O poderoso significado da cruz de Cristo

O poderoso significado da cruz de CristoO evento histórico da morte de Cristo na cruz tem um significado absoluto por causa da identidade divino-humana de Cristo. Jesus, o Filho de Deus, encarnou como um homem, possuindo uma identidade histórica (João 1.1), e “veio para dar sua vida em resgate de muitos” (Mateus 20.28; Marcos 10.45; 1 Timóteo 2.6).

Em Sua morte na cruz, Jesus garantiu a humanidade a possibilidade de salvar-se pela Graça por intermédio da fé. A cruz contém o sentido histórico-escatológico do plano de salvação da humanidade (João 3.16). O primeiro homem, Adão, foi o responsável por todos os males causados à humanidade quando pelo seu pecado todos os homens tornaram-se culpados diante de Deus (Romanos 5.19). O vírus do pecado passou de geração em geração. Todos foram condenados (Romanos 5.18). Deus havia advertido a Adão sobre as consequências da queda (Gênesis 2.17). A consequência básica do pecado é a morte nas suas várias formas: espirituais, psicológicas, físicas e históricas.

Jesus, o Filho de Deus, se encarnou, e no processo de revelação como Deus-homem, Ele poderia, como homem, experimentar as consequências do pecado; Ele, que é Santo, foi gerado sem pecado, mas aceitou sofrer como homem as consequências do pecado; e como homem sem pecado, enfrentou uma morte vicária e substituta, ou seja, morrendo em nosso lugar para expiação de nossos pecados. Como Deus, Ele pôde restaurar a vida divina para o homem, a fim de ofertar à humanidade o Dom da Salvação eterna pelo sacrifício expiatório na cruz. Como homem, Jesus liberta a humanidade caída em Adão; como Deus, Ele poderia, dessa forma, salvar-nos das consequências do pecado e do poder do pecado, tornando-se vida dentro de nós. Jesus “veio para dar sua vida em resgate de muitos” (Mateus 20.28). Jesus veio para que pudéssemos ter vida plena (João 10.10). A morte de Jesus na cruz é o precedente à ação restauradora da vida interior de Deus no homem.

Embora ainda suspenso na cruz e enfrentando a morte física iminente, Jesus exclamou: “Tetelestai”. A palavra é traduzida em português como: “Está consumado!” (João 19.30), indicando a ação concluída, cujas consequências permanecem até o presente e por toda a eternidade. Para amplificar o significado, essa expressão poderia ser traduzida também como “concluído” ou “cumprido”.

O apóstolo Paulo esclarece com mais profundidade o significado do pagamento da graça, quando escreve em sua Carta aos Colossenses 2.14 que não há condenação, não há mais endividamento, não existem mais exigências. Essa é a obra consumada de Jesus Cristo na cruz do Calvário.

O significado teológico da cruz deve ser entendido dentro do contexto da obra consumada de Deus em Cristo. Embora a cruz em si era apenas um instrumento de morte, foi lá que Jesus proclamou a nossa vitória: “Está consumado!” A ação de reparação de morte substitutiva leva diretamente à ação restauradora da vida de Deus na vida do homem convertido a Cristo. Ele tomou a nossa morte para nos dar a Sua vida, levou as consequências da nossa injustiça para nos dar Sua justiça.

A obra consumada de Jesus Cristo é o fundamento da redenção, da regeneração, da justificação, da santificação e da glorificação do ser humano.

O significado teológico da cruz é soteriológico e escatológico. Soteriológico em razão do plano de salvação efetuado pelos decretos divinos (ver Efésios 1) e, por fim, escatológico, considerando que seu clímax aponta para o ápice da história da redenção.

A cruz, finalmente, é o ícone da Igreja. Desde o dia em que o Salvador carregou a cruz sobre os seus ombros para o Gólgota e foi crucificado nela como evidência da nossa redenção, tornou-se, por fim, o sinal visível e bandeira de todo aquele que crê em Cristo, que não apenas morreu por nós, mas também ressuscitou, confirmando a vitória na cruz.

A cruz é o antes; a ressurreição de Cristo é o depois. A cruz revela a história do pecado; a ressurreição a história da graça.

Por, Roberto dos Santos.

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