A importância da Igreja nos presídios

Dificuldades da evangelização nos presídios e conselhos para quem milita nela

A importância da Igreja nos presídiosO avanço da criminalidade superlota os presídios do Brasil. Segundo estatística, a população carcerária ultrapassa a casa de meio milhão de detentos. Isso é um dos vários resultados do que diz a Bíblia, que “o mundo jaz no maligno” (1 João 5.19). Vemos a continuidade do mal em nossos dias, que traz por consequência a elevação dos degraus da violência. As Escrituras Sagradas nos fazem entender que não podemos esperar grande melhora do mundo, senão que ele avance para pior, por estar sendo orientado pelo maligno (João 7.7; 17.25; 1 João 5.19).

Se violência não é possível acabar com a violência, é necessário que se ache o caminho do bem para minimizar a desenfreada escalada da violência deste mundo, cuja bússola, com certeza, não nasce da ciência e da inteligência humana. Os valores morais estão, deveras, tão invertidos, que quem (famílias do bem) deveria estar livre acha-se preso sob as poderosas grades de sua residência, refém do medo, enquanto as pessoas que deveriam estar presas (os criminosos), mesmo atrás das grades, estão quase que plenamente soltos. A população clama por segurança, mas o que se vê é cada vez mais insegurança. Sem generalizar, sabe-se até que grande parte das autoridades constituídas para defesa das famílias trabalhadoras, que primam pelo bem, pelos valores morais, inverte o papel, passando a oprimi-la.

O mundo criminoso dentro dos presídios tornou-se mais forte do que o de fora deles. Com tanta “rigorosidade” nas portas dos presídios, não se sabe o porquê de tanta entrada de meios de comunicação (celulares) para uma população que foi programada para viver temporariamente no “isolamento”, afastada da sociedade benéfica. Muitas vezes, há excesso de rigorosidade até para com os evangélicos que evangelizam nos presídios, que mesmo com alguns sem grandes preparos, levam a única mensagem transformadora de vidas, que é a Santa Palavra de Deus. Também há o excesso de morosidade na aplicação das leis e frouxidão para com as pessoas comprometidas com o mal, nas necessárias visitas presidiárias, trazendo à lembrança os dias do profeta Habacuque, quando em sua oração disse: “Até quando, Senhor, clamarei eu e tu não me escutarás? Gritarei violência! E não me salvarás; porque razão me faz ver a iniquidade e a vexação? Porque a destruição e a violência estão diante de mim; há também, quem suscite a contenda e o litígio. Por esta causa, a lei se afrouxa, e a sentença nunca sai; porque o ímpio cerca o justo, e sai o juízo pervertido” (Habacuque 1.2-4).

Como se sabe, em sua triunidade, o homem é composto de espírito, alma e corpo, tendo a alma (psique) como a sede de sentimentos, tanto bons como maus. Nenhuma capacidade ou ciência humana pode atingir essa alma com poder de transformá-la. Nisso, se explica o aumento do volume da violência no mundo, e a revelação do presídio como escola falida, onde entram os criminosos com proposta de recuperação através da ressocialização, e saem mais revoltados, ampliando o seu grau de periculosidade, sob a eficácia de Satanás, para cometerem mais crimes, muitos como “missionários” cumpridores da “missão satânica”. O Diabo opera nas mentes humanas sem temor de Deus, matando, roubando e destruindo os maiores valores das pessoas, que são as suas almas, elemento de valor eterno.

Em face disso, entendemos que os governos seculares, em todos os graus de autoridade, ocupantes dessas honradas cadeiras, postas pela vontade divina, mostram inteligência, sabedoria e querem de fato ressocializar esses detentos quando entendem que a sua autoridade se limita ao físico, e que o problema em pauta é de ordem espiritual e não material (natural), e que a Igreja do Senhor Jesus Cristo (seu corpo místico na terra) é a única autoridade no assunto espiritual, que por meio da sua fé vê o invisível, apalpa o impalpável. O Estado deve fazer a sua parte, e deve permitir que a Igreja também faça a sua, abrindo as portas dos presídios para a livre entrada da Palavra de Deus, o único agente transformador da humanidade.

Infelizmente, em alguns presídios onde os pregadores levam a paz suavizadora da alma, muitas vezes eles são barrados e ridicularizados pelos guardiões responsáveis por tais casas. Sem falar de algumas humilhações que esses cristãos sofrem nessas portas. Em alguns casos, fica parecendo que os pregadores da Palavra de Deus são piores do que os detentos dessas selas. Algumas vezes, o líder de nossa equipe de evangelismo dos presídios teve que resistir a certos agentes, ameaçando-os de fazer contatos com a Secretaria da Justiça, quebrando o clima pacífico, pela liberação da entrada de uma caixa de som para se fazer o culto evangelístico nas selas.

Aproveitamos esse precioso espaço para aconselhar aos pastores líderes de igrejas comprometidas com esse sublime trabalho de evangelização a fecharem quaisquer brechas, orientando e, se necessário, até privando os evangelistas voluntários despreparados de fazerem tais trabalhos nos presídios, em função da complexidade desses locais. Também orientamos que esses evangelistas conheçam e respeitem os regulamentos internos dessas casas prisionais, e que, sobretudo, além do preparo teológico, fundamentalmente bíblico, sejam psicologicamente equilibrados na aplicação das palavras adequadas para essa necessitada classe de pessoas.

Em sequência, evocamos as autoridades civis e militares gerais para desobstrução desse caminho, oferecendo a sua parcela de contribuição no resgate dessas almas revoltadas pela sua sujeição à operação diabólica, porém amadas por Jesus, pela Igreja e por seus familiares, com todo o direito de usufruir de tais oportunidades, que, no curso desta vida, quiçá, poderão ser as últimas.

Por, Ezequias Soares.

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