A hipocrisia mata

A hipocrisia mataVivemos dias, nos quais a hipocrisia tem causado efeitos danosos à humanidade, mais do que em qualquer outra era. É bem verdade que, de acordo com as Sagradas Escrituras, desde que entendemos o homem formado em sociedade, o vírus da hipocrisia se manifesta.

É lógico que tudo que é fruto do pecado, em primeira instância, já é desgastante, corrosivo, maléfico, diabólico e venenoso, e, como não poderia ser diferente, ao final, se instala a tragédia fatal, pois “O salário do pecado é a morte” (Romanos 6.23).

Muitos imaginam que a morte só acontece fisicamente, como o foi no caso de Ananias e Safira na Igreja Primitiva. Erroneamente, imaginam ainda que o referido casal tornou-se símbolo daqueles que enganam Deus e a Igreja, exclusivamente quanto ao valor do dízimo e outras contribuições.

Na verdade, foi a hipocrisia (filha híbrida da aparência com a mentira), aceita socialmente pela humanidade, que levou Ananias e Safira à desgraça fatal. Percebendo o aparente louro social auferido por José, cognominado Barnabé, diante da Igreja, ao vender sua propriedade e depositar o respectivo dinheiro diante dos apóstolos, quiseram eles ser credores do mesmo “status espiritual”, se é que existe isso (Atos 4 e 5).

O problema é que espiritualmente o coração do casal era diferente do coração de José. Ananias e Safira não tinham fé suficiente para serem credores daquele “status” que almejavam. Eram vazios, rasos na fé, cabeças de “socialite”; faziam de tudo apenas para aparecer, coisa de “papagaio de pirata”. Morreram fulminados diante da Glória de Deus manifestada através da vida do apóstolo Pedro, simplesmente porque mentiram, usando a máscara da hipocrisia. Foram hipócritas ao dizerem que estavam dando tudo da mesma forma como fizera José no dia anterior, quando, na realidade, tinham retido uma parte para si. Se o patrimônio era deles, não precisavam mentir; era só dizerem ao apóstolo que estavam dando parte do dinheiro auferido com a venda da propriedade. Agiram com hipocrisia para não admitirem que eram “menos crentes” ou tinham “menos fé” do que José. Ninguém ou seja, duvidosos, mentirosos, levianos e torpes, tudo no afã de saciar sua própria ganância de poder, status social e até de falsa espiritualidade.

Satanás, o maior conhecedor da matéria, justamente por ser o autor do “projeto de lei” e também executor primaz dessa miserável atitude, investe tudo que pode para que os homens mordam sua isca infectada por esse vírus.

A hipocrisia é como uma fantasia. Ela esconde a realidade e faz a mentira tornar-se aceitável, por isso mesmo engana a muitos. Os enganados se conformam e os enganadores por fim passam a acreditar na própria hipocrisia, até porque, para eles, a atitude passa a ser um produto de primeira necessidade.

O ser humano tem a tendência de se tornar dependente de tudo aquilo que engana e ameniza sua dor, como, por exemplo, um medicamento analgésico que dê uma sensação momentânea, ainda que saibamos que não nos cura, mas tornamo-nos dependentes dele.

A hipocrisia, no entanto, é muito pior ainda, pois age como uma droga química, tipo cocaína, crack ou heroína, porém, na esfera do espírito e da alma, corroendo princípios morais, éticos e o caráter. Muitos estão tão atolados na hipocrisia que a falta dela lhes trariam crises sentimentais, financeiras e até existenciais.

O pior é que o maldito vírus está encubado em praticamente todos os lugares. Onde houver um ser humano obcecado por poder, dinheiro, fama, glamour ou qualquer outro tipo de status, o ambiente e a temperatura são propícios para sua manifestação e proliferação.

Ultimamente, dois polos da sociedade têm sido alvos de escândalos provenientes da hipocrisia o poder público e a igreja.

O vírus da hipocrisia se instala justamente naqueles que querem camuflar os piores sentimentos, de tal maneira que possam enganar seus interlocutores com uma pseudotransparência. Essa “transparência”, então, ganha aparência de honestidade e trabalho, através de cargos eletivos e comissionados nas diversas esferas do poder público. E, pasmem, infelizmente na própria Igreja, um lugar que, por dever de ofício e vocação divina, deveria provocar calafrios em quem pelo menos pensasse em utilizá-la com fins escusos. Mas, não, muito pelo contrário.

Jesus foi compassivo e conselheiro com a mulher pecadora arrependida, porém foi implacável em combater a hipocrisia dos escribas e fariseus.

Pior do que morrer fulminado é sangrar dia a dia nos telejornais, nas páginas dos periódicos, nos comentários sarcásticos de jornalistas, nos balcões de botequim, nos restaurantes chiques ou populares e nas cantinas das igrejas, e isso na frente de familiares, superiores, subordinados, amigos, vizinhos, parentes e irmãos de fé.

Deus não tem interesse que ninguém sofra ou morra à mingua, pois Ele é amor e justiça, e concede a possibilidade de que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade (1 Timóteo 2.4). Que o Senhor tenha misericórdia deles e de nós! “Pelo que, rejeitando toda imundícia e acúmulo de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar a vossa alma” (Tiago 1.21).

Por, Carlos Roberto Silva.

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