A Fé em Cristo transforma as vidas

A Fé em Cristo transforma as vidasNa madrugada do dia 12 de janeiro de 2011 testemunhamos o maior desastre natural do nosso país. As chuvas que atingiram a região serrana do Rio de Janeiro devastaram seis municípios, deixando mais de mil mortos. Os deslizamentos que ocorreram durante a madrugada surpreenderam os moradores e destruíram casas, bairros inteiros, famílias inteiras. Ainda hoje, esse bairros estão em reconstrução.

Entretanto em meio a esta calamidade algo notável aconteceu. Muitas pessoas foram sensibilizadas com a necessidade do próximo e se mobilizaram para ajudar. Centenas de voluntários migraram para a região serrana do Rio de Janeiro, para juntar forças com o Estado, e ajudar aquelas famílias. Os voluntários levaram mantimentos, limparam ruas, consolaram pessoas que choravam, brincaram com as crianças. Enfim, em uma palavra – eles forneceram amparo.

Houve destaque para diversas igrejas cristãs nessa mobilização. Na verdade, este é o eixo central do cristianismo: o amor ao próximo. A fé em Cristo, quando genuína, não consegue se esconder. Ela se materializa em ações de amor e cuidado direcionadas ao próximo, as quais são geradas espontaneamente no coração do cristão, mediante a percepção de uma necessidade.

Neste artigo, daremos destaque a esta estreita relação entre fé e obras – tema desenvolvido com bastante clareza na epístola de Tiago.

Existem algumas questões polêmicas que rodeiam este tema, sobre os quais iremos refletir: Qual é o lugar das obras no processo de regeneração, novo nascimento e salvação? As obras têm o poder de determinar a salvação? Dar valor as obras não é o mesmo que denegrir o valor da Graça de Deus? As obras não são o eixo central da Lei enquanto a fé é o eixo central da Graça?

Leiamos o texto de Tiago 2.14-18, 26:

“Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquietai-vos, e fartai-vos; e não lhe derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. (…) Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem as obras está morta”.

Nesta ligeira exposição já podemos perceber a relevância dada pelo autor ao tema da prática da fé. Se compararmos essa declaração com a teologia paulina, que aborda a salvação como resultado exclusivo da fé e da graça de Deus (Romanos 3.21-28; Gálatas 2.16; Efésios 2.8), haverá quem identifique certa oposição.

Entretanto, se observarmos os textos bíblicos não a partir de uma bipolaridade, mas partindo de uma ideia de complementaridade a polemica terá fim.

Afinal, que significa crer em Jesus?

Jesus iniciou seu ministério declarando: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mateus 4.17). Ele anunciava a boa notícia de que um novo reino começa a se instalar aqui nesta terra. Um reino com valores diferentes, onde não há distinção entre pessoas, onde ricos não exploram pobres, onde não há injustiça, onde há paz, onde os que choram são consolados, onde o menor é o maior, onde a mágoa cede lugar para o perdão, onde a palavra de ordem é amor (Lucas 17.21; João 18.36; Romanos 14.17; 1 Coríntios 4.20).

Para fazer parte deste reino, do Reino de Deus, é preciso crer em Jesus e em Sua obra redentora na cruz. A partir daí passa-se por uma restauração espiritual interna (João 3.5), que chamamos popularmente de ‘novo nascimento’, que implica em uma mudança de hábitos, postura, prioridades e de estilo de vida. Essa mudança começa com uma decisão pessoal e intransferível e vem acompanhada do compromisso de propagar a cultura do Reino neste mundo (Mateus 24.14; 28.19; Marcos 13.10; 16.15).

Assim, declarar sua fé em Jesus pressupõe a existência de novas práticas – semelhantes às dEle. A fé cristã só pode ser chamada assim se em nossa vida existir as práticas de Cristo. Se for uma fé apenas retórica, então não é uma fé cristã. As obras não garantem a salvação, mas a mudança de vida é uma evidência da salvação em Cristo. Portanto as boas obras e o bom testemunho não desvalorizam a Graça de Deus em nossas vidas, apenas a realça.

O Evangelho do Reino traz mudanças internas, externas e sociais. De maneira que a Igreja (não como instituição, mas como comunidade de pessoas transformadas) precisa ser uma agente de transformação da sociedade em todas as esferas: familiar, profissional, política, acadêmica, ambiental e sociológica. Há de se compreender a missão da Igreja como uma Missão Integral.

No presente século, nós, enquanto Igreja de Cristo, temos o grande desafio de expandir o Evangelho do Reino, ganhando as almas para Cristo e gerando mudanças em vidas – E como podemos realizar esta missão? Anunciando o Evangelho, crendo nele e demonstrando nossa fé com a nossa práxis.

Por, Flavianne Vaz.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Google Translate »