A Igreja como organismo vivo e seu dinamismo espiritual

A Igreja como organismo vivo e seu dinamismo espiritualEm termos espirituais, a igreja é um organismo vivo, um corpo, do qual Cristo é a cabeça. Está escrito: “Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros” (Romanos 12.4-5). “Ora, vós sois o corpo de Cristo e seus membros em particular” (1 Coríntios 12.27). Não podemos perder essa visão. Tudo tem que começar pelo espiritual e terminar pelo espiritual. A parte humana é meio e não fim.

Em termos humanos, não obstante a igreja não ser uma empresa, no sentido escrito do termo,, mas, sim, uma organização, é necessário que tenha dinamismo, dentro das condições em que ela se situe. Uma igreja em um país muçulmano não pode ter o mesmo desempenho que uma igreja no Brasil, onde, pela graça de Deus, existe liberdade religiosa. Na Europa, onde se verifica um grande esfriamento espiritual, uma igreja local com 50 membros é um sucesso. No Brasil, é uma pequena congregação.

O dinamismo mais importante que uma igreja precisa experimentar é o dinamismo espiritual.

O Espírito Santo é o dínamo que movimenta a Igreja. Sem sua ação, é impossível movimentá-la de acordo com a vontade de Deus.

Nos dias em que vivemos, nota-se que em grande parte das igrejas há uma grande carência do poder movimentador do Espírito Santo. Parece que a influência do mundo tem amortecido ou dificultado a presença do Espírito em  muitas igrejas locais.

Certo obreiro utilizou-se de Jeremias 6.29 para ilustrar o que está acontecendo com muitas igrejas evangélicas. Ali está escrito: “Já o fole se queimou, o chumbo se consumiu com o fogo; em vão vai fundindo o fundidor tão diligentemente, pois os maus não são arrancados”. Sem a integridade do fole, é impossível soprar as brasas no fogo que funde o metal. Assim, quando a igreja não tem mais a integridade do “fole” do Espírito, com seu sopro de poder renovador e moldador de vidas, que são a sua matéria prima, em vão se trabalha na obra. Com isso, prevalecem os maus, os que não têm interesse em ver a obra do Senhor crescer de modo dinâmico e pujante.

Existe uma movimentação enérgica, quase frenética, no que diz respeito a eventos movidos pela técnica e até pela pirotecnica. Haja vista os chamados shows, em que igrejas, salões ou estádios ficam cheios de gente em busca de movimento humano. O dinamismo espiritual não passa por tais movimentos, onde o homem, isto é, o pastor, o pregador e o “artista crente” são o centro das atenções.

A finalidade do Espírito Santo é glorificar a Cristo (João 16.14). Ele jamais atua ou dinamiza uma igreja em que o homem é o centro, a exemplo da igreja em Laodicéia, que se caracteriza pelo “governo do homem”, pela afirmação dos “direitos do povo” ou “direitos humanos”, em que o homem era o centro de tudo. O humanismo de mãos dadas com o liberalismo, tem promovido um falso avivamento em muitas igrejas.

Quando Jesus estava para partir de volta aos Céus, Ele ordenou aos discípulos que permanecessem em Jerusalém, até que do alto fossem revestidos de poder (Lucas 24.49). Eles já haviam estado com Cristo, presenciado milagres e sinais, e tido a experiência de demonstrar o poder de Deus, a ponto de, retornando de uma jornada evangelística, dizerem admirados a Cristo: “Senhor, pelo teu nome, até os demônios se nos sujeitam” (Lucas 10.17).

Mesmo assim, precisavam esperar o derramamento do Espírito Santo, que ocorreu dias depois, conforme os relatos de Atos 2. O batismo no Espírito Santo foi o diferencial entre a Igreja deixada por Cristo e as velhas estruturas do judaísmo e de outras religiões e movimentos filosóficos conhecidos, que não tinham poder para a transformação das vidas e da sociedade.

A ação do Espírito Santo na Igreja Primitiva fez-se sentir de modo tão marcante, que podemos encontrar nas páginas do Novo Testamento o efeito dinâmico do poder de Deus.

Em Atos 2.41-47, vemos o modelo eclesiástico ideal para todos os tempos, com as devidas adaptações. Houve decisões de almas, não apenas o levantar de mãos, de modo que “quase três mil almas” se agregaram à igreja. Havia doutrina, comunhão, orações. Havia temor de Deus e o povo podia ver os milagres acontecerem com maravilhas e sinais pelos apóstolos.

A cura de um homem coxo (Atos 3) fez o povo reconhecer que algo novo havia surgido naqueles dias, através de homens simples e desprovidos de grande cultura. O poder era tão grande que abalou as estruturas religiosas enferrujadas dos líderes do Sinédrio, e o inferno se levantou contra a novel igreja. Mas a mão de Deus os libertou “e, tendo eles orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo e anunciavam com ousadia a palavra de Deus” (Atos 4.31).

Diante disso, não temos dúvida de que, se uma igreja local precisa de dinamismo, é necessário que seus líderes, juntamente com os crentes, procurem seguir o modelo deixado por Cristo, buscando o poder dinâmico do Espírito Santo em seu meio, não se deixando dominar pelo vírus do modernismo liberalista.

A unção de Deus é a capacitação do obreiro para realização da missão que lhe é confiada. Sem ela, o pastor e a igreja sofrem pela falta de poder, sabedoria, graça, habilidade, energia e condições para vencer as lutas e vicissitudes que envolvem a ação ministerial. Os dons são manifestações dessa unção poderosa na vida do líder e da igreja.

Em uma linguagem simples, podemos dizer que os dons do Espírito Santo são “ferramentas” e “equipamentos” ultramodernos de “última geração” para o dinamismo da igreja local. Sem eles, a igreja não passa de uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos, com estatuto próprio e razão social. Nada mais do que isso. Pode assemelhar-se a um “clube recreativo religioso” onde os crentes vão ouvir bons sermões, belos hinos e se deleitam com o evangelho de entretenimento”, que se contenta com o movimento corporal, com as coreografias ensaiadas, as danças, os pulos, os balés, os aplausos e assobios, no estilo semelhante ao dos espetáculos mundanos. Os dons são indispensáveis para o dinamismo da igreja.

Por, Elinaldo Renovato de Lima.

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