As unidades da medida de Deus

As unidades da medida de DeusCerto dia, estava meditando sobre a grandeza de Deus e resolvi preparar um esboço de sermão a respeito desse tema. Aos poucos, fui me envolvendo com os textos bíblicos e percebi que o assunto renderia um artigo, assim fiz.

Nosso ponto de partida é: Deus não está limitado a tempo e espaço. Geograficamente, onde Ele habita? Quantos anos tem o Senhor? Qual a distância da Terra para Seu trono? Se formos buscar respostas para perguntas como estas, devemos estar preparados para obtê-las e não ficarmos satisfeitos, pois muitas coisas a respeito de Deus e dos céus são um grande mistério (Deuteronômio 29.29).

É uma necessidade do ser humano estabelecer padrões diante de tamanha grandeza daquilo que lhe rodeia, pois o universo é imensurável. Essa necessidade pode ser vista desde as antigas civilizações, que estabeleceram seus próprios sistemas de medida, como, por exemplo, aquelas baseadas no corpo humano: palmo, pé, polegada, braça, côvado. Na sociedade, para facilitar as trocas comerciais, foram cridas e estabelecidas unidades monetárias por meio do peso e/ou nobreza do material daquilo que se propunha negociar. Hoje, dentre as unidades de medida do homem estão as da área, capacidade, comprimento, densidade, energia, força, massa, peso, potência, pressão, temperatura, tempo, velocidade, viscosidade e volume.

Em Apocalipse 21.17, quando João foi levado em espírito pelo anjo para ver a Cidade Santa, o ser angelical lhe apresentou a cidade com suas medidas, e destacou nesse versículo: “E mediu o seu muro, de cento e quarenta e quatro côvados, conforme a medida de homem, que é a de um anjo”. Pode-se entender pelo texto que o homem tem uma medida e que Deus tem outra.

Veja o que Paulo diz aos irmãos de Éfeso: “Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor, poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade. E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus” (Efésios 3.17, 18). O apóstolo destaca algumas condições para compreendermos “a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade” do amor de Deus. “Estar arraigados e fundados neste amor”. Paulo diz aos irmãos de Roma que nada poderá nos separar deste amor, e cita dois dos termos utilizados na Epístola aos Efésios: a altura e a profundidade. “Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus Senhor” (Romanos 8.39).

As medidas do homem têm um limite, as de Deus, não. Um dia para nós são 24 horas, já para Deus pode ser milhões de horas, ou milésimos de segundos. Dá pra entender? O escritor sacro nos convida a não ignorar isso: “Mas, amados, não ignoreis uma coisa, que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia” (1 Pedro 3.8).

Paulo, em outro momento, falando aos irmãos de Éfeso, diz algo tremendo sobre a grandeza do agir de Deus: “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera” (Efésios 3.20). O poder que em nós opera, sem dúvida, é a nossa fé. Através dela podemos ver o agir de Deus nas medidas que Ele mesmo estabeleceu. Veja os quatro termos utilizados pelo apóstolo: “tudo”, “muito mais”, “abundantemente” e “além”.

Quando pensamos em “tudo”, de imediato nossa mente nos leva ao entendimento da plenitude. E olha que o apóstolo disse que tem “muito mais”, e esse “muito mais” é acompanhado de um “abundantemente”. Veja só que medida extraordinária essa que termina com um “além”!

Para Deus, nem quente nem frio

Você sabe quantos graus de temperatura media a fornalha aquecida sete vezes mais, para jogar os três hebreus – Misael, Ananias e Azarias –, quando eles se negaram a ajoelhar diante da estátua de Nabucodonozor? Dá para ter uma ideia do quanto aquilo estava quente? Os homens que foram lançá-los na fornalha foram imediatamente mortos pelas chamas, mas o Senhor estava com eles e nada lhes aconteceu (Daniel 3). Para Deus não existe quente ou frio.

A provisão no deserto

Fico imaginando a medida diária de maná que descia do céu para alimentar o povo no deserto. Quantas porções por dia para saciar-lhes a fome e garantir-lhes as refeições diárias (Êxodo 16.4)! Não posso imaginar a rocha em Refidim saindo água como em conta gotas, pois o número de pessoas para beber era grande e ainda tinham seus animais. Quantos litros de água o Senhor providenciou para o povo na ocasião em que lhes saciou a sede (Êxodo 17.1-7)?

No Novo Testamento, cinco pães e dois peixes foram o suficiente, e até sobejou, no extraordinário milagre realizado por Jesus quando Ele deu de comer a quase 5 mil homens, além das mulheres e crianças. André, um de Seus discípulos até disse: “Mas que é isto para tantos?” (João 6.1-14; Mateus 14.14-21;  Marcos 6.33-44; Lucas 9.11-17). Era extremamente pouco, mas foi exatamente isso que fez do episódio o registro de um grande milagre.

Quem deu mais?

É engano nosso querermos ser mais que os outros ou achar que temos nível de santidade mais elevado que os demais, ou que somos mais importantes nas nossas contribuições para o Reino de Deus. Você entende o que Jesus deixa de lição com a história da oferta da viúva? É muito diferente da forma com que Ele mede as coisas. Eram apenas duas moedas, mas foram consideradas como a maior das ofertas pelo que elas representavam para aquela mulher e pela condição do seu coração ao dá-las (Lucas 21.1-4; Marcos 12.41-44).

Do pouco, Deus faz muito

Lembra da viúva do milagre do azeite de 2 Reis 4.1-6?

A mulher disse não ter “nada”, depois lembrou que tinha “um pouco”: “uma botija de azeite”. O profeta lança o desafio: “Vai, pede emprestadas, de todos os teus vizinhos, vasilhas vazias, não poucas”. Ao recolher o máximo de vasilhas possíveis com os vizinhos e atender à orientação do homem de Deus de enchê-las, o milagre foi possível, pois ela creu.

Daqui tiramos mais algumas lições: se essa mulher não tivesse bom relacionamento com seus vizinhos, possivelmente teria perdido a bênção ou a teria  recebido em menor medida, pois quase ninguém lhe emprestaria vasilhas. E tem mais uma coisa: os filhos dela foram participantes na realização do milagre, tanto que um deles foi que deu a notícia que não havia mais vasilhas para encher, tão grande foi o milagre. O relacionamento dela com a família também era bom.

Medida com que medimos

O evangelista Lucas registra as palavras de Jesus dando-nos uma excelente orientação a respeito de medida. “Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo” (Lucas 6.38). E Mateus registra algo parecido: “Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que medirdes vos hão de medir a vós” (Mateus 7.2). Já ouvi muitos pregadores dizendo que a medida de Deus “é recalcada, sacudida e transbordante”. Até creio que seja mesmo, mas o texto de Lucas não faz referência a medida de Deus, e sim à lei da semeadura que diz que aquilo que o homem plantar ele também ceifará (Gálatas 6.7).

Deus têm bênçãos além daquilo que pedimos ou pensamos, mas não podemos esquecer que o trato com nosso próximo pode influir em recebermos ou não essas bênçãos e que todas elas estão condicionadas ao “poder que em nós opera”: a nossa fé.

Por, Edilberto Silva.

2 Respostas para As unidades da medida de Deus

  1. Antonio Carlos Xavier ribeiro disse:

    Gostaria de receber uma sermão com inicio meio e fim com estas palavras Boa medida, Recalcada, Sacudida, e Transbordando de Lucas 6:38,

    • Francisco Wlademir Galvan disse:

      Assim que tivermos um material como o irmão deseja estaremos disponibilizando no site. Que Deus o abençoe.

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