

b) Expiatório – Nas Escrituras veterotestamentárias, significa “cobrir”, ou seja, o sangue de Jesus tem o poder de cobrir frequentemente o pecado do homem da visão de Deus (Salmos 51.9).

c) Propiciação – Significa afastar a ira por meio de um sacrifício, a fim de proporcionar a paz entre os dois lados. Segundo os gregos, significava fazer os deuses se aplacar e se satisfazer, porque os deuses não tinham boa vontade natural, de maneira que lhes era preciso proporcionar algo para que essa boa vontade fosse manifesta. Por outro lado, Deus foi e é absolutamente contrário, mas, através da sua riquíssima misericórdia, Ele não espera algo do homem para manifestar tamanha bondade: Ele mesmo é o que é propiciado. Ele fez assim entregando o seu Filho para eliminar o pecado da vida do ser humano. Essa propiciação faz com que a ira contra a humanidade seja apaziguada.

d) Redenção – Quer dizer “resgate”. Em outras palavras, Ele libertou o homem da escravidão. Essa liberdade se deu pela dívida ter sido paga por um alto preço. Em João 19.30, Jesus disse: “Está consumado”. A equivalente expressão no grego é tetelestai, que significa “A dívida foi quitada!”.

O sacrifício de Jesus proporcionou para o homem a justificação (Romanos 5.9), fazendo assim com que aquele que antes era inimigo de Deus pudesse ser feito amigo de Deus. Justificação é diferente de perdão. Perdão lembra que alguém fez algo de errado e foi perdoado. Justificação é totalmente diferente: considera como se a pessoa nunca tivesse violado a lei do seu país. Por exemplo: suponha que certo cidadão é suspeito de um assassinado e é levado para o tribunal para ser julgado, e durante a audiência é comprovado que este cidadão não matou ninguém, não violou a Constituição seu país. Logo, o juiz não vai perdoá-lo, mas irá considerá-lo justo.

Paulo disse que nós, crentes, na pessoa bendita de Jesus, somos justificados. Como nos tornamos justificados perante Deus, se nunca conseguimos obedecer a sua Lei? Quando Paulo disse que estamos justificados, é porque Deus, ao olhar para nós, não contempla a nossa justiça, mas, sim, a justiça do seu Filho que nos cobre.

Um falso “evangelho” que está sendo pregado e ensinado na presente era em muitos lugares apresenta o sacrifício de Jesus como se ele se resumisse apenas a beneficiar o desejo egoísta do homem. Pensam que Jesus morreu apenas para curar ou para fazer o homem ser rico da noite para dia. Por outro lado, o verdadeiro Evangelho mostra totalmente o contrário do que está sendo visto e ouvido na atualidade em muitos lugares. Hoje, as pessoas querem servir a Deus somente se for através de sinais. Para servi-lo, antes o Senhor precisa fazer um milagre como curar, prosperar financeiramente ou algo do tipo.

Certa vez, os escribas e fariseus chegaram até Jesus e pediram para o Mestre mostrar um sinal no céu. Os dois maiores profetas da religião judaica foram Moisés e Elias e, durante o ministério de ambos, o que mais se viu foram sinais no céu (com Moisés, os hebreus viam a coluna de fogo, de nuvem e o maná; no período de Elias, o povo contemplou fogo caindo do céu – Êxodo 13.21; 16.4; 1 Reis 18.38). Para que os doutores da Lei cressem que Jesus era um profeta de Deus, Ele teria de ter o mesmo desempenho dos dois profetas do Antigo Testamento.

Jesus, porém, ao responder aos fariseus, disse que o sinal que iria mostrar seria o sinal do profeta Jonas (Mateus 16.1-4). Porque assim como Jonas passou três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim importava que o Filho do Homem passasse três dias e três noites no ventre da terra. Portanto, a libertação do homem seria através da morte e ressurreição de Cristo.

O propósito de Jesus ser levantado no madeiro era “para que todo aquele que nEle crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16). Observa-se que a conjunção grega hina, usada nessa passagem bíblica, significa “para que”. Vemos nela ainda o verbo eco, que no grego se encontra no modo subjuntivo, significando “tenha”. Gramaticalmente, todas as vezes em que se encontra essa conjunção e esse verbo no modo do subjuntivo e na mesma oração, o que está se indicando é propósito. Logo, o sacrifício de Cristo teve um propósito: proporcionar a possibilidade de vida eterna ao homem.

Por, Natanael Diogo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Google Translate »