Evangélicos nos EUA caem de 60% para 48% em apenas duas décadas

Pela primeira vez, eles não são mais a maioria no seu país e o seu poder de decidir eleições diminuiu drasticamente como provaram as eleições de 2012

thumbsf3beEm uma das mais disputadas eleições da história dos Estados Unidos, o presidente democrata Barack Hussein Obama venceu o republicano e ex-governador Mitt Romney por 303 a 206 nos colégios eleitorais (com vitórias apertadíssimas nos Estados-chave de Ohio, Virgínia e Flórida) e apenas 2,4 pontos percentuais de diferença na votação nacional (50,4% contra 48% – 60,6 milhões de votos contra 57,8 milhões de seu adversário). Esse resultado revelou um país profundamente dividido, como nunca antes em sua história recente, mas mostra também muito mais que isso. Talvez seja o “último suspiro” de uma América para a ascendência de outra América. Isso porque essas eleições revelaram o preocupante fato de que a chamada “maioria moral” (como foi batizada nos anos de 1980 a maioria cristã conservadora dos EUA) pela primeira vez não é mais a maioria, não tendo mais a força que tinha nas eleições passadas.

 Nesta eleição, não apenas o mais liberal presidente da história dos EUA foi reeleito – um homem que apoia abertamente o aborto até o nono mês de gravidez e em qualquer caso, bem como seu financiamento pelo Estado; que é o primeiro presidente a apoiar o “casamento” gay e o menos pró-Israel da história do país; que decretou, como primeiro ato como presidente, em 20 de janeiro de 2008, a destruição de embriões para pesquisas; que apoia a criação em seu país das tais leis contra a “homofobia”, que defende a maior dependência do cidadão em relação ao estado etc. Nesta eleição, aconteceu muito mais do que isso: simultaneamente, o “casamento” gay foi aprovado em plebiscito em quatro Estados (Maine, Minessota, Maryland e Washington) assim como a legalização da maconha para fins recreativos em Washington e Colorado. Foi a primeira vez que o consumo de maconha foi aprovado nos EUA.

E não é que os evangélicos não saíram às urnas desta vez, como aconteceu em 2008, quando 30 milhões ficaram em casa desmotivados com John McCain, e Obama terminou vencendo por 10 milhões de votos de diferença. Eles foram às urnas neste ano, sendo que, agora, seu comparecimento não foi suficiente, diferentemente das eleições de 2004, quando os evangélicos, segundo pesquisas da época, e para raiva dos analistas liberais de então, foram o determinante não só para a reeleição do conservador Bush (que naquele tempo ainda não amargava as primeiras desilusões do seu país com a guerra no Iraque), mas também para a derrota do “casamento” gay e da liberação da maconha em plebiscitos em vários Estados.

Mas, por que, mesmo com os evangélicos mais presentes no pleito presidencial do ano de 2012 do que no de 2008, eles não fizeram a diferença? A resposta foi dada um mês antes das eleições. No início de outubro, saiu uma pesquisa do Instituto Pew que mostrava que, pela primeira vez na história dos EUA, os evangélicos não eram mais a maioria do país. Em 2004, eles ainda eram 53% dos norte-americanos e mais da metade do eleitorado. Oito anos depois, são 48% da população e 47% do eleitorado. É por isso que, mesmo estando, por exemplo, fortemente mais presente nas urnas da Virgínia neste ano, os evangélicos não evitaram a vitória de Obama ali, assim como aconteceu em Ohio e Flórida, onde também compareceram em um bom número e a vitória do democrata também ocorreu, embora apertada. Um pesquisa de boca de urna da CNN divulgada na noite do dia da eleição mostrou que 49% dos eleitores que foram às urnas na Virgínia eram evangélicos. Nas eleições presidenciais de 2008, apenas 21% dos que foram às urnas naquele Estado eram evangélicos.

Entre 70% e 80% dos evangélicos que foram às urnas em 6 de novembro de 2012 votaram em Romney, mas não foi suficiente. Quem definiu a eleição deste ano foram os latinos, que representam 17% da população, e em alguns Estados, como a Flórida, são quase 25%.

