A Bíblia, a fé e o relativismo

biblia-e-vela_3521_1024x768Viver é um ato de fé. Precisamos acreditar que voltaremos para casa toda vez que dela saímos, que ao final do mês de trabalho, o dinheiro do salário estará depositado em nossa conta pelo patrão. Ao nos sentirmos doentes, precisamos crer que aquele homem vestido de branco dentro de uma sala de aparência limpa estudou medicina realmente e que, além de interpretar bem nossos sintomas, saberá indicar o remédio que trará alívio às nossas dores. É ainda pela fé que nos dispomos a sair do leito confortável e nos deslocarmos até o local onde o médico lá está. Pelo menos, é assim que funcionamos.

A fé também é necessária para que nos alimentemos, pois afinal, quem garante os nutrientes e a salubridade das ervas, cereais e carnes? Pesquisadores existem, mas será que aquilo que pesquisadores escreveram nos relatórios corresponde ao que realmente resultou do experimento ou não será apenas aquilo que eles querem ver? E como terá sido a formação desses pesquisadores?

E por falar em verdade… O que é realmente é a verdade? Essa pergunta, aliás já foi feita entre duas personagens famosas há mais de 2 mil anos. Questionado por Pilatos quanto à acusação que os líderes religiosos lhe faziam de se apresentar como Rei dos Judeus, o Senhor responde: “Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz”. Então, Pilatos, que era conhecedor das questões filosóficas, retrucou: “O que é a verdade?”. E, sem aguardar resposta, numa atitude tão relativista quanto o pode ser qualquer cidadão que acredita piamente apenas no que seus olhos veem, iniciou os preparativos da crucificação da Verdade Absoluta (João 18.37, 38).

Fé natural e fé bíblica

A fé bíblica e a fé para a salvação estão relacionadas à crença de que a Bíblia é a Palavra de Deus e que nela temos a garantia não apenas da ressurreição como também de que viveremos na eternidade com o Eterno. Nessa categoria de fé, incluímos também acreditar nos fatos extraordinários que a Bíblia narra, como a travessia do Mar Vermelho, a realidade do maná que alimentou o povo no deserto e outros relatos. Essa fé refere-se também à crença da realidade dos dons espirituais, inclusive quanto à operação de milagres. Trata-se de fé sobrenatural dada por Deus e operada por meio do Espírito Santo.

Já a fé natural, que nos remete ao viver como um ato de fé pode ser resumida em dois verbos: acreditar e confiar. O ser humano depende de seus relacionamentos para se organizar como pessoa, ou seja, para construir sua própria identidade. Eu sei que eu existo também porque me vejo nos olhos dos outros seres humanos e sou chamada por eles ao invocarem o meu nome. E, vendo-me nos olhos do outro, me imagino um ser igual a ele. Nem mesmo um espelho me daria tanta certeza, se eu não tivesse clara evidência do que é um esp elho e qual a sua função. Isso evidência a necessidade do homem com respeito à fé – isto é, precisamos crer naquilo que nossos olhos nos mostram e nossos ouvidos sugerem. Se não pudéssemos crer e confiar no amor e na amizade do outro, a vida seria insuportável.

Se a vida no plano natural depende do crer, como não o seria no plano espiritual? Como seres inteligentes, precisamos olhar para um plano maior a fim de obtermos respostas às questões existenciais. Por que sou como sou? De onde vim? Para onde vou? Confesso que fico triste quando alguém que conheço me diz que minha cadelinha vai morrer e que, quando a vida não for mais viável em seu corpinho, ela simplesmente deixará de existir. Extinguir-se-á! Entendo. Se thanatos é separação entre corpo físico e o corpo espiritual, logo o animal, não tendo espírito, não pode estar sujeito a thanatos. Apenas se extingue. Mas, e nó mesmos, seres inteligentes e emocionais que somos?

A Bíblia: um livro que responde a si mesmo

A Bíblia é a nossa regra de fé, o livro mais confiável e o que melhor responde às indagações quanto ao que somos, de onde viemos e para onde vamos. Outras tentativas, como a Teoria da Evolução, ainda permanecem da mesma forma: como mera teoria. Além disso, a Teoria da Evolução se fecha com mais perguntas que respostas: Afinal, de onde surgiu a massa inicial e o que a pôs em movimento a fim de que expandisse e explodisse? E as leis que organizaram essa explosão, de forma tão inteligente? Logo, ela nunca chegou a ser Lei, pois também não tem como ser observada empiricamente.

A necessidade que o homem tem das referências quanto ao seu existir e ao seu final é evidenciada pelo fato de os antigos terem criado a mitologia. Os antigos mitos (pretensos deuses) que assumiam o peso das explicações desejadas eram responsáveis por tudo que existia e acontecia. Eles também encarnavam as fraquezas e as virtudes que os homens percebiam em si mesmos, e não suportavam assumir uma responsabilidade tão pesada. Os deuses criados pela imaginação do homem foram diferentes do Deus da Bíblia de várias formas. A principal delas é que o nosso Deus criou uma ponte física para nos proporcionar a Salvação e fortalecer a nossa fé ao se encarnar.

Quando Jesus nasceu e viveu neste mundo, sujeitando-se às necessidades de qualquer ser humano, Ele identificou-se com todas as dificuldades do homem comum, apenas com um detalhe: em tudo isso Ele não pecou. O Senhor mostrou-nos que poderíamos também vencer nossas fraquezas e tentações, pelo poder de Sua morte sacrificial e pela esperança evidenciada em Sua ressurreição. E, por esse sacrifício no Calvário, podemos alcançar ainda o perdão dos pecados cometidos, e é isso que nos permite paz interior e confiança quanto ao porvir. Jesus não poderia permanecer na morte, e, então, Ele ressuscitou, fortalecendo a promessa de que também nós ressuscitaremos para viver a eternidade com Ele.

Ainda em vida como homem, o Senhor instruiu os Seus discípulos, não somente quanto a darem continuidade à missão que Ele veio realizar no mundo. Mais ainda: pela Sua ressurreição, eles tivessem a fé embasada, e testificassem com autoridade do extraordinário vivido – tudo que viram e ouviram.

Relativismo e a escolha pelo conhecimento

O relativismo consiste numa escolha entre a fé e a não-aceitação da resposta simples e natural. Aceitamos a Bíblia como pela fé, enquanto alguns preferem o relativismo. E essa nossa fé não é cega. Ela não acolhe cegamente o fenômeno, uma vez que este se dá a conhecer em todas as suas nuances e evidências. A fé olha de forma inteligente para esse fenômeno, aceitando o que ele oferece aos olhos, à mente e ao coração. O relativista quer provar o fruto, analisar suas características, quer sentir-lhe o sabor e, principalmente, acreditar que é, muito sábio e inteligente. Como nada do que acontece na face da Terra é novo embaixo do céu, isso também já aconteceu antes.

Por, Arézia Cabral

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