A fase oculta da vida de Jesus

A fase oculta da vida de JesusTemos na Bíblia poucas informações sobre a infância do Senhor Jesus, concentradas principalmente no Evangelho segundo Lucas. Entretanto muitas especulações foram levantadas e muitas informações sobre o assunto estão em livros considerados apócrifos, como: evangelho de Pedro, de Tomé e de Tiago, e outros. Mas a única fonte confiável que temos sobre Cristo é a Bíblia Sagrada e não as fábulas (2 Pedro 1.16). O Evangelho foi escrito para que tenhamos “a certeza das coisas” e é baseado em relatos de testemunhas, sob a inspiração do Espírito Santo (Lucas 1.1-4).

O nascimento de Jesus, circuncisão e purificação

Lucas relata o nascimento de Cristo, festejado pelos anjos e pastores (Lucas 2.22-39). Os pastores adoraram o menino Jesus na estrebaria em Belém. No oitavo dia de vida o menino judeu é levado à sinagoga para realizar a circuncisão (Brit-Milá). Jesus foi levado por seus pais para realizar esta cerimônia prescrita pela Lei (Lucas 2.21; Levíticos 12.2-6) e aos 40 dias foi levado ao templo em Jerusalém para ser apresentado ao Senhor e para a oferta pela purificação (Lucas 2.22-24). Os magos – quantos eram não é dito no texto sagrado – fizeram sua visita numa casa, provavelmente alguns meses depois do nascimento de Jesus. Alguns estudiosos acham que seis meses ou mais (Mateus 2.11); a fuga para o Egito aconteceu depois (Mateus 2.13), quando Jesus estaria com cerca de 2 anos de idade, pois esta é a idade dos meninos que o rei Herodes mandou matar (Mateus 2.16).

O retorno da família a Israel acontece após a morte de Herodes, quando Arquelau, seu filho reinava na Judéia (Mateus 2.19-22). Segundo o historiador Josefo (Antiguidades 17.10.741) Herodes morreu no ano 4 d.C. (749 AUC), quando Jesus estaria com cerca de 8 anos (por um erro de cálculo, o ano do nascimento de Jesus é o ano 4 a.C.

A viagem a Jerusalém

Anualmente os pais de Jesus subiam a Jerusalém para a páscoa e quando Ele completou doze anos, foi com eles. Aos 13 anos, o menino judeu deve realizar o ritual chamado Bar-Mitzvá, quando sobe ao púlpito e lê um trecho da Torá. A partir de então, ele é considerado um adulto responsável por seus atos, do ponto de vista judaico. Bar-Mitzvá significa “filho do mandamento”. A criança de 13 anos passa a ter as mesmas obrigações religiosas dos adultos. Um ano ou dois antes deste ritual o menino deve ser levado para a observância. Os mestres preceituavam que, a partir dos doze anos, os adolescentes começariam a jejuar de vez em quando. Os que dessem provas de obediência e consagração realizariam o Bar-Mitzvá. Talvez seja esta a razão porque seus pais levaram o menino Jesus a Jerusalém.

Eles permaneceram em Jerusalém durante os dias da Páscoa, que durava uma semana (Lucas 2.44-45). No retorno, a caravana das mulheres partia primeiro e os homens iam depois. Na parada do pouso, verificaram que o menino não os acompanhara. Procuraram-no durante três dias entre os companheiros de viagem e os parentes e não o encontraram. Jesus estava no templo, com os doutores da Lei (Lucas 2.46).

Eles discutiam acerca do reino de Deus (Lucas 2.49). Em dias especiais os membros do Sinédrio saiam ao terraço do templo e faziam instruções populares,  quando as pessoas comuns podiam fazer perguntas. Jesus ouvia e perguntava (Lucas 2.47). O menino já tinha consciência da importância do Pai em Sua vida. Cuidar dos negócios do Pai, fazer a Sua vontade e realizar a Sua obra eram os principais objetivos da vida terrena de Jesus. A primeira declaração de Jesus registrada na Bíblia é esta: “me convém tratar dos negócios de meu Pai”.

O desenvolvimento de Jesus

Cristo teve um desenvolvimento humano como os demais homens. Desenvolveu-se intelectualmente, fisicamente e espiritualmente (Lucas 2.51-52), dando um exemplo de submissão aos pais. Como verdadeiro homem, Cristo passou pelas faixas etárias como qualquer homem, “participou das mesmas coisas” que estes (Hebreus 2.14) e aprendeu com estas experiências, como homem (Hebreus 5.8).

Suposições sobre a Vida “Oculta” de Jesus

  • Levi H. Dowling escreveu o livro “O evangelho de Jesus, o Cristo, para a era de Aquário”. Tal obra contém muitos relatos da peregrinação de Jesus (ou Issa) pelo Extremo Oriente, na Índia e no Tibet, aprendendo com seus gurus.
  • Nicolai Notovitch publicou em 1894 o livro “A Vida de Santo Issa”, relatando que encontrou no mosteiro budista de Hemis, em Ladakh, no norte da Índia, um manuscrito que relatava a vida de um profeta chamado “Issa”, que era muito semelhante a Jesus de Nazaré.
  • Outros afirmam que Jesus foi criado no deserto pelos  essênios, numa vida ascética. Segundo estes, os manuscritos descobertos em Qumran (localidade situada no deserto de Judá na depressão do Jordão, ao noroeste do Mar Morto e ao sul de Jericó) mencionam um famoso “Mestre da Justiça”, a quem tentam identificar com Jesus.

Não existe a mínima evidência de que Jesus tenha estado em um único lugar fora da Palestina, senão no Egito. Manuscritos hindus que falem sobre Jesus jamais foram encontrados e ainda que os Evangelhos não descrevam a adolescência de Jesus, existem referências que nos convencem que esta aconteceu em Israel.

Quando Jesus começou seu ministério, todos o identificaram como alguém do seu meio:

  • Filho do carpinteiro, irmão de Tiago, José, Simão e Judas (Mateus 13.55);
  • Carpinteiro, filho de Maria (Marcos 6.2);
  • Filho de José (Lucas 4.22).

Tinha-se conhecimento, na comunidade em que Jesus vivia que Ele era carpinteiro (Marcos 6.3). Jesus viveu com sua família, a ponto de Ele ser chamado nazareno (Mateus 2.13; 21.11; 26.71; Marcos 1.24; 10.47; 16.6; Lucas 4.34; 18.37; 24.19; João 1.45; 18.5, 7; 19.19; Atos 2.22; 3.6; 4.10; 6.14; 22.8; 26.9). Ele foi criado em Nazaré (Lucas 4.16) e as pessoas da sinagoga conheciam Seu pai (v. 22). Seus seguidores eram conhecidos como a “seita dos nazarenos” (Atos 24.5). Isso jamais teria ocorrido se Jesus tivesse crescido na Índia. Ele veio “de Nazaré da Galileia” para ser batizado por João Batista no rio Jordão (Marcos 1.9); e que, após o aprisionamento deste, Jesus “deixando Nazaré, foi morar em Cafarnaum” (Mateus 4.12, 13). Próximo ao final do Seu ministério público na Galileia, Jesus retornou a Nazaré, chamada de “a sua terra” (Mateus 13.54; Marcos 6.1).

Os ensinos de Jesus nada têm a ver com os ensinos do hinduísmo e do budismo:

  • Jesus ensinava a ressurreição, não a reencarnação (Mateus 22.29-32; Lucas 16.19-31);
  • Jesus dizia que os seres humanos valem mais do que os animais (Mateus 6.26), enquanto os hindus creem que eles são deuses;
  • Jesus cria em um único Deus (Marcos 12.29-30), enquanto os hindus são politeístas;
  • Jesus comia carne de animais (Lucas 24.40-44), coisa que os budistas e hinduístas evitam;
  • Jesus declara que a salvação vem dos judeus e não de supostos gurus (João 4.22);
  • Jesus sempre citou o Antigo Testamento e nunca o Vedas (livro sagrado hindu).

Alguns alegam que João Batista não conhecia a Cristo até ser este batizado por ele (João 1.31, 33), porque Jesus havia se mudado para outro país. Mas a verdade é que eles moravam longe um do outro. Enquanto Jesus permaneceu na Galileia (Marcos 1.9), João Batista residia na Judeia (Lucas 1.39, 40, 65, 80).

E quanto à vida com os essênios, embora Jesus tenha estado no deserto (Mateus 4.1), nenhuma evidência foi encontrada nos manuscritos do Mar Morto que ligue Jesus a estes ascetas, mesmo após décadas de análise, feita por eruditos judeus, católicos e protestantes.

Conclusão

As evidências encontradas nas Escrituras sobre a vida de Jesus antes do início do seu ministério são poucas, mas suficientes para crermos que Ele nasceu em Israel. Seus ensinos vieram do Pai (João 14.24), e não de gurus orientais. Os Evangelhos não são o registro biográfico de Jesus, mas o registro inspirado de Seus ensinos, Seus milagres, a Sua paixão, morte e ressurreição para a salvação do homem. O que foi escrito nos Evangelhos foi “para crerdes que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome” (João 20.31).

Bibliografia consultada

COSTA, Samuel. Os Anos Obscuros da Mocidade de Jesus Cristo. Porto Alegre: Chamada da Meia-Noite, 1996.
SOARES, Esequias. Cristologia – A doutrina de Jesus Cristo. São Paulo: Hagnos, 2008.
www.icp.com.br/56materia3.asp, acessado em 16/03/2010.

Por, Carlos Kleber Maia.

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