Os evangélicos sabiam que a vitória de Romney não estancaria o processo de decadência de valores dos EUA mas apenas o tornaria mais lento, razão pela qual, mesmo diante do perfil moderando de Romney, e mesmo ele sendo mórmon, ainda se mobilizaram em seu favor. Entre dois males inevitáveis, escolheram o menor. Mas, não tiveram peso suficiente para fazer valer nacionalmente a sua escolha.

A pergunta que se faz agora é: O que será dos EUA nos próximos anos? Não sabemos precisamente, mas os sinais deste pleito não são nada animadores. Os republicanos, majoritariamente conservadores, mantiveram a maioria na Câmara dos Representantes. Os conservadores também são fortes na Internet e nas rádios dos EUA. Mas, o que é isso diante do fato de que os liberais não só detêm o Senado e têm mais quatro anos na Presidência com seu favorito, como também continuam dominando esmagadoramente a indústria cultural e do entretenimento nos EUA, a maioria na imprensa televisiva e imprensa no país, e ainda contam com forte apoio da opinião pública internacional? Além disso, os evangélicos – grande base conservadora do país – estão diminuindo, enquanto aumenta entre a população uma cultura de dependência da população em relação ao “papai” Estado, algo impensável nos EUA de décadas atrás.

Queda vertiginosa

Em 1976, ano da Independência dos EUA, 97,6% da população eram evangélicos, sendo 34,2% metodistas, 20,5% batistas, 20,4% congregacionais, 19% presbiterianos e 3,5% episcopais. Os católicos eram 1,8% e 0,6% era a soma de outras religiões e agnósticos. Em 1900, os evangélicos ainda eram 90%. Aí veio a forte imigração para os EUA no início do século 20. Só de 1900 a 1910, foram quase 10 milhões de imigrantes que entraram no país, sobretudo irlandeses e italianos. Vieram, em seguida, também muitos latinos. Isso fez com que a porcentagem de católicos aumentasse consideravelmente, o que não afetou tanto o perfil do país, porque a maioria dos católicos na época era de conservadores. Porém, logo a maioria católica se tornaria liberal e o próprio liberalismo social (e teológico) também ganhará força entre muitos evangélicos.

Em 1990, 60% da população eram evangélicos e 26,2%, católicos. Em 2004, eram 53% e 54% de evangélicos e 29% de católicos. Em 2007, 51,3% de evangélicos e 24% de católicos. Em 2008, 50% de evangélicos. Em 2012, 48%. Isso significa dizer que nos primeiros 124 anos de República, os evangélicos diminuíram 7 pontos percentuais; nos 90 anos seguintes, 30 pontos; enquanto nos últimos 22 anos, só nesse pequeno período, a queda foi de 12 pontos percentuais. Esse dado é extremamente significativo, e o resultado das urnas neste ano comprovam isso, bem como as pesquisas de maio deste ano que mostraram, pela primeira vez, o apoio ao “casamento” homossexual sendo maioria no país também.

A intensificação da guerra cultural nos EUA entre conservadores e liberais, e do confronto entre a cosmo visão cristã e a naturalista, nos últimos anos, não é à toa. É um sintoma. O país, como um corpo, está com febre. O vírus do liberalismo social o infectou de vez e os “anticorpos” conservadores estão tentado resistir a ele, mas o corpo não mostra muita melhora. Os EUA estão mudando. E, infelizmente, em muitos sentidos, não para melhor. Pode até se recuperar financeiramente, o que ainda é muito incerto, mas o que está sendo sedimentado naquele país culturalmente é quase irreversível. Com isto, a referência de valores no Ocidente parece que passará a ser, nos próximos anos, definitivamente, a progressiva e super social liberal União Europeia, sintomaticamente eleita neste ano (2012) a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz. Há pouco tempo, os EUA ainda mantinham uma boa reserva de conservadorismo social em contraste com a Europa. Porém, aos poucos, vai se “europeizando”, se tornando, como dizem os conservadores nos EUA, mais “francesa”: menos filha da Revolução Americana de 1776 e mais imitadora, implicitamente, da tresloucada Revolução Francesa de 1789, tão eufemizada e envernizada ideologicamente pelos historiadores progressistas e estatistas. Obama já havia ganhado o Prêmio Nobel da Paz em 2008 sem ter feito nada ainda como presidente, apenas pelo que representava em termos de valores. E a União Europeia, mesmo tremendamente combalida economicamente, é vista como o grande modelo para o Ocidente hoje. Note: o prêmio não foi para a Europa, mas para a instituição União Europeia, como grande modelo de organização para outros países.

