A misteriosa providência de Deus

A misteriosa providência de DeusHá pessoas que estão vivendo hoje dias sombrios e noites de tremenda escuridão. Em algum lugar do planeta há alguém sem esperança e sem direção. Isto é fato, pois ao abrirmos as páginas dos jornais ou da Internet temos notícias das mais variadas expressões, e sempre de pessoas que estão atravessando mares de águas com intenso tumulto; de pessoas que passam por alguma privação. Assim, a jornada para muitos tem se projetado para fins drásticos, sem haver quem possa verdadeiramente providenciar os meios para que a vida tenha o seu sentido normal.

Mas, quando tudo parece perder o sentido, deixando-se pensar que a vida não tem mais razão de existir; quando os olhos não mais veem o belo que via antes; quando as pernas não podem mais suportar o peso do corpo ou quem sabe se a cabeça não tem mais o comando do corpo e também dos projetos tão bem calculados; quando a falta de sensibilidade em relação a algum cuidado verdadeiramente humano, ou mesmo algum cuidado divino que não chega na viração do dia; e a vida, cambaleante como um ébrio, na ocasião em que a percepção das limitações humanas se avizinha, tomando conta da mente, produzindo-se o medo quanto ao que sucederá. Mais ainda: quando tudo parece dar a entender que as noites serão cheias de terror e espanto. E quanto aos dias? Se parecerem demorados, sem cor e permeados de frustrações demasiadas, e as horas se mostrarem morosas… Do mais profundo do ser podem brotar fortemente as palavras em profunda angústia: “O sol vai perecendo, a noite está chegando, olho as montanhas infindas e o meus olhos caem em pranto, vendo a solidão desembarcando”.

Por um momento extremamente ligeiro, parecem curvar-se o que outrora eram fortes e se celebrava com ardente expectativa: as ideias, os sonhos, o vigor da vida… Isso, diante das causas de tais motivos de não-celebrações, presentes no mundo: a brutal violência, o sofrimento provocado, a opressão, o desrespeito a tudo e a todos; a inveja, o dolo, o orgulho e outros agentes desagregadores fazem que a existência perca o sentido. Todo esse contexto é fruto do pecado no coração do homem, que se tornou rebelde para com o Criador e também para o semelhante. A indagação da alma logo se agita e diz: Por quê? É a primeira pergunta que o ser humano faz, tentando deslocar do invisível todas as respostas para as indagações da alma. Assim, gera-se o pior sentimento; e o pior sentimento é aquele em que a pessoa relaciona as negatividades com alguma falta cometida no passado. Logo diz: “estou pagando pelos meus erros”. A tensão só aumenta assim quando assim se procede. Parece que a vida é de pura contradição: uma hora sorrimos, outra choramos; num tempo vivemos, noutro morremos.

Quem nos ajudará a entender estes e todos os paradoxos da existência? São tantas as contradições e dissabores! Tantos! Tantas…! A nossa existência é ao mesmo tempo limitada, e também um mistério que não se entende somente pelo mero raciocínio, fruto da razão. E, muitas vezes da razão sem o toque da fé, e sem a experiência da fé tudo vira confusão.

Mas, lá no mais profundo, no mais íntimo da alma, entoa-se, baixinho, uma certeza de que todas as carências são supridas por alguém que nos ama e cuida de nós; alguém que exerce a sua providência e diz: “… Dar-te-ei os tesouros escondidos e as riquezas encobertas, para que saibas que eu sou o Senhor, o Deus de Israel, que chama pelo teu nome” (Isaías 45.3). Esta voz se une à experiência que a pessoa tem de Deus, a qual é sua mesma e não de outro, pois todos nós temos as nossas experiências diversificadas. Desta forma, a alma pode se calar, no sentido de que a fé está sendo dinamizada pelo amor divino que ampara. Sendo assim, é preciso exercitar a fé que é dom de Deus. O coração humano não se contenta enquanto não obtém o resultado de que tanto deseja, se não colocar em exercício esse maravilhoso dom, instrumento da graça divina que atua com poder nos corações aflitos. Ele é o antídoto contra a descrença e o misticismo desenfreados, tão atuantes em nossos dias, colocando pessoas em extremos dissabores.

A fé nos dá a certeza de que o Senhor supre todas as necessidades do ser; que não devemos confiar única e exclusivamente em nós mesmos, mas na força e no poder do Senhor que tudo pode; do Senhor Deus que é PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO. Esse suprimento é parte daquilo que se denomina “providência”. Essa providência fortalece a vida diante dos seus embates, os quais se tornam em desafios. E, podemos ter a certeza de que as grandes e preciosas promessas de Deus são evidenciadas e garantidas na Sagrada Escritura, que não pode contradizer-se ou mesmo falhar. E, quando no íntimo se ouve uma voz de medo e de dúvida, de forma inexplicável surge a certeza de que não estamos sozinhos, porque há Deus. O Senhor diz: “Eu sou o Senhor, e não há outro; além de mim não há Deus; eu te cingirei, ainda que não me conheces” (Isaías 45.5). Assim, ficamos perplexos e afirmamos: “Verdadeiramente, tu és Deus misterioso, ó Deus de Israel, ó Salvador” (Isaías 45.15).

Ainda, ouve-se a voz que ecoa misteriosa, no recôndito da alma: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará” (Salmo 23.1). Assim, a fé se movimenta e se exercita no sentido de contemplar o que ainda não ganhou forma, mas que já existe. O íntimo vai se acalmando, pela suave brisa da Palavra de Deus, enquanto o corpo vai também recebendo as benesses divinas incomensuráveis. Isto tudo somente pode vir do Deus que se revela em Sua Palavra, na alma que por Ele anseia e que Nele busca o socorro verdadeiro. Portanto, diante do conforto e da providência de Deus, do Deus que é bom, e que em Seu amor nos conduz sempre em triunfo, e que por meio de nós manifesta a Sua glória, em todos os lugares, seja feita esta oração confiante: Oh, Senhor, Senhor Deus de misericórdia! Uma coisa eu te peço: não me deixes cair na tentação do descrédito e da ausência do exercício do dom da fé em Ti e nas Tuas preciosas e mui grandes promessas. Tu és o Deus da providência!

Por, Nelson Célio de Mesquita Rocha.

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