A ação da apostasia no seio da Igreja

Quais os tipos de apostasia e como elas agem dentro das igrejas?

A ação da apostasia no seio da IgrejaJeroboão, filho de Nebate, entrou para a História Sagrada como o homem que induziu Israel a pecar. Consagrado por Deus para reinar sobre as tribos setentrionais, imaginou ele que os israelitas, ao peregrinarem a Jerusalém a fim de adorar no Santo Templo, colocar-se-iam sob a Casa de Davi. E, assim, o seu reino em breve desapareceria; suposição ímpia e tola. Para contornar um problema religioso (que não existia), Jeroboão criou um fato político: “Tendo tomado conselhos, fez dois bezerros de ouro; e disse ao povo: Basta de subirdes a Jerusalém; vês aqui teus deuses, ó Israel, que te fizeram subir da terra do Egito!” (1 Reis 12.28).

Um bezerro foi posto em Betele outro em Dã. Estrategicamente, Jeroboão paganizou todo o seu reino; de norte a sul, forçou os súditos à apostasia. A partir daí, ele passou a ser mencionado, nas Escrituras Sagradas, como o rei que fez Israel pecar (1 Reis 15.30). Para coroar a sua rebelião contra Deus, instituiu outro sacerdócio; ignorou os levitas e os santos profetas.

De uma só vez, Jeroboão logrou desteologizar as tribos do Norte; transformou-as, num só dia, numa nação pagã. Dos bezerros de ouro, os israelitas passaram a adorar Baal e outras tralhas. Se não fossem os sete mil que não se curvaram aos ídolos, as tribos nortistas teriam desaparecido para sempre.

Da história de Jeroboão, tiraremos algumas reflexões sobre a apostasia que, pouco a pouco, vai tomando grande parte do universo evangélico no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa.

Antes de tudo, definamos a apostasia.

Em termos bíblicos, a apostasia é a renúncia pública, racional e consciente da santíssima fé. Não se trata de uma queda acidental ou de uma acedência ao pecado. Em palavras mais claras, é uma revolta premeditada contra a Santíssima Trindade. Peca-se contra o Pai, peca-se contra o Filho e peca-se fatalmente contra o Espírito Santo; é um pecado mais grave do que a blasfêmia. Essa transgressão é descrita pelo autor da Epístola aos Hebreus em cores fortes e terríficas: “Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários. Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei de Moisés. De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?” (Hebreus 10.26-29).

Jeroboão, como vimos, livremente deliberou voltar-se contra o Senhor. Deificou os dois bezerros, mudou o sacerdócio. E, de uma só vez, mudou a fé, a crença e a teologia do Reino do Norte. Até mesmo o Deus daqueles israelitas, Jeroboão mudou. Sua apostasia, que era individual, fez-se coletiva; nacionalizou-se; foi além das fronteiras hebreias. E, com o tempo, veio a contaminar o Reino de Judá. O pecado de um único homem veio a causar a desgraça de todo um povo.

Nestes últimos dias, cumpre-se o que o apóstolo Paulo escreveu a Timóteo: “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios” (1 Timóteo 4.1). Desta passagem, inferimos que toda apostasia tem como inspiração o próprio Diabo, que, segundo o apóstolo, está a patrocinar a vinda do Anticristo (2 Tessalonicenses 2.1-10).

A apostasia é pior do que a heresia. O herege nem sempre está consciente de seu erro; se admoestado, pode até vir a abandonar o engano (Tito 3.10). No entanto, o que podemos dizer quanto à apostasia? Nascendo, às vezes, no ministério santo, contamina todo o rebanho. Firmemo-nos na Palavra de Deus; preguemo-la; vivamo-la. Caso contrário, seremos afastados eternamente de Deus. Amém.

Maranata! Ora vem, Senhor Jesus

Por, Claudionor de Andrade.

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