Ao que parece, neste ano, o tabuleiro do final dos tempos experimentou mais um significativo movimento.

Reação dos líderes evangélicos nos EUA

A reação da liderança evangélica norte-americana ao resultado das eleições de 2012 foi, como era esperado, de frustração e muita preocupação com os destinos do país. O reverendo Franklin Graham, filho do famoso evangelista Billy Graham, afirmou, em entrevista à CNN, que acredita que os EUA estão “em um caminho de destruição” devido aos resultados eleitorais de 6 de novembro de 2012. Graham explicou ainda que o caminho a que ele estava se referindo envolvia, entre outras coisas, a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, e arrematou: “Se estamos autorizados a ir por este caminho a que este presidente quer que a gente desça, eu acho que vai ser para a nossa conta e risco e para a destruição desta nação”.

Em maio, Franklin Graham já divulgara um comunicado em resposta do anuncio do presidente em favor do casamento homossexual, afirmando que Obama havia “balançado o punho contra Deus”, que criou e definiu o casamento”. E em outubro, em entrevista a Piers Morgan, na CNN, Franklin asseverou ainda que “O presidente apoia algo que é contra a posição de Deus, e este é um grande problema”.

Joseph Farrah, fundador e editor de um dos maiores jornais eletrônicos evangélicos dos EUA, oWorld Net Daily, foi igualmente contundente em artigo publicado um dia após o pleito: “Obama representa para mim o julgamento de Deus sobre um povo que se afastou dEle, de Seus caminhos e de tudo pelo qual nossos fundadores [dos EUA] sacrificaram suas vidas, suas fortunas e sua sagrada honra”.

O pastor Albert Mohler, presidente do Seminário Teológico Batista do Sul dos EUA e um dos mais proeminentes evangélicos do país, mostrou-se também preocupado com os destinos do país após as eleições: “Devemos orar para que Deus mude o coração do presidente Obama sobre uma série de questões, desde a santidade da vida por nascer até a integridade do casamento. Devemos também nos opor à sua lei sobre contracepção, que pisa na liberdade religiosa”, asseverou Mohler, referindo-se a uma das imposições do Obama-care (o plano de saúde público do governo Obama) no qual o governo norte-americano força todas as universidades, mesmo religiosas, a fornecerem formas contraceptivas a seus alunos (pílulas, camisinhas etc), que serão fornecidas com dinheiro público. “Dada a trajetória de seu primeiro mandato no cargo, estamos grandemente preocupados com o seu segundo mandato, ainda mais que agora o presidente se sentirá mais livre, pois nunca mais vai enfrentar o eleitorado”, lembra Mohler.

De forma geral, os pastores norte-americanos conclamaram o povo a orar e jejuar pelos destinos do país daqui para frente. Nesse tom, o presidente do Concílio Geral das Assembleias de Deus nos EUA, pastor George Wood, escreveu uma nota aos assembleianos sobre as eleições deste ano, ressaltando quais as atitudes que os assembleianos no seu país deveriam tomar após o resultado das eleições. Abaixo, seguem os trechos principais:

“No final do sexto século a.C., quando Judá enfrentou grandes desafios nacionais e internacionais, Deus deu uma palavra através do profeta Jeremias que é relevante para nós hoje. Jeremias escreveu uma carta aos líderes políticos de sua nação, a quem o rei Nabucodonosor havia exilado na Mesopotâmia. Essa carta continha essa diretiva divina: ‘Busque a paz e a prosperidade da cidade para a qual eu encarrego você para o exílio. Orem ao Senhor por ela, porque se ela prosperar, vocês também irão prosperar’ (Jeremias 29.7)”.

“Em primeiro lugar, oração. Durante um ano de eleições, os cristãos, por vezes, confundem o resultado das eleições com o Reino de Deus. Se o resultado das eleição não é como queríamos, somos tentados a pensar que os propósitos de Deus foram derrotados. Não há dúvida de que os exilados se sentiram assim. Onde estava Deus? Por que Ele nos abandonou? Mas a perspectiva de Deus foi diferente: ‘Eu tenho carregado vocês para o exílio’. Ele tinha seus propósitos no exílio de Judá. Assim, ore ao Senhor. Deus estava pedindo a eles para orarem pela paz e a prosperidade de seus inimigos. Esta diretiva lembra-nos o caráter missionário do povo de Deus. Deus enviou Judá para o exílio para abençoar Babilônia. Da mesma forma, Ele nos colocou na América para abençoar aqueles que não O conhecem. Devemos orar por sua paz, prosperidade e, o mais importante, sua salvação”.

“Juntamente com os outros líderes das Assembleias de Deus, peço-lhes hoje para começarem uma rotina de oração fervorosa pela nossa nação, pelos seus líderes e, especialmente, pelos perdidos. Aqui, no Centro de Liderança e Recursos Nacionais, começamos a oração às 7h14, em uma referência a 2 Crônicas 7.14. Convidamos os membros das Assembleias de Deus para orar por avivamento duas vezes ao dia, às 7h14 e às 19h14, e para jejuar e orar pelo mesmo propósito cada sexta-feira. Vamos promover essa iniciativa em nível nacional”.

“Em segundo lugar, evangelismo. A política é importante, especialmente em um ano eleitoral, mas a política não é o mais importante. A missão da Igreja é ‘fazer discípulos de todas as nações’ (Mateus 28.19). […] Em terceiro lugar, ação. Um compromisso com a oração e com o evangelismo não impede a defesa de causas sociais ou a engajar-se em campanhas políticas, […] Em quarto lugar, civilidade. Na minha opinião, a campanha presidencial de 2012 atingiu novos níveis de incivilidade, vulgaridade e desonestidade. Não importa o lado que começou e era o pior, importa o que o discurso cristão deve ser sempre civilizado. Os cristãos devem ser conhecidos por ‘falar a verdade em amor’ (Efésios 4.15). Como cristãos nos EUA, Deus nos comissiona a falar profeticamente sobre questões como o ‘casamento’ homossexual, aborto, imigração, pobreza e violência. Mas, Ele nos comissiona a falar verdades duras de uma forma suave. Nós sempre dizemos a verdade, mesmo quando é impopular? E nós sempre dizemos as verdades impopulares com um espírito amoroso e de forma amorosa?”

“Em quinto lugar, exemplo. Não é apenas a forma como falamos o que importa, mas como nós agimos. Eu me pergunto o que os babilônios pensavam dos judeus exilados. Eles foram usados para conquista de outras nações e seus líderes foram exilados. Na maioria dos casos, eu imagino que os exilados de outras nações se ressentiam dos seus conquistadores, resistiam à sua autoridade e procuravam por vingança. Eu me pergunto se os babilônios não se maravilhavam com os judeus, que buscavam a paz com e para seus vizinhos”.

“Os cristãos são frequentemente tentados a colocar a política partidária acima de Cristo. Amigos, a nossa pátria está nos Céus e o nosso líder é o Senhor Jesus Cristo, e Ele não está acima só de quatro em quatro anos, mas reina para sempre e sempre! O nosso partido é a Igreja, e a nossa plataforma é o amor de Cristo. Se fizermos isso, nosso exemplo terá uma influência mais abrangente do que os nossos votos jamais puderam ter”.

“Que o nosso presidente e a nossa nação busquem o Senhor com todo o coração, sabendo que a justiça exalta uma nação, mas o pecado é o opróbio dos povos. Que haja nos próximos dias um grande despertar espiritual através da nossa terra e que reverbere em todo o mundo”.

Por, Mensageiro da Paz

6 Respostas para Evangélicos nos EUA caem de 60% para 48% em apenas duas décadas

  1. david brandon disse:

    só queria saber mais detalhes sobre os evangélicos ae no eua

    • Francisco Wlademir Galvan disse:

      Olá David, obrigado por seu interesse. Em tempo oportuno estaremos disponibilizando mais informações sobre os evangélicos no EUA. Continue nos seguindo, é um prazer tê-lo conosco. Que Deus te abençoe.

  2. david brandon disse:

    fico aguardando noticias no meu email Deus abençoe a obra de vocês…

  3. Alexandre disse:

    Parabéns pela reportagem. Excelente conteúdo. Abraço

  4. Roberto Batista disse:

    Oremos por todas as nações principalmente pelo Brasil pois até muitos ev. Dizem ele roba mas faz

  5. Eunice disse:

    como é a vida dos missionários ai nos Estados Unidos?